8.11.19

Os brigadeiros da Sirly



Eu sei, toda a gente quer a receita dos brigadeiros da Sirly, mas não é tão simples como dar a receita e já está. Um bom brigadeiro requer técnica, tempo de calor, temperatura, ponto de retirada do lume, toda uma série de condicionantes que a Sirly faz a olho e que não dá para explicar com muito rigor.

No entanto, posso garantir que os brigadeiros são maravilhosos, macios e que levo para casa de amigos em jantaradas com muita regularidade. Quem comeu diz que nunca comeu brigadeiros tão bons. Mas lá está, o segredo não está só nos ingredientes, ainda que também seja importante.

Uma coisa que eu faço e a Sirly aprendeu comigo (a Sirly também aprende coisas comigo, 'tá?), é colocar os brigadeiros no congelador depois de enrolados. O leite condensado nunca congela ao ponto de ficar pedra como um cubo de gelo, por exemplo. Ele fica um duro-mole, não sei explicar melhor, têm de experimentar. O certo é que podem fazer brigadeiros em quantidade e ter no congelador para visitas inesperadas, jantares inesperados, etc. Bastam 5 minutos fora do congelador e estão prontos a comer. E o que eu gosto de brigadeiros gelados, ai! Prefiro comê-los a sair do congelador do que à temperatura ambiente.

1 lata de leite condensado
2 colheres de sopa de cacau de qualidade
1 colher de sobremesa de manteiga
Granulado de chocolate belga ou cacau em pó

Importante saber:

- Uso leite condensado da Nestlé.
- Uso cacau Lindt. E é cacau, não é chocolate em pó ou Nesquick, que altera completamente o sabor de um brigadeiro para pior (opinião das minhas papilas gustativas).
- Não se ponham com granulados baratos que aquilo é só gordura com corante e um nadinha de cacau. Um granulado como deve ser é mais caro que os granulados manhosos, não há milagres. Mas o sabor também é outra coisa.
- Em alternativa aos granulados pode optar-se por envolver em cacau, a minha mãe faz muitas vezes.

Num tacho, juntar o leite condensado, o cacau e a manteiga. Misturar bem e levar ao lume médio-baixo. Mexer sempre (sempre!) com uma colher de culinária até chegar ao ponto. E é aqui que a porca torce o rabo!

O ponto é quando a mistura está macia e ao passar a colher no fundo do tacho, deixa um rasto que demora a juntar-se. Cerca de 1,5 segundos depois, o ponto passou!

Pois, e temos um brigadeiro que fica áspero, com grão, significa que o leite condensado açucarou. Consta que juntar natas (de pacote, não podem ser frescas) a um brigadeiro que açucarou e voltar ao lume baixo é a forma de voltar a ter a textura macia, mas nunca fiz o teste. 

Chegado ao ponto de brigadeiro que nos interessa, retiramos do lume e deitamos a massa num pirex. Sim, isto é importante porque a panela demora a arrefecer e a parte de massa que fica no fundo da panela pode cristalizar.

Uma vez num pirex, tigela de vidro ou semelhante, deixamos arrefecer à temperatura ambiente. Depois colocamos película aderente por cima a tocar na massa e levamos ao frigorífico umas boas horas. Só depois do frio o brigadeiro pode ser enrolado.

Para enrolar, é untar as mãos com manteiga, tirar porções de massa com uma colher de chá, enrolar e fazer bolinhas, passar a bolinha num prato com granulado ou cacau e colocar nas forminhas de papel.

Podem deixar os brigadeiros guardados à temperatura ambiente se for para ser consumido nesse dia, no frigorífico ou - como eu prefiro - no congelador. A opção do congelador aguenta muito tempo e optar pelo frigorífico começa a cristalizar ao fim de uns dias, não há como contornar. Mas os brigadeiros não ficam dias a fio no frigorífico de ninguém, por isso não me parece preocupante.

Boa sorte nisso!




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6.11.19

Fiz microblading nas sobrancelhas



Neste texto aqui, expliquei todos os produtos de maquilhagem que usava para umas sobrancelhas arranjadas, definidas e o melhor serviço para as arranjar. Mas o facto de ter sobrancelhas assimétricas em altura e uma com uma falha, fazia-me desejar uma coisa mais permanente do que ter de cuidar delas todos os dias, às vezes mais do que uma vez por dia em dias de verão/calor na praia para tapar a falha teimosa.

Muitas vezes me sugeriram tatuagem, o que não faz sentido nenhum. É definitivo, as modas e design das sobrancelhas mudam, é para lá de arriscado. E estava longe de imaginar que chegaria um dia uma técnica de meia-duração, fio a fio, não tão permanente.

Não sei quando chegou a Portugal o microblading (ou sobrancelhas 3D), mas só comecei a ouvir falar deste método há uns meses, muito através das redes sociais e sobretudo através de brasileiras. Honestamente, qualquer descrição que eu possa fazer vai soar a uma coisa bárbara. E é. Mas se formos a ver também é bárbaro arrancar pêlos.

Já fiz o meu microblading há 6 semanas, posso falar sobre a minha escolha com propriedade.


O que é microblading?

O microblading é uma técnica de pigmentação que faz com que as sobrancelhas fiquem perfeitas, simétricas. Para quem não tem pêlos ou tem zonas sem pêlos ou procura um preenchimento perfeito, cada pêlo é desenhado milimetricamente, corrigindo toda a sobrancelha no formato, na espessura, acertando o comprimento, tudo em função do rosto de cada pessoa.

Ou seja, o formato final da sobrancelha não é a técnica que gosta e faz assim. Ela tem um aparelho (um paquímetro) que tira medidas ao rosto de cada pessoa, envolvendo ângulos, contas, alguma matemática, e é desenhada a sobrancelha adequada àquele rosto em particular. Quando se faz o desenho inicial, a sobrancelha é delimitada com uma caneta branca. Portanto, sem medos, antes daquele que vai ser o resultado final vemos perfeitamente o espaço que vai ser preenchido, até onde vai a sobrancelha, etc.

De forma simples, o microblading é a colocação de pigmentos numa camada superior da pele com uma micro-lâmina, quase como uma tatuagem. No entanto, as tatuagens são permanentes e profundas e o microblading é superficial, vai desaparecendo com o tempo.

O microblading pode ser uma opção meramente estética, como foi o meu caso. Mas pode ser uma opção que "lava a alma", colocando a auto-estima no sítio no caso de pessoas que sofreram acidentes ou doenças e ficaram sem sobrancelhas ou parte delas.


Quanto tempo dura o microblading?

Depende de vários factores: aceitação do pigmento na pele, da cicatrização, dos cuidados na fase de cicatrização, do profissionalismo da técnica, da qualidade dos pigmentos, da secura/oleosidade da pele, etc., não faltam factores na equação. Mas regra geral dura de seis a doze meses.


E se a profissional se enganar no desenho?

Aconteceu comigo. Um fio de pêlo foi desenhado 1mm mais do que devia e qualquer profissional boa terá um despigmentante que resolve o deslize sem problemas. O que tiver sido mal feito pode desaparecer. Não ficou nada para contar a história.


Como escolher uma profissional 

O microblading é uma técnica feita à mão, portanto, o melhor será escolher alguém que tem talento para isto e, se possível, alguém de quem tenham referências. Eu não conheço ninguém que tenha feito microblading (têm-me vocês a mim agora), pelo que por aqui não me safava.

Então, procurei/pesquisei profissionais no Instagram. Como procurava tantas vezes, já me apareciam em anúncios várias técnicas e eu ia ver o trabalho delas. Estive semanas a ver e a rejeitar hipóteses. Encontrei uma profissional que gostei, fiz o contacto, cobrava 400€. Santa paciência! Não estava para isto. Mas encontrar muito barato também é de desconfiar, não se guiem apenas pelo preço. O preço médio andará na ordem dos 150€.

Continuei a pesquisa e encontrei a Michele Melo, brasileira, que tem página aqui. Gostei muito do trabalho publicado, de ver os "antes e depois" (como as pessoas melhoram!) e sobretudo gostei de ver os casos quase dados como perdidos, desgraças feitas pelas próprias mulheres ao longo de anos ou desgraças feitas por outras "profissionais de microblading" e que a Michele corrigiu impecavelmente.

Fiz o contacto, o preço era de 180€ e na altura estava com uma promoção de 150€.


A minha experiência

A Michele Melo é uma simpatia de pessoa, gostei muito dela. Pelo que percebi ela é independente, mas aluga sala num cabeleireiro/spa no Parque das Nações (Lisboa), junto ao hotel Myriad, o DNA do Corpo (aqui). Muito honestamente, não fiquei impressionada com espaço. Não sei se apanhei um mau dia, mas achei muito desarrumado, atolado de material que não terão onde arrumar, o WC cheio de bidões de água, móveis cheios de marcas... Estava limpo, tinha clientes, mas não achei muito inspirador e sou da opinião que uma profissional como a Michele deveria trabalhar num espaço mais cuidado. Anyway, eu fui pela técnica, não pelo spot.

Estive cerca de duas horas deitada na marquesa, a Michele tirou medidas, fez marcações na pele, eliminou os pêlos a mais, foi explicando todo o procedimento, respondeu a todas as minhas perguntas, senti-me esclarecida e mostrou-me o desenho delineado a branco do que teria de ser preenchido para ficar com sobrancelhas idênticas. Eu podia ter um espelho na mão o tempo inteiro, mas fui optando pelo telefone.

Dei o meu OK para avançar e é aqui que começa a parte pior, a dor. Tal como as tatuagens, ainda que o microblading seja mais superficial, também magoa. MAS, é usada anestesia. Então, o que dói são os primeiros segundos até a anestesia fazer efeito. Não é maravilhoso, mas é suportável e o tempo de dor dura cerca de 30 segundos. Vá, 1 minuto no máximo. Há dores piores e mais prolongadas, não é preciso ser mariquinhas, é ganhar consciência "vai ser rápido!" e respirar fundo.

Boa notícia: a Michele tem uma pomada anestesiante que é manipulada (ou seja, não se compra na farmácia em tubo para o cliente comum, é prescrita com determinados ingredientes e numa determinada percentagem) e quando faz efeito não se sente nada. Quando digo que não se sente nada, é mesmo nada, zero dor. A maior parte das profissionais de microblading terá pomadas mais ou menos anestesiantes, mas esta é mesmo zero dor e não vão mesmo sentir o procedimento.

Assegurem-se que a lâmina que vai ser usada é nova (é uma lâmina mínima).

Perguntem pela qualidade dos pigmentos. Ouvi falar de um caso de uma pessoa que ficou com as sobrancelhas azuladas, o que é assustador. Na altura, a pessoa que me contou esta história afirmou que a culpa tinha sido da exposição solar, mas quando procurei um serviço de microblading para mim e falei com as várias técnicas, percebi que o problema não foi do sol (que não causa problemas na cor), mas de pigmentos pretos baratos de má qualidade que existem no mercado e ganham uma tonalidade azulada com o tempo. Quando falarem com uma técnica de microblading questionem sobre o risco de ficar azul. Uma resposta na ponta da língua vai confirmar quão experientes e profissionais são as técnicas.

Apesar de as minhas sobrancelhas terem pêlos aparentemente pretos, a Michele avisou que ia optar por um castanho acinzentado para não ficar com as sobrancelhas muito carregadas. Portanto, é preciso saber, ter experiência, pois igualar a cor do pigmento ao pêlo até pode ser uma má opção quando à partida até parece ter lógica.


Olhar ao espelho e os dias seguintes

Concluído o trabalho, olhamos ao espelho. Quem não tem sobrancelhas ou as tem muito finas, vai adorar. Quem tem sobrancelhas e bem preenchidas, como eu, vai detestar. Mas não me assustei, já tinha lido o suficiente para saber que é assim mesmo.

As minhas sobrancelhas estavam super escuras, carregadas, grossíssimas! Não gostei nada de ver, a melhor descrição é dizer que parecia uma drag queen pronta a entrar em palco. Mas eu sabia que era preciso dar tempo e cicatrizar.

No caminho para casa, o efeito da anestesia começou a passar e a zona das sobrancelhas ardeu-me durante algum tempo. Não é um ardor insuportável, era como se tivesse raspado a pele numa parede.

Quando cheguei a casa o PAM apanhou um susto e eu não podia lavar a zona das sobrancelhas durante 24 horas. Conforme me foi indicado, apliquei Bepanthene Plus, um camadão com a ajuda de um cotonete, com movimentos circulares para ter a certeza que o creme ia à pele e não ficava apenas por cima dos pêlos naturais.

Tomei banho ao fim de 17h, quando precisei de fazer a minha vida no dia seguinte e sair à rua, mas mal toquei nas sobrancelhas, foi só passar água do duche e pressionar levemente com a esponja encharcada em água. Melhorou, não ficou tão escuro, ainda assim, demasiado escuro para mim.

Por uns dias, apliquei Bepanthene Plus sempre que estava em casa ou ia para a cama dormir.

Nos dias seguintes, algumas áreas das sobrancelhas ficaram doridas ao toque, mas nada de especial.

A semana seguinte foi dura de ver ao espelho, não me identificava, apenas queria que cicatrizasse depressa. Para mim não ajudou ter o PAM dramático a achar que eu ia ficar uma drag queen de cartaz o resto da vida, ora preocupado, ora a desatar a rir quando passava por mim. Se tiverem uma casa extra, vão para lá viver uns dias.

Ao fim de cerca de cerca de uma semana, uma camada muito fina de pele/crosta com pigmentos começa a partir e a descolar. Não se pode arrancar! Eu apenas tirei as peles que estavam soltas e presas nos pêlos naturais. Este processo de descamação até que é rápido, é o que menos custa esperar.

Ao fim de mais ou menos duas semanas pude finalmente esfoliar as sobrancelhas e ver melhor o que estava para ficar. No entanto, até ao fim de quatro ou cinco semanas podem surgir variações de cor, o resultado final vê-se pela quinta ou sexta semana.


Cuidados a ter com a cicatrização

Encontrei esta imagem e tem muita graça, o processo é mesmo assim, mais ou menos esquizofrénico. Como eu já sabia, não stressei. Comigo foi mais uma questão de impaciência.

Para uma correcta cicatrização e bom resultado final é imperativo ter cuidados básicos:

1. Seguir as instruções da profissional (e que seja uma boa profissional).
2. Não dramatizar se nos identificarmos com momentos da imagem que publiquei abaixo.
3. Contactar a profissional se a minha descrição não tiver nada a ver com o que estão a viver e parecer grave, como por exemplo uma infecção.
4. Não ir à praia, piscina, praia e afins.
5. Evitar a exposição solar. Ainda que um bom trabalho não altere a cor por causa do sol, não deixa de existir uma ferida.
6. Não aplicar qualquer tipo de maquilhagem ou outros produtos que não os recomendados.
7. Atenção às mãos, lavar com frequência, não tocar com os dedos nos primeiros dias para evitar riscos de infecção.
8. Nunca coçar ou arrancar as peles da cicatrização.
9. Não se fazem retoques antes de cinco semanas.





Veredicto final

Passei por várias fases: do "não volto a fazer isto" apesar de não me sentir arrependida - mais pelos cuidados iniciais que exige e o tempo de espera - ao "não sei se vivo sem isto", depois de ver o resultado final.

Os primeiros dias são chatos, não há como contornar. Mas passa rápido, mais rápido do que parece na altura e o resultado final é muito bom. Tenho as sobrancelhas simétricas, perfeitamente alinhadas, parecem maquilhadas 24h/dia.

O meu único senão ficou mesmo na falha de pêlos que tenho numa das sobrancelhas, mas a Michele avisou logo que aquele espaço não estava a ficar tão bem pigmentado e era provável precisar de um retoque.

Cada retoque são mais 50€ que não me está a apetecer, portanto não voltei a contactar nem sei se o vou fazer.

No entanto, a minha falha está melhor do que estava. O resto está absolutamente impecável, acho que vou querer manter assim no futuro. A boa notícia é que feito o microblading a primeira vez, as vezes seguintes serão mais fáceis e mais rápidas. Oba!

Recomendo muito a Michele Melo, é uma óptima profissional.

Este post não é publicidade, paguei como outra cliente e nem a profissional sabe da existência deste blogue.





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© A Maçã de Eva

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