8.9.19

Escapadinha ao Craveiral



CRAVEIRAL
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Foi tão bom!

Dito assim parece que fui de férias numa pequena escapadinha, mas na verdade fui gozar o espaço num formato de trabalho. É no Craveiral que vou fotografar a próxima colecção da ROS Lisbon de 2020 (arriscam a cruzar-se comigo por lá nos próximos tempos) e fui virar o espaço do avesso, em busca dos melhores cantos para fotografar. Mas aproveitei também para estar em família.

O Craveiral tem os pés no Alentejo e fica a um tirito do mar. É possível optar por campo ou praia e viver ali entre o bom gosto campestre e a simplicidade minimalista, num espaço que antigamente era um campo de cravos.

O projecto é português, basta entrar numa das casas e reconhecemos o que nos rodeia como "nosso", cá da terra. Os apontamentos de cortiça, o mobiliário do bom, cheio de traça portuguesa, o design português, as obras de arte de Bruno Castro Santos (fiquei a conhecer) que eu trazia para casa, todo o projecto do Craveiral pretende-se próximo, de ligação da terra às pessoas.

Os produtos são biológicos, há noites de pizzas biológicas (óptimas!) preparadas por miúdos da Associação VilacomVida, que dão trabalho pessoas com Síndrome de Down e de Asperger.

Existe em todo o espaço um sistema de bike sharing para deslocação dos hóspedes. As bicicletas não são de ninguém, são de quem as apanhar. Depois é chegar ao destino, encostar e alguém vai agarrar na bicicleta mais tarde.

Também existem preocupações ambientais e por isso as águas da chuva são recolhidas para rega.

Muito importante para algumas pessoas, o espaço é pet friendly, porque acreditam que "a família é mais feliz quando está toda junta". Portanto, podem levar os vossos bichos. Por lá andava a Charlie, uma cadela mansa, mansa, mansa, daquelas que presenciam um assalto e pergunta "querem levar mais alguma coisa que eu embrulho?" e o Pimenta, um gato preto, esguio, independente, com muita graça.

E eu gosto disto, de todo este espírito de não ser só um negócio, de ser um projecto do bem e construído com muita paixão.

O Craveiral tem nove hectares onde se encontram quatro núcleos num total de 38 casas. E são poucas casas propositadamente, o objectivo não é ter enchentes de pessoas, é poder ouvir-se o silêncio. As casas têm cozinhas, portanto, dá para cozinhar, existe supermercado a uns dez minutos de carro, é perfeito para quem tem filhos.

No Booking (aqui), o Craveiral está cotado com uma pontuação de 9,2 na categoria de "fantástico". E não é difícil perceber: a simpatia é daquelas que salta à vista e nos obriga a sorrir de volta, o pequeno-almoço é de babar: que maravilhosa selecção de queijos! E o bolo de amêndoa? E as panquecas com framboesas e mirtilos? E o pão alentejano? Nasci para comer.

As camas e os lençóis são de uma suavidade tal que quero ter daqueles lençóis em casa. A arquitectura das casas integra-se perfeitamente na paisagem do campo, a decoração é excelente, o campo que rodeia as casas pretende-se natural e meio selvagem (não há nada de palmeiras e flores que ao Alentejo não pertencem). As piscinas são grandes, não falta espaço, é tudo silencioso, calmo, com um pôr-do-sol laranja e um céu de tal forma estrelado à noite que se vê a via láctea.

Gostámos tanto que nem saímos para ir à praia. Recomendo! Sobretudo agora que o verão se instalou e está para durar, é perfeito para uma escapadinha com sabor a férias. Por lá encontrei uma leitora que demorou que tempos a acusar-se, mas eu topo-vos logo quando não tiram os olhos de cima de nós ou quando parecem envergonhadas por motivo nenhum, muahahah! 





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9.8.19

A culpa não é dos motoristas, é dos consumidores


Não são os grevistas que instalam o caos, é cada uma das pessoas que corre às bombas.

Não são os grevistas que fazem pressão social, é cada uma das pessoas que corre às bombas.

Tenho hoje 1/4 de depósito, um bocadinho menos. Ontem fiz a minha vida e todas as bombas por onde passei tinham filas enormes. Não me presto a isto!

Hoje vou ter de dar voltas e vou ficar com ainda menos gasolina. Se acabar, fico em casa, ando de transportes, ando de boleia, não trabalho, adio as coisas, mas alimentar o caos e a ganância, recuso-me.

Se cada um dos grunhos que corre às bombas fizesse a vida normal, abastecendo com a regularidade habitual, havia combustível para 15 dias. Assim, cedem exactamente a favor do objectivo dos grevistas (que apoiei, mas já não tenho saco). E isto não significa que não tenho responsabilidades, que não preciso de combustível, significa que é preciso ser inteligente e pensar maior.

No FB do blogue, um comentador dirigiu-se a mim como se eu fosse estúpida: "a Maçã diz que se ficar sem gasóleo fica em casa ou não trabalha lol, fala como se toda a gente fosse assim, sem responsabilidades, sem famílias para alimentar, acha que toda a gente tem uma vida tranquila (...) a criticar sem saber a situação pessoal e profissional de cada um".

É preciso pensar, usar a cabeça, ir mais além do que o agregado familiar lá de casa.

1. Não estamos perante uma calamidade mundial do tipo "o petróleo acabou" e a crise aí seria indiscutível e mundial.

2. Estamos perante motoristas NACIONAIS a ameaçar greve. A gasolina existe, só não há quem a transporte caso não se ceda às vontades dos meninos.

3. Vivemos em Portugal, um país da união europeia. Havendo combustíveis e só faltando quem os transporte, acreditam mesmo que chegaríamos a um estado de emergência declarada? Poupem-me. Nem que viessem motoristas de outros países. E ao que parece há militares a serem treinados para poderem substituir estes motoristas.

4. Mas assumindo que aconteceria, não é só lá em casa que não teriam como ir para o trabalho, é um país e toda a sua economia! Mais dia, menos dia (conforme a ganância pela gasolina se tivesse verificado), TODA A GENTE teria de ficar em casa! Até quem correu para as bombas. Em suma, a corrida às gasolineiras é um "tanto faz".

5. Assumindo um declarado estado de emergência nacional sem combustíveis, os carros estacionados na rua iriam ser assaltados. E os que estivessem em andamento, depressa vos apontariam uma arma para retirar o que têm. Na selva reina a violência.

6. Assumindo um declarado estado de emergência nacional, ao fim de umas semanas os militares tocariam à porta para confiscar os combustíveis que todos estiveram a meter em bidões. Seriam direccionados para transportes prioritários e de bens de primeira necessidade, não para o Zé Manel que tem responsabilidades lá em casa e tem de ir para o escritório [o pensamento pequenino é de revirar os olhos].

7. Para quem trabalha, com a economia parada, em declarado estado de emergência nacional, se o Zé Manel não fosse trabalhar porque não há combustíveis na generalidade, outras pessoas conseguiriam ir? O quê, levam falta? Arriscam-se a ser despedidos? Quando um deixasse de ir, em poucos dias era quase o país inteiro.

8. Para quem conseguisse chegar ao escritório por outros meios, acham que o trabalho iria realizar-se? Num país em estado de emergência e serviços mínimos, acreditam que atenderiam telefones do outro lado? Que os fornecedores e entregas continuariam? Que as empresas seguiriam sem percalços? Não, elas paravam também.

Não são precisos muitos dias sem combustíveis para um cenário destes acontecer num país, o que inclui Portugal.

Se o Zé Manel parar de trabalhar por falta de gasolina, vamos parar todos. É uma questão de dias.

E no meu caso, que não mexo uma palha para colocar gasolina no meu carro quase vazio, se todos pararem não me adianta continuar, pois eu não faço acontecer sozinha, por isso não me entrego ao drama. No fundo, é usar a cabeça. Ou em estado declarado de emergência nacional acho vou continuar a vender sapatos e bikinis?

Esta corrida e este alarmismo é mentalidade de povo. Num verdadeiro estado de emergência nacional a gasolina a que se agarram com ganância ser-vos-ia retirada.

E agora aguardemos, a ver se vai haver um dia sequer de emergência nacional... é que nem um! Se não forem os motoristas portugueses, serão outros. O problema não está na falta combustíveis, está na falta de transportes.

Não se entreguem a essa palhaçada que vos cega numa corrida às bombas, a perder tempo, a gastar gasolina numa espera enorme de chegar a vossa vez [non sense] e se põem a discutir com os outros.

Se efectivamente faltar gasolina por falta de transporte é para todos. Se um for ao fundo, agarrem-se porque numa questão de dias vamos todos.

Ya, odeio povo. Isto aqui filmado é uma vergonha.




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© A Maçã de Eva

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