13.4.19

Um dia mato este gajo #94


Consulto umas fotos saídas de um telemóvel do PAM em quadradinhos bem pequenos, abro as imagens que me interessam, fico embevecida com imagens da Carminho bebé, depois aparecem fotos das motas, do PAM-móbil, animais e cenas que não me interessam. Vou passando com o dedo e chego a uma foto numa piscina onde está uma gaja de costas toda boazuda.

O meu coração quase pára. Em milésimos de segundos pergunto-me se será possível que um homem que é meu marido tire fotos a gajas sem o seu conhecimento? Metem-me nojo esses gestos.

Abro a foto. Aumento para ver a tipa e ver se percebo onde foi tirada a foto.

Era eu mais magra. Nas Maurícias. Meu homem que me desculpe, mas nunca soube ter sido assim, gostosa. De tal forma que nem me reconheci, só conheci o bikini.

Quase o matei, foi por uma unha negra. Mas vou perdoar porque ela era mesmo boa.



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4.4.19

Amamentar, sim ou não? - o que eu li


Amamentar, sim ou não - a minha experiência, ler aqui.

Depois de a Carmencita ter nascido, perdi a conta às mulheres que me escreveram por causa da amamentação. Estavam perdidas, queriam uma opinião de alguém de fora, alguém que fosse neutro e que tivesse uma experiência recente. Havia um denominador comum a todas estas mulheres: um sentimento de culpa muitas vezes provocado pela família próxima. Isto deixava-me sempre colérica.

Tocou-me especialmente uma leitora que não estava a conseguir lidar com a amamentação, queria desistir tranquilamente, mas não conseguia na presença diária de uma sogra que a pressionava constantemente. Pela descrição, para esta sogra era o seu momento de poder, mandava na nora e sentia-se o pináculo da sabedoria e maternidade, argumentando que a mulher foi mesmo feita para sofrer. Ela tinha de aguentar, o netinho dela não ia beber leite de lata.

A juntar a este cenário horrível, o pai da criança também não era lá pessoa muito firme, nunca soube pôr a mãe dele no lugar e ia tomando partido ora de uma, ora de outra. Resultado: uma depressão pós-parto. Morri de pena desta leitora, foi um relato horrível de ler.

Outra pessoa me escreveu, curiosamente uma enfermeira: "sou enfermeira (...) Durante a gravidez, tive muitos medos, medo do parto, de estar horas e horas a dilatar (...) Só não tinha medo da amamentação! Sempre achei a "coisa" mais natural do mundo (...) Mas a amamentação foi terrível para mim. Primeiro porque tinha os mamilos rasos e tive que usar mamilos de silicone, e depois porque o meu filho era muito preguiçoso para mamar (...) Como tinha muito leite e o rapaz não dava vazão, depois de mamar lá ia eu para a ordenha na máquina de extracção e tirar litros de leite. Mas o pior ainda estava par vir. comecei a ficar com os mamilos gretados de tal forma que chegaram a ficar em carne viva! Sei que isso é normal acontecer, apesar de todos os cuidados que tinha com os mesmos, pomadas que colocava, etc...

(...) Comecei a sentir-me muito em baixo emocionalmente. Não conseguia sentir amor pelo meu filho, chorei muito, só pensava nas mamas e nas mamadas! Como se não bastasse, tive quatro mastites num mês! Tomei antibiótico atrás de antibiótico, (...) entrei em desespero, só queria secar o leite e acabar com aquele tormento. Fui muitas vezes ao centro saúde, a minha enfermeira de família foi impecável, mas sempre com a mesma ladainha que ainda me irritava mais: "não seques o leite, isso é normal, o primeiro mês é o mais difícil, depois passa", "tira os mamilos de silicone, é mais difícil para ele pegar", "não lhe dês do teu leite pelo biberão, vai habituar-se à tetina e não vai pegar no mamilo", "põe à mama de hora a hora...", blá, blá, blá. Tinha a cabeça em água, ninguém me entendia. 

Quando tive a quarta mastite disse logo que para mim chegava, não queria amamentar mais, estava farta (...) Fui ao hospital, fui observada pela obstetra que disse logo que o melhor era secar o leite. Era uma pena, pois tinha muito leite, mas era o melhor, senão poderia ter um abcesso. No dia em que tomei os comprimidos para secar o leite chorei muito, estava sentir-me culpada por ter tanto leite e desperdiça-lo (...) Ainda dei do meu leite que tinha congelado (...) e entretanto iniciou o leite em pó.

Sou enfermeira, sei o bem que faz o leite materno, mas sinceramente, bendito leite em pó. Desde que começou a fazer o leite em pó, tive muito mais tempo para o meu filho e também para mim. Ressuscitei, literalmente! Sou defensora da amamentação, mas também sou do aleitamento, quer por opção ou por necessidade".

Acho que se consegue perceber o inferno pelo qual esta pessoa passou. Ao optar pelo leite em pó sentiu-se renovada. Estava num estado tal de ansiedade, angústia e tristeza que começou a interferir com os sentimentos que tinha pelo filho. E digam honestamente, isto vale a pena? Em nome do quê?

Durante a gravidez e alguns posts que fui publicando, havia um outro lado, o das mães triunfantes, o das mães que diziam "eu sangrava dos mamilos e não desisti! O meu filho até bolsava sangue!". As minhas sobrancelhas até se levantam, mas pronto, essas maminhas não são minhas. Acho que se a mulher quer passar por essa provação e está convicta de que por maior que seja o sofrimento não quer desistir, tudo bem. É o vive e deixa viver, o cada um sabe de si, sou completamente a favor da opção que a mãe escolher. O que eu acho errado é pressionar a continuar um calvário de amamentação uma mulher que quer desistir.

Com o tempo percebi que alguns conteúdos que circulam na net ou em livros promovem a angústia da mulher. No meu caso não tinha dúvidas quanto à minha vontade, mas há mulheres que não têm essa firmeza, há mulheres que não conseguem pensar direito no pós-parto.

Argumentos que li (juro que li): "as mães sentem-se mal quando não estão a amamentar", "a mãe que amamenta sente-se uma mãe completa", ou "a amamentação é fundamental para que a mãe e o bebé criem laços", pode fazer com que algumas mães se sintam umas aves raras, más mães, mães insuficientes. Isto numa altura em que uma mulher mais necessita de afecto, compreensão e ajuda.

Quando a Carminho tinha sete dias de vida, não evacuava desde o dia anterior, fiquei preocupada. Decidi ligar para o centro de saúde e falar com a minha médica de família para saber se esperava tranquilamente ou se dava um bebegel (ou coisa parecida). Quando me perguntou se estava a amamentar e respondi que não, levei um inacreditável sermão, como se fosse uma miúda. Nunca mais me esqueço a agressividade e de me dizer que a minha filha estava obstipada e a culpa era minha por ter escolhido não dar de mamar.

Fiquei literalmente sem palavras ao telefone, no mais profundo silêncio (o silêncio também é uma forma de resposta), segurando o telefone, deixei-a falar o que ela quis e quando foi altura de desligar, "obrigada, boa tarde". No dia seguinte liguei para o centro de saúde e disse que nunca mais voltaria a ser atendida por aquela médica. Quanto à Carminho, pouco tempo depois do telefonema sujou a fralda, foi uma coisa passageira sem motivos para alarme.

Tenho perfeita consciência de que me habilitaria a uma depressão pós-parto, a um desprazer nos cuidados com a minha filha, se me sentisse obrigada em vez e livre de fazer a minha escolha. E por tudo isto sou a maior fã da possibilidade do leite em pó, a sua existência traz muito mais do que alimento ao bebé, traz partilha de refeições, traz liberdade, traz descanso, traz alívio na rotina, traz mil benefícios que para mim e para a vida do dia-a-dia são muito maiores que os benefícios que o leite materno possa trazer.

Para outras mulheres dar de mamar é o maior prazer, a solução mais fácil e rápida, o desmame faz-se com algum sentimento de tristeza e acho óptimo que assim tenham optado se foi esse o seu desejo.

E ainda sobre este tema das maminhas, temos um casal amigo que um bebé que mamava em regime livre, mas que estavam de rastos, eram zombies, a criança tinha um ano e ainda despertava em média cinco ou seis vezes por noite. Credo! Quando a Carminho nasceu acordava duas vezes por noite e ao fim de três semanas já só acordava uma vez pelas 6h da manhã! Mas again, quem opta pelo regime livre não é assunto meu, não tenho nada contra, apenas não queria para mim.

A criança já tem três anos e ainda não dorme noites inteiras, tem um vício de mama. Não é fome, é vício. E embora eu respeite a opção, é evidente que isto aconteceu porque sempre lhe foi dada a maminha de todas as vezes que quis, às horas que quis.

Este estudo de 2017 da Universidade do Minho é muito interessante. O estudo avaliou o comportamento de sono das crias às duas semanas de idade, aos três e seis meses de acordo com o tipo de aleitamento: amamentação exclusiva, aleitamento materno + artificial e aleitamento artificial exclusivo.

Os resultados mostraram que os bebés amamentados em exclusivo "têm um período de sono mais curto durante a noite aos três meses de idade, do que os bebés em aleitamento artificial exclusivo", "despertam mais vezes durante a noite aos seis meses de idade, do que os bebés em aleitamento artificial exclusivo e têm um período de sono mais curto durante a noite".

I rest my case, sou mesmo team biberão. A minha sanidade mental é importante.

Em suma, sobre amamentar ou não, eu sou pela liberdade de escolha e pela proibição da pressão dos profissionais de saúde ou familiares. Cada mulher deve decidir o que deseja, se quer ter liberdade, paz, tempo para si ou se prefere sujeitar-se às consequências do aleitamento materno. Para mim, qualquer opção é válida, até mesmo se a mulher não quiser dar de mamar só para não estragar as maminhas. Acho um argumento tão válido quanto outros.

Se um dia vier a ter outro bebé (o que é altamente improvável) duvido que opte pela amamentação, mas não digo "nunca". Não tive uma excelente experiência com a Carminho, mas entretanto fiz uma redução mamária com técnica para poder dar de mamar se um dia desejar. O importante é ter opções.





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© A Maçã de Eva

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