12.10.18

Um dia mato este gajo #91


O homem está de férias e eu não, o que torna a vida familiar irritante. Não me interpretem mal, não é um caso de invejite, eu não tenho tempo nem para ter inveja. Mas vejo-o numa serenidade flutuante, pouco reactivo às questões do dia-a-dia que continuam a acontecer num registo que não é de férias.

Pedi que fosse ao meu carro montar o isofix para sair com a criança.
Respondeu aquele clássico "já vou...".

Ao ver que nada acontecia, lembrei novamente.
Todo ele serenidade...

Eu a ver o tempo a passar e a sentir aquele crescendo de calores no corpinho.
Todo ele serenidade...

A paciência a esgotar-se e eu a ver que acabaria por ter de tratar do assunto.
Todo ele serenidade...

- Vou sair daqui a 5 MINUTOS!
- OK, OK... eu vou! Onde estão as chaves do carro?
- Na minha mala.
- Mas onde?
- No corredor.
- Eu sei! Mas a mala está cheia de coisas, podes ajudar-me?!!

"A mala está cheia de coisas". Um homem com medo de lá enfiar a mão e acabar com um membro decepado numa daquelas armadilhas dentadas com que caçam animais indomáveis.

Foi então que vesti o meu fato de super-herói e saltei para dentro da mala.

Evitei os lobos de guarda furiosos saltando de árvore em árvore.
Sobrevivi às piranhas lançando um tronco que me permitiu atravessar o lago de morte certa.
Passei pelas trevas de olhos fechados para que os fantasmas não me sugassem a alma.
Consegui atravessar a floresta de espinhos com algumas mazelas, mas sobrevivi.
Atravessei a centenária ponte de lianas perante o olhar de crocodilos esfomeados.
Cheguei ao nível dos cães raivosos com a chave do carro no meu horizonte.
Corri o mais que pude, quase sentia os cães tinhosos a morderem os meus calcanhares.
Saltei, trepei e muro e ei-la! A chave do carro na minha mão: triunfei!

Só que não. Abri a mala e dei-lhe as chaves em 0,2 segundos.





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2.10.18

Just saying #14



Foi mais ou menos isto. 
Foi um longo processo até conseguir ter capacidade para delegar mais.
A partir deste mês uma das minhas irmãs integra a ROS.
Welcome, girl!

A seguir ao fim deste ano, mais tempo para mim! 
Or so I hope!






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30.9.18

ROS com 30% + 25% de desconto



É daquelas coisas que acontece uma vez na vida, nunca fiz um desconto destes. Em muitos casos nem terei lucro.

Ponderei bastante no último mês e esta medida serve dois propósitos: uma mega-promoção cria-me espaço, poupa-me transporte e ao mesmo tempo permite compras a pessoas que têm pena de não ter poder comprar artigos da marca. Eis uma oportunidade!


Vou abandonar um dos escritórios.
Abrir um outro escritório, novo, mais moderno.
Fazer crescer - ainda mais - a equipa (não enviem CV).
Ter mais espaço para todos.
Mudar de armazém.
Mudar de logo ROS.
Unir as marcas ROS Lisbon e ROS Beachwear numa só.
Unir as redes sociais das marcas numa só.
Mudar a imagem da ROS (a loja já mostra muito da nova imagem).
Arrancar com uma nova loja online muito em breve.

Crescer tem disto. É tanta coisa para concluir que só me apetece fazer um reset e arrancar com a nova imagem apenas com as novas colecções e modelos residentes e deixar as antigas para trás (até porque têm o logo que vai passar a ser "o logo antigo").

É aproveitar a oportunidade! 

Os artigos já tinham 30% de desconto da época. Durante os dias 1, 2 e 3 de Outubro poderão aproveitar 25% de desconto acumulável inserindo o código 

 EXTRA25 

Este código vai ser lançado amanhã via subscritores da newsletter ROS, mas para as leitoras do blogue já funciona.

Atenção, o código de desconto é válido para compras online, não é válido na loja. Mas permite encomendar com levantamento na loja. Na ROS Lisbon o código é válido em todos os modelos que já estão em promoção, excepto outlet. Na ROS Beachwear o código de desconto extra é válido em todos os artigos em promoção e ainda os de outlet.

Partilhai com a família e as amigas, limpem-me o armazém, aproveitem a oportunidade e ainda me poupam trabalho nesta fase de mudança.

Só queria ir fazer mais uma viagem e quando voltasse estava tudo pronto! Era tão bom.


ROS Lisbon, aqui

ROS Beachwear, aqui







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28.9.18

I love home style #31



Se eu conseguisse ter o escritório assim bonitinho e arrumado!
(Pausa para rirmos durante cinco minutos).

Locais de trabalho arrumados são de estranhar.
Não há trabalho?
Me'home não compreende isto.





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27.9.18

Airbnb: mais um spot seguro em Lisboa



E é assim, a minha irmã do meio está a comprar todos os cantinhos de Lisboa tipo casas de bonecas, aquelas casinhas que não dá para uma pessoa viver, mas são perfeitos espaços onde ficar por uns dias de viagem. Sempre a trabalhar para a reforma nas Caraíbas!

Esta é a nova casa que arrancou há umas semanas, em Alfama. A casa foi renovada, é mesmo recente no Airbnb e por isso tem tanta disponibilidade, mas a agenda não deve durar muito pela localização: fica no coração de Alfama, a passos do Museu do Fado, que até se vê da janela.

A primeira casa da minha irmã, a da Mouraria, está neste link.

Perguntam-me sempre por espaços onde ficar, eis mais uma boa recomendação, certos de que não correm o risco de um dos rins ser removido durante a noite e terem de o ir procurar no mercado negro. Quem faz a gestão destas casas é a minha prima Maria João, pelo que também estão bem entregues no rigor e seriedade.

A quem interessar um desconto AirBnb, marquem através deste link que está ligado ao meu perfil. Desta forma vão numa espécie de recomendação da minha parte e pagam menos 35€ na primeira noite.

Já tenho feito outras sugestões de Airbnb, tudo experiências pessoais ou pessoas da minha confiança. Para conhecerem as minhas incursões pelo mundo (mais pela Europa) nestes espaços, basta clicar neste link.

Boas viagens!



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Just saying #13







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A camisa que encheu a minha caixa de mensagens



Camisa H&M, daqui
Ténis ROS Lisbon, daqui
Calças ZARA, antigas

Eu sei que a camisa é gira, mas não esperava tal avalanche de mensagens!

Publiquei esta foto no Instagram e logo percebi que tinha de adicionar ao stories informação sobre a proveniência da roupa. Na altura informei que a camisa tinha custado 20€, mas na verdade custou 10€. Um very nice price para uma camisa tão gira e com um óptimo toque de algodão. Recomendo!

Mas, atenção, a camisa é realmente oversized. Comprei um tamanho 34 e costumo vestir o 38  na maior parte das marcas. Para quem não é alta, recomendo mesmo que compre o tamanho 32. Na altura experimentei e teria ficado com o tamanho 32, não fosse pela minha altura que para mim já sentia curta. Por isso, para quem tem 1,65m ou menos e veste até ao 38, eu recomendo o 32 nesta camisa. Há marcas assim, não se compreendem os tamanhos.

Nunca vi esta camisa nas lojas H&M, se gostam mesmo a única opção é comprar online. Também existe esta outra versão de padrão, mas fiquei-me pela azul.

Boas compras!







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26.9.18

Animal print


Amén, sisters! Para mim nunca passou de moda, mas quando comecei a entrar nas lojas em julho percebi que aí vinha uma avalanche de animal print, leopardos, cheetahs, cobras, you name it, vibrei!

Para quem não gosta da tendência, este ano deve andar de caninos de fora de cada vez que entra numa loja. Mas eu adoro, tem a minha cara, para mim são padrões eternos. No entanto, calma com o andor e tudo o que vai entrar nos armários. Nestes padrões a linha que separa o bom gosto do brega é pequena. É preciso ter olho, atitude, saber usar e combinar.

Vejo as modas, consulto os meios de comunicação mais despachados a comunicar as últimas tendências, mas não sou o tipo de pessoa capaz de ver horas intermináveis de desfiles em directo nas fashion weeks. Entreguem-me um condensado que eu fico feliz. Com isso sei que se perde alguma informação pelo caminho (o tempo não dá para tudo) e não fazia ideia que o animal print estava para chegar como tendência. Quando percebi já estava nas lojas.

Eu sou de seguir o que me apetece usar, mais do que seguir o que as casas de costuram ditam (que me é indiferente como regra, apenas pode ou não coincidir com o meu gosto). Por isso fiquei incrivelmente surpreendida por este ano calhar estar completamente alinhada com as tendências na ROS: não faltarão sapatos com animal print e na próxima colecção, os fatos de banho e bikinis. Miau!











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25.9.18

Fui!



Vou estar pelo Instagram a mostrar a minha viagem.
Para me seguirem, basta clicar no link abaixo.
Até já!





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24.9.18

Os meus candeeiros de ligação touch



Clicar no quadrado dentro do vídeo para ver com bom tamanho.


Foi já há uns meses que publiquei este stories e recebi uma avalanche de mensagens: "de onde são os candeeiros?".

Eu sei, eu compreendo a pergunta imediata, a vontade de ter um candeeiro em que basta tocar na base para ligar, é grande. Padeci do mesmo quando fomos a casa de uns amigos acabados de ter bebé e no quarto a nossa amiga ligou o candeeiro assim, num ápice. Também queríamos! E como copiões, na altura rumámos ao AKI e comprámos para nós.

Problema desta publicação no stories: há dias almocei com o tal bebé acabado de nascer que nos fez conhecer estes candeeiros e ela tem agora 8 anos.

Mas eu sou uma jóia de moça, a minha vontade de ajudar os xuxus foi grande e descobri um código na base do candeeiro, procurei no google e espantem-se, eles existem!


O candeeiro é da marca Eglo, refª da marca 87598, modelo Pueblo.
Podem encontrar aqui ou aqui

Profundidade: 260 mm
Largura: 210 mm
Altura: 480 mm
Largura da Base: 200 mm
Profundidade da Base: 100 mm
Peso: 1.38 kg
Casquilho: E14
Potência máxima: 60W

A mesa de cabeceira é da Oficina Rústica, aqui.
Mandei fazer por desenho meu depois de andar à procura de mesas de cabeceira giras durante dois anos sem encontrar! Farei novo post sobre elas.
O papel de parede também é da Oficina Rústica.

A maçã é da This & That.
As flores e a base de vidro são do Ikea.
A caixa-abacaxi é da Casa.

O candeeiro tem 3 intensidades de luz, é só ir dando ao dedo. Valeu cada cêntimo, tem anos e se por acaso se estragasse, acho que comprava igual. Isto de ter de apenas tocar com o dedo para ligar e começar com uma luz baixa, é de uma ajuda maravilhosa, sobretudo para quem tem de se levantar a meio da noite.

O abat-jour que vem com o candeeiro não é o da foto. Na verdade o abat-jour original é sofrível, tem uma ar barato, muito manhoso. Mandámos fazer os abat-jours com as medidas dos originais num linho chique, de boa qualidade, off white, na Oficina de Abat-Jours, aqui. Ficou tal como queríamos!




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21.9.18

A Carmencita bebe batidos



Há dias vi um programa sobre escolhas alimentares e impressionou-me: há pessoas que rejeitam completamente legumes e frutas. Simplesmente nem fazem parte da sua lista de supermercado.

Na minha família, isto é impensável. Há legumes todos os dias e em todas as refeições, consumimos imensa sopa e efectivamente sinto falta de mais legumes quando estou fora do país. E não faço esta opção alimentar por ser boa para a saúde, mas porque é realmente o que eu gosto de comer.

Verdade seja dita: no meu caso, fruta é que não tanto. Sou muito mais adepta de legumes do que de fruta (o que não considero grave) mas não quero que a Carmencita seja assim. Teria muito gosto que em adulta retirasse prazer de uma alimentação cheia de “plantas”, do que cresce nas árvores e na terra. Por isso, todos os dias procuro educar-lhe o paladar nesse sentido. Para além de comer sopa ao almoço e jantar, de ter legumes no prato e de comer fruta como sobremesa, de vez em quando incluo alguma fruta extra fazendo uns batidos que têm reacção visível: adora!

Os batidos da Carmencita são simples, bebe sempre de manhã ao pequeno-almoço ou ao lanche e são ainda uma forma de aumentar o consumo de água no dia-a-dia:

210 ml de água
7 medidas de NAN Optipro 4 da Nestlé
Fruta a gosto
Tudo na varinha mágica ou liquidificador

Costumo optar por banana, maçã ou pêra mas, dependendo de quanto tempo falta para a refeição seguinte, por vezes faço tutti-frutti. Não junto manga porque tem fios e pode entupir a tetina do biberão e evito frutas como morangos e kiwi por causa das pepitas (pelo mesmo motivo). A ideia é keep it simple, optando por frutas portuguesas mais tradicionais.

Para quem não sabe como incluir mais fruta no dia-a-dia das crianças ou para quem quer aumentar a sua ingestão de água proporcionando-lhes um teor protéico adequado, os batidos de fruta com NAN Optipro 4 são uma excelente opção. Fica a ideia!

#NANOptipro4  #Nestlé  #NestléBebéPT





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18.9.18

Documentário: Bully



Bully, trailer aqui

Cruzei-me com este documentário no Netflix por acaso e decidi ver. Eu e o PAM ficámos num estado de tristeza e apreensão que só nos fazia suspirar. Todas as pessoas deviam ver este documentário, especialmente quem tem filhos. 

Pergunto-me se isto sempre foi assim, se não era assim e passou a ser, se sempre houve disto mas tornou-se muito mais comum e ganhou força ao receber um nome com um estrangeirismo. 

Imaginem a dor de um miúdo de 11 anos para quem ir à escola é um terror tal, que prefere matar-se. 

Qual é o miúdo de 11 anos que pensa em suicídio? O que é preciso fazer-lhe para sentir que essa é a solução e o alívio? Este documentário é absolutamente arrasador, coloca muitas questões, coloca o dedo na ferida, deixa-nos alerta e faz-nos querer estar mais por dentro do que se passa na escola.

Eu tive a minha dose de bullying, não na escola, mas onde vivia. Queria ser amiga de toda aquela gente e andar com os meninos populares. Eu via-os da janela, pareciam divertir-se tanto! Mas não estava autorizada a socializar com aquela gente (a minha mãe sabia o que fazia). Podia dar-me com as minhas vizinhas do prédio, tenho óptimas memórias desse tempo e por extensão delas, nas férias do verão comecei a conhecer algumas pessoas desse grupo num campo liso onde se jogava futebol e eu podia patinar quando não havia jogos. 

Não era o meu meio social. Nunca foi e eles sabiam. Sem que ainda hoje eu saiba explicar como aconteceu, como foi a cadeia de eventos, passei de uma pessoa que só queria fazer amigos e divertir-me com pessoas da minha idade (13 ou 14 anos) para ser motivo de gozação. Se estivessem em grupo e me vissem passar na rua, cantavam em uníssono chamando de "purgante". Para eles eu era o remédio para cagar. Se me vissem passar na varanda, ecoava o "purgante" pela rua outra vez. Cheguei a sair, a sentir a proximidade de algumas pessoas deste grupo nas minhas costas para me escarrarem na roupa. Tinha de voltar a casa, limpar e desejar que não me vissem outra vez para não me cuspirem.

Não era só eu. Ao irmão mais novo de um deles, com problemas cognitivos, cantavam "deficiente". O próprio irmão cantava isto e ria. Uma vida inteira colocado de parte, com problemas cognitivos e dificuldade na fala.

Isto foi há muito tempo, eu não fiquei traumatizada, mas magoou-me e nunca esqueci. E durante muito tempo morri de pena do rapaz que nunca mais vi. Nunca percebi como era possível os adultos permitirem que fizessem isto ao rapaz e hoje percebo que eram tão burros quanto os filhos. Não percebiam a extensão do problema, achavam que se tratava de um episódio sem importância ou não sabiam de todo. No documentário há um rapaz que nos faz doer a alma de tão maltratado que é pelos colegas. Tão maltratado que procura enganar-se a si próprio e tenta convencer-se que muito do mal que lhe fazem afinal é a brincar. 

Toda a vida odiei de morte os bullies. Quando vi este documentário, sendo mãe, eu não sei se não lhes ia à tromba. Eu acho que não me segurava. Por outro lado, bem sei, não podemos promover como castigo exactamente aquilo que condenamos. Então como se resolve? Não sei.

Toda a gente devia ver este documentário. E devia passar nas escolas, logo no primeiro dia de aulas. E todos os bullies reincidentes deviam ser expulsos das escolas. Ser o homem da câmara e filmar este documentário sem meter o dedo nas situações, deve ter sido das coisas mais difíceis que o gajo da câmara fez.

Neste documentário só faltou explorar um lado que nunca vi explorado como deve ser: os pais dos bullies. Sofrem com isto ou vem o argumento "o meu filho nunca faria uma coisa dessas"?

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6.9.18

Séries: Ozark




Trailer aqui

Ozark. A série é tão boa que que temo não escrever sobre ela com justiça.

Ingredientes: uma família normal dos EUA, em Chicago, dois filhos, uma rapariga mais velha com os dramas habituais da adolescência, um filho mais novo com inteligência em destaque mas socialmente afastado, um casamento por um fio e de repente, o pai anuncia que vão viver para outras bandas, para uma terra que nada tem a ver com a cosmopolita Chicago. O anúncio era como ir viver para a parvónia., já podem imaginar a reacção pouco positiva.

A mudança era na verdade uma forma de garantir a sua sobrevivência e acabar o trabalho de lavagem de dinheiro para um cartel de droga. Parecem tão normais, mas afinal a ambição do pai colocou-os nas teias do crime, tudo corre mal (ou quase tudo), vão para uma terriola cheia de gente estranha, às tantas uma pessoas pergunta-se: "o que mais pode acontecer a este gajo?". E mais não conto para não estragar!

A série Ozark está a consumir os americanos, tem uma excelente pontuação, estreou o ano passado no Netflix, mas só vi este ano, por insistência do PAM quando acabámos mais uma série. Ele tinha lido qualquer coisa que prometia, vi o trailer e não me inspirou, mas também não tinha mais nada para ver e acabei por ceder. Ainda bem que o fiz!

Os primeiros episódios não são do outro mundo, são mais introdutórios para compreender o contexto, mas a partir do quarto episódio a série entra num ritmo "quero ver maaaais!". E se a primeira temporada dá vontade de continuar, a segunda temporada começa com o pé no acelerador e deixa-nos aos pulos no sofá.

Agora estamos aqui, abandonados, de lágrimas nos olhos, mendigando por mais episódios que só devem sair à rua daqui a um ano. Um ano, senhores!





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4.9.18

Salvar o mundo com marmitas na rua

  


Eu quero muita coisa. E na minha lista interminável de coisas que quero, está perder 4Kg (ainda não estou realmente focada para o fazer) e reduzir o consumo de plástico ligado à alimentação diária. Já todos vimos ao longo do verão vídeos de praias completamente dominadas por lixo plástico (exemplo aqui), uma visão aterradora para mim que sou uma freak de reciclagem. Ao ver estes vídeos perguntei-me: apesar de ser cuidadosa, será que algum lixo que eu reciclo vai parar ao mar?

Vi também há tempos uma reportagem sobre a quantidade de paus de cotonetes que se vêem na praia porque as estações de tratamento de resíduos não as conseguem reter. Mas quem é que em consciência atira cotonetes pelo cano?

Acredito que quase todo o plástico que não é reutilizável deveria ser proibido. Devagar se vai ao longe: aboli caixas plásticas de conservação/refeição que não sejam reutilizáveis, reviro os olhos de cada vez que vejo uma palhinha (já acabei com elas há que tempos e até o Starbucks vai fazê-lo). Não quero ver copos, pratos, nem talheres de plástico. Com isto, tenho comido menos vezes na rua comprando fora, controlo o que como porque levo de casa (maior probabilidade de conseguir perder o peso que quero), poupo dinheiro e ainda ajudo o planeta.

#nãoépublicidade , já tinha escrito aqui nesta receita sobre as caixas de conservação da Tefal que descobri depois de me terem enviado um press kit (chamam-se Masterseal) e algumas leitoras colocaram questões: plástico ou vidro?

Oh, se eu tivesse conhecido há mais tempo! Quantas sopas verteram nas minhas lancheiras noutro tempo da minha vida… Nunca tive caixas de conservação tão boas, transporto-as na minha mala de cada vez que faço uma refeição fora de casa sem que uma única vez me tivessem dado um desgosto de fugas. Zero! Não absorvem cheiros e nem tingem.

Claro, podia ter optado pelas caixas da marca iguais mas em vidro (que também tenho e recomendo), mas confesso que para mim não é prático para fazer vida de rua, são mais pesadas e corro o risco de se partirem (e ficar sem refeição). Sinto que estou a ser amiga do planeta ao optar por reutilizar vezes sem conta as mesmas caixas de conservação.

Ainda sou do tempo em que ninguém transportava comida de casa para o trabalho, em que as pessoas quase se sentiam constrangidas a fazê-lo. Hoje em dia é mais do que comum, já ninguém liga e na verdade as pessoas juntam-se nas copas para fazerem as suas refeições. Lembro-me de ter tido alguns “desastres” nas lancheiras, de ficar chateada, mas nunca me lembrei que poderia ter evitado estes dramas se tivesse optado por adquirir caixas boas. Até porque também nunca pensei que existissem caixas verdadeiramente à prova de fugas. Vão por mim, vale a pena a aquisição.



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9.8.18

Publicidade em blogues: o horror - parte III


Publicidade em blogues: o horror - parte I, aqui
Publicidade em blogues: o horror - parte II, aqui


Estou dos dois lados da barricada: como blogue e como marca. E ainda como marca que tem relação saudável com outras marcas. E eu não sei tudo, mas sei muita coisa. E sei muito bem quem gera negócio e quem é fogo de vista.

Eu por exemplo, faço ofertas com as minhas marcas, não pago para aparecerem nas redes sociais, por um simples motivo: não trazem retorno. Através das minhas lojas online e em algumas campanhas, através de um código é-me possível saber quantas vendas geram cada uma destas autoras. E a verdade é que pelo menos para o meu tipo de artigo, pode valer a pena a oferta, mas não vale a pena o investimento financeiro ao valor que cobram os posts. Alguns exemplos estatísticos, rigorosos, retirados do meu sistema:

a) Em 2016 uma das autoras mais conhecidas do país gerou 18 vendas. Fazendo contas aos impostos, ao lucro, vezes o nº de peças, não compensaria nunca o valor de post que cobra. Mas a oferta de produto deixa-me contente e a quem recebe também, por isso, perfeito!

b) Uma autora que adoro de coração, tanto a pessoa como a página, quatro vezes mais seguidores do que eu, gerou uma venda. Uma venda. Neste caso não deu para pagar nem a oferta, mas gosto dela de coração, não olho a isso e continuo a oferecer. No entanto, sei ver que não vale o pagamento de um post segundo a sua tabela.

c) Uma actriz de novelas com milhares e milhares de seguidores, fez um post com umas sandálias. Uma foto horrível, atiradas ao chão, parecia que as sandálias tinham andado no caixote de lixo. Fiquei em choque com a falta de cuidado na apresentação, a falta de brio em querer fazer giro e em bom e, claro, podem imaginar que dali não veio nada. Zero vendas. E este é outro dos problemas que tenho tido, em alguns casos trabalha-se tão mal que me levou a desistir de ofertas. Não tenho paciência para ensinar bom senso, nem estas pessoas estão dispostas a ouvir/aprender.

Na verdade, uma vez fiz uma oferta a uma influencer com muito mais seguidores do que eu e pouco tempo depois vi-a vender no blogue as sandálias que lhe tinha oferecido. Ou outra influencer que aceitou a escolher um presente, publicou uma foto do bikini escolhido, mas sem qualquer referência à marca. Regra geral, sinto que se trabalha mal (e contra mim falo que estou atrasada em agradecimentos de ofertas).

Acho bem que as pessoas sejam pagas pelo seu trabalho, o problema aqui é que a larga maioria das influencers (não vou dizer o todo, mas quase) agem como sendo a última coca-cola do deserto, sendo que alguns preços são absolutamente injustificáveis para o retorno que geram. Poderia pensar que se calhar a questão está no meu produto, mas a qualidade, o crescimento das marcas, o facto de ter feito crescer a marca praticamente à margem das influencers, o facto de eu própria fazer muito pouca divulgação às minhas coisas hoje em dia, o facto de ter crescido bem ao ponto de já ter uma loja no centro da capital, faz-me deduzir que a questão não estará no produto.

Esta semana fiz uma série de convites para ofertas de fatos de banho e bikinis. Umas pessoas respondem que sim com gosto, há quem responda com alegria, "claro que sim, a apoiar a ROS desde o início!", porque gostam mesmo e valorizam receber uma oferta com um valor de mercado de cerca de 100€. Mas há quem não dê resposta ainda que me conheça, há quem recolha a oferta e goste tanto que compre outro e há quem responda "não trabalho a troco de oferta de produto nem faço testes de potencial" (autora com cerca de 115 mil seguidores). E eu percebo, juro que percebo, mas lamento imenso que daquele lado não considerem a possibilidade de não darem retorno.

Verdade seja dita, apenas uma, e apenas uma página com visibilidade valeu a pena pagar para mostrar a minha marca. E sabendo eu a verdade, por mim e através de outras marcas com os seus produtos, por que motivo haveria de queimar os lucros em investimentos que não oferecem retorno?

MAS - e notem neste "mas" - se alguma influencer acreditar que vende muito e em vez de um pagamento único quiser optar por uma percentagem do que vender, é já! Com isso, se de facto for uma influencer geradora de vendas em volume, pode ganhar muito mais do que o valor que cobra por um post.

Esta calculadora de Instagram está acessível a todos, basta colocar o nome da página de Instagram e poderemos ver um intervalo médio de valores por post nesta rede social e o engamentent rate. Notem que esta calculadora funciona com um algoritmo que tem por base as últimas 12 publicações e Agosto, pela afluência menor de seguidores, não será o melhor mês para medir com rigor. Mas vai-se a ver e o meu preço médio por foto anda agora por volta dos 65€, um preço que não me deixa rica e também não leva nenhuma marca à ruína (mas levou uma agência a responder "nunca mais falamos contigo!").

Pegando noutro blogue português conhecido, a média por foto ronda os 500€ e a Kim Kardashian está à vontadinha para cobrar entre 170 mil a 288 mil dólares por foto.

Mas é curioso ver que eu tenho um engagement rate maior que o da Kim Kardashian. Ou seja, a confiança que os seguidores depositam no que estou a dizer é maior. Mas perco na dimensão de escala, claro.

O que nos leva a outro tema da área em que muitas autoras são novas, não têm experiência de trabalho (embora tenham muita visibilidade), algumas são simplesmente mal-educadas e têm comportamentos inaceitáveis. Falo com muitas marcas e digamos que Portugal é um país pequeno onde se fala. Sei de bloggers que destratam pessoas que trabalham para as marcas (juro, fico maluca). Bloggers que vão a lojas querem fazer uma compra, não querem pagar e iniciam a conversa do "sabe quem eu sou?"Bloggers que num evento fazem uma cena constrangedora porque não têm cadeira, deixando as pessoas que estão a tentar resolver a situação a falar sozinhas, literalmente virando-lhes as costas e abandonando o espaço. Bloggers que chegam a uma banca num mercado, perguntam pela peça que escolheram e que a marca ainda não tem disponível, "eu vou de férias para a semana que vem, não esperam que vista o modelo do ano passado!". E eu juro, juro, já vi algumas pessoas desconcertadas, sem saber o que fazer, aflitas, porque trabalham para uma agência, representam marcas e têm de tratar todas estas pequenas nas palminhas. Eu já fui ter com algumas pessoas que estão a trabalhar e a levar com isto para dizer-lhes que lamento

Embora o Instagram esteja em alta, acredito que esteja ao mesmo tempo a começar a gerar desconfiados. São vidas perfeitas, viagens perfeitas, fotos perfeitas, rabos perfeitos, vidas fantásticas - que todos gostamos de ver e sonhar, sem dúvida! - mas onde é que isto nos vai levar? Qual é a próxima rede social, sendo que passámos de textos criativos a muito rabo com pouco texto? E estas pequenas que vivem da imagem, bonitas, jovens, corpos esculturais (meio caminho andado para conseguir milhares de seguidores), o que vão fazer quando se lhes gastar a beleza e chegarem outras mais bonitas? Viverão como influencers a mostrar o unboxing day até quando?

Há dias falava com um amigo mais velho que eu, trabalha em eventos, por força do trabalho dá-se com as camadas mais jovens convidadas a aparecer em festas, onde fazem stories "isto está o máximo, apareçam, alta festa!", para depois desligarem o telefone e dizerem "isto está uma seca, tenho de ficar até que horas?". Ou a magra gira e fotogénica que está fechada no escritório, deprimida, a fazer render as fotos das férias que acabaram há que tempos num registo "a vida é boa", mas na verdade, a vida está uma merda.

À parte das realidades inventadas, há ainda o mercado das it girls, as tais dos rabos (fantásticos) à mostra, onde tantas marcas investem, quando a percentagem de seguidores masculinos em busca de material masturbatório é enorme. São seguidas maioritariamente por homens e pitas que querem ser estas it girls, não porque lhes deram um voto de confiança na personalidade, mas só por serem giras, tesudas e, portanto, a capacidade de gerar negócio não garanto que seja má, mas deixa-me dúvidas. Ou as it girls nascidas no meio digital, com páginas espectaculares, mas seguidas pelas miúdas da sua geração, ainda dependentes dos pais e sem poder de compra.

Este não é um texto destrutivo ao trabalho das bloggers/influencers. De todo. Acredito mesmo que cada um deve ser pago pelo seu trabalho de alguma forma. Tenho a certeza que algumas autoras que eu sigo fazem um trabalho espectacular. Muitas têm uma enorme visibilidade, mas uma grande parte não compensa o investimento que cobram. A verdade é que Portugal é um mercado modesto, o poder de compra não é espectacular e por mais que achássemos interessante, nenhuma influencer portuguesa está para chegar sequer perto das influencers espanholas, com um registo completamente diferente e procuradas pelas casas de alta costura internacionais. Mas por outro lado, quando aí se chega, as redes sociais seguidas na maioria por comuns mortais, passam a dar ao dedo no telemóvel para sonhar alto, para um escape de uns minutos, não por serem potenciais compradores de modelitos que custam um ano de poupanças, quando antes era uma peça da Zara que quase todas podíamos comprar.

Em suma, os influenciadores devem ser pagos pelo seu trabalho? "Nim". Em muitos casos estas páginas envolvem muito mais que 8H de trabalho diárias, envolvem prestadores de serviços e até staff, devem sempre receber alguma forma de retorno, financeira ou na forma de produto (se no produto tiverem interesse). Mas a verdade é que à larga maioria falta-lhes ganhar consciência de que no mercado português e sobretudo para as PME, não valem o investimento que pedem.




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Publicidade em blogues: o horror - parte II


Publicidade em blogues: o horror - parte I, aqui


Depois de ter escrito o primeiro texto, chegou o momento da segunda parte, depois de esta semana uma agência de comunicação (em representação de uma marca que não terá conhecimento do que fizeram), me terem "retirado o convite" e avisado que nunca mais voltariam a contactar-me, após ter explicado por que tinha enviado um preço para as publicações que me contactaram a pedir. Recebi um mimo do tipo: "ai é? Ficas de castigo para  todo o sempre!".

Foi a primeira vez que uma coisa destas me aconteceu:



Honestamente, não faço ideia se esta resposta foi iniciativa de uma pequena imberbe num momento sem noção ou se foi de facto uma resposta mandada por um chefe ou até pelos donos da agência que me contactou (cujo nome vou omitir). O que tenho a certeza é que a marca envolvida não tem conhecimento de que me enviaram uma resposta destas.

Na dúvida, se foi a junior manager ou um chefe, dúvidas não existem para concluir que os colaboradores podem ser o melhor e o pior de um negócio. Debato-me com isto todos os dias, nas cenas mais básicas como ensinar que quando se atende uma cliente, não se passa a bola para a colega dizendo: "atende aqui a cliente, vou fumar um cigarro à rua". O sentido de noção que para mim é básico, infelizmente não é um dado adquirido para muita gente e tem de se ensinar. E o pior: a falta dessa noção básica, no limite, pode levar danos a um negócio.

No caso do email, não fico chateada por me terem tirado da lista das campanhas. Juro que me é indiferente, felizmente não me falta trabalho para fazer com gosto. Mas tendo eu negócios e colocando-me no lugar da marca (que vou omitir), enlouquecia ao saber que davam uma resposta destas. Esqueceram-se de um pormenor básico: ter influência é ter influência para o bom e para o mau. Calha eu não ser maluca, ter bons princípios e não ter vontade de assassinar negócios, mas imagine-se que eu era uma pita, que ficava enraivecida, não olhava com rigor, dava a marca pelo comportamento da agência e expunha nas redes sociais "olhem o que a marca X me escreveu!".

Bem podiam começar a gerir um momento de comunicação de crise. Já imagino a marca a pedir desculpa publicamente, dizendo que não se revê nas palavras da agência. E ao negócio da agência com essa e outras marcas, o que acontecia? Esta resposta foi mesmo de amador.

Não só de amador como a resposta foi parva. Eu não disse que não trabalho a troco de produto, porque o faço (com regularidade, até). Não faço é três posts fixos cheios de regras por produto, datas, indicações do que pode e não pode entrar na imagem, tudo com um valor de venda ao público de cerca de 8€. No entanto, no ano passado recebi um press release da mesma marca através de uma outra agência (civilizada), respondi a perguntar se não quereriam enviar-me alguns artigos, enviaram, recebi, divulguei e foi de graça. Ou melhor, foi a troco de produto.

Convenhamos, se a ZARA me propusesse receber um vale de 100€ em troca de mostrar as peças (o que já faço habitualmente), eu perguntava onde assinava. Se me exigissem 3 posts com regras e exigências a troco de um vale de 8€, eu não teria interesse. Para isso compro eu e não tenho obrigações.

A resposta continua a ser completamente parva quando nenhum blogue, nenhum, nem sequer uma página de publicidade ao valor de três mil euros na Caras, dá garantia de retorno. É um investimento. Só poderão medir retorno quando existe um código ou algum meio de consultar visualizações digitais que se podem estimar em vendas. E por entre as exigências que me foram enviadas, uma delas dizia que tinha de colocar o link de cada um dos posts numa qualquer plataforma, pelo que certamente iriam retirar algum tipo de leitura estatística.

Perderam completamente a noção. Podia ter corrido muito mal se eu fosse má pessoa, mas calhou eu ser só uma pessoa que não gostaram de ler. O meu email era construtivo, simpático mas verdadeiro e tenho pena que tenham lido como um ralhete. Poderiam ter optado pelo silêncio, poderiam ter respondido "compreendemos, mas não temos possibilidade", agradecendo. Podiam ter respondido "talvez numa outra oportunidade", agradecendo e apagando-me para todo o sempre. Faltou-lhes estaleca, mas serviu de inspiração para dar continuidade a esta série de textos.

Os blogues morreram. Já nenhuma agência quer saber do número de visualizações.
O Facebook morreu (ainda vai resistindo nos utilizadores entre os 30 e os 50, mais ou menos).
O Instagram está em alta, mas na sua maior parte vende ilusões. Vai cair e dar lugar a outra rede, só não imagino quando e em que formato.

Nunca quis viver do blogue (nem de nenhuma rede social), sempre me pareceu uma estratégia pouco consistente. Nada contra quem tomou essa opção, simplesmente para mim nunca fez sentido. Deixei-me ficar no canto onde estava, outras autoras que na altura estavam em pé de igualdade com a minha página, expuseram-se, criaram a substituição das novelas com infinitos stories e directos (que nunca fiz ou tenho gosto em ver), apanharam um space shuttle de visibilidade e têm hoje em dia muito mais seguidores do que eu.

Para mim, a partir de determinada altura, o que me fazia sentido era criar negócio e não gerar negócio para os outros. Em 2014, com a visibilidade que o blogue me dava, decidi abandonar a carreira de Assessora de Imprensa, apostei todas as minhas fichas para criar uma marca de sapatos. Correu bem, mas a intuição dizia-me que depois da crise, não podia ter apenas um só negócio. Tinha de diversificar para diminuir o risco de ficar sem nada. Fiz um novo investimento e em 2016 criei uma marca de fatos de banho. Somei outro negócio em 2017, um cabeleireiro de luxo entre o Marquês de Pombal e o El Corte Inglés. Em 2018 o crescimento ditou: abri uma loja para os sapatos e os bikinis numa das principais avenidas de Lisboa, com uma montra gigante para o Saldanha . E no meio disto ainda adquiri metade de um outro negócio que nunca comentei.

Na verdade não sei bem como isto tudo aconteceu, foi acontecendo. Não há dúvida nenhuma que estes negócios tiveram como pontapé de arranque o blogue. Olho para trás, acho isto um fenómeno inacreditável da internet e sinto-me sortuda que me tenha acontecido a mim. Mas do inacreditável volume de trabalho em que isto me fez mergulhar (o último ano tem sido particularmente pretty shitty) nasceu uma auto-traição: o tempo disponível rareou e o blogue, aquele que começou por me dar isto tudo, foi perdendo. Eu mergulhava nos meus negócios, Portugal começava a falar de influencers, as marcas começaram a desviar investimentos nos meios de papel para apostar nas redes sociais e isto começava a gerar verdadeiro dinheiro às autoras das páginas mais seguidas.

Hoje os blogues morreram, são neste momento meros acessórios das redes sociais porque estes formatos não convidam à leitura de conteúdo maior, vivem de imagens e muito pouco texto. Mas as pessoas gostam de ver fotos, sobretudo se forem boas fotos. Quem não gosta de folhear uma revista cor-de-rosa? Houve quem tivesse talento para fotografar ou visão para fazer um investimento e subisse em flecha.

As visitas aos blogues diminuíram, o Facebook passou a ser old school, as revistas foram diminuindo as impressões e algumas perceberam o rumo da coisa e aumentaram as suas versões digitais. Mas outras impressões em papel caíram de vez. Portugal disse adeus à Cosmopolitan em 2017, no Brasil esta semana a Elle e a Cosmopolitan anunciaram as últimas capas (entre outras revistas) e a editora Abril vai despedir cerca de 500 jornalistas (não se fala noutra coisa no Brasil). Um dos "culpados" apontado é o consumo das redes sociais e o interesse do público que passou das revistas para outros criadores de conteúdos, os influencers/bloggers.

Quando escrevi o primeiro texto, "Publicidade em blogues: o horror - parte I,", por curiosidade contactei algumas revistas em nome da minha marca para saber quanto cobravam por uma página de publicidade. É impressionante, ia de três mil euros numa revista cor-de-rosa, a 10 ou 15 mil € em revistas de moda e se fosse para aparecer numa capa, facilmente ultrapassava os 20 mil €. A minha pergunta era e continua a ser a mesma: no mercado português, não consigo compreender o investimento e duvido imensamente do retorno.

Do outro lado das revistas estão os blogues e influencers, com mais seguidores do que as revistas têm tiragem. Isto significa uma possibilidade muito maior de o público reparar numa marca porque a Maria das Couves diz que gosta (vou deixar de parte a possibilidade de ser uma publicidade falsa), enquanto na revista a página de publicidade é passada para o lado num dedo lambido sem que seja notada. As marcas redireccionaram os seus investimentos para o meio digital, as revistas em papel têm perdido recursos e fecham umas atrás das outras. Até o DN já só imprime ao fim-de-semana.

Todas estas influencers com 100 mil e 300 mil seguidores no Instagram (melhores realidades portuguesas), aquilo deu trabalho a conquistar! Aquelas páginas representam muitas horas de trabalho, de criatividade, de tentativas-erro, de investimento no tempo pessoal, de investimento financeiro e acho que devem ser pagas pelo seu trabalho. Mas é aqui que a porca torce o rabo.

Nos últimos meses tenho lido no instagram textos inflamados de meninas populares num registo ofendido "não me peçam para trabalhar de graça!", altamente replicado por outros blogues num grito de "capitalismo ao poder, não mais seremos exploradas!", "muito bem, é assim mesmo!", parecendo um manifesto em luta pelas 8H de trabalho diárias. Menos.

Enquanto ia lendo estes textos, suspirava. Eu compreendo e acho a "luta" aceitável em termos de lógica: as pessoas devem ser pagas pelo seu trabalho, isto é indiscutível. O que faltou neste manifesto foi dizer "eu tenho visibilidade, mas posso não justificar o investimento".


Continua com conclusão em Publicidade em blogues: o horror - parte III, aqui



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8.8.18

Documentário: Amanda Knox



Trailer aqui

Está no Netflix, tem cerca de 1H30, podem ler mais informação aqui.

Acho que toda a gente conhece o caso da Amanda Knox que incendiou a Itália. Ela, estudante americana, foi de Erasmus para uma pequena cidade italiana. A colega com quem dividia a casa, ainda meio desconhecida, é assassinada. A menina Knox foi condenada, depois condenada à prisão onde esteve alguns anos, depois absolvida e depois absolvida outra vez.

O documentário mostra um enredo tão mau que se torna fabuloso: o julgamento da comunicação social, a pressão da comunicação social, o tipo de comunicação social italiana (é de cuspir), o jornalista que só quer saber dos furos dele e com uma total e incompleta incapacidade de ver ali seres humanos ou mesmo o benefício da dúvida, o chefe da polícia inflamado pela fama e pouco dado a factos, uma polícia caótica, suspeitos imaturos e com pouca experiência de vida, a família da assassinada inflamada... é um enredo digno de filme!

Para já é um documentário a não perder, mas acho mesmo que isto um dia dará um filme.



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30.7.18

Como foi a cirurgia - algumas considerações



Podem ler uma espécie de diário de bordo, experiência do dia-a-dia dos primeiros tempos pós-cirurgia, aqui.


Para a rinoplastia, façam um bom stock de cotonetes e compresas de tecido não tecido. Vão precisar!

Para as maminhas, a Mepilex tem os melhores pensos de sempre de silicone. Não se sentem, consegui usar por oito dias seguidos (o que é um recorde), mas mesmo assim não me safei de fazer alergia e ter de desistir. São caros, mas valem a pena.

Ainda para as maminhas, o Dr. João recomendou usar Mepitac. É um rolo de fita de silicone, aderente, que ajuda a deixar as cicatrizes mais bonitas. E se faz diferença! Além de ser da cor da pele (quando nos olhamos ao espelho parece que não temos nada), dá para deixar colado, tomar banho e mudar uma vez por semana. Em caso de exercício físico, com a transpiração, não recomendo. O que eu faço é colar as tiras num plástico e voltar a colocar a seguir ao duche. Dá perfeitamente para reutilizar se tratarmos as tiras com jeitinho.

Nos primeiros tempos a seguir à cirurgia optei por dormir sozinha. Pedi um colchão emprestado que esteve que tempos no chão do quarto. Em primeiro lugar porque o PAM é sonâmbulo e a probabilidade de me enfiar uma chapada, era alta. Depois, porque a Carmencita muitas vezes acaba por ir para a nossa cama a meio da noite e eu tinha medo de outra uma chapada. Optei pela segurança e distanciei-me de dois perigos.

No orçamento total, talvez queiram considerar a possibilidade de incluir uma empregada que trate da casa e da comida, pelo menos na primeira semana. Assim em jeito de retiro de férias para quem não tem familiares que possam ajudar.

Não podem ter unhas pintadas em cirurgias. Atenção aos gelinhos e afins, tem de ser retirado para que a máquina possa medir os parâmetros.

Tive saudades da Carminho. Morri de saudades. Tive-a sempre à minha frente durante os primeiros dias, mas não me atrevi a dar-lhe miminhos, beijos e abraços, achei perigoso. Tive saudades mesmo estando com ela na mesma casa.

Com autorização do Dr. e visto que não tive qualquer tipo de dores, abdiquei de tomar os comprimidos prescritos. Não fazia sentido, era mesmo zero dores. Tomei apenas o que era mesmo necessário, como os antibióticos.

O frio tem que se lhe diga. Algumas vezes saí à rua, estava frio e vento, ficar com pele de galinha, a contrição do mamilo por causa do frio, auch!

Em caso de espirro, tem de sair pela boca para não fazer pressão nasal. Assim do tipo cuspir tudo e todos. Temos pena.

Num registo mais íntimo, a limpeza manual do nariz é muito dificultada. Ainda é ao fim de quatro meses. Apesar de estar muito menos inchado, no interior dos salões nasais as paredes estão onduladas de inchadas e pronto, digamos que os dedos não cabem bem. Ainda assim, um lado está melhor que o outro. Eu tenho sérias dúvidas que o interior do nariz já esteja normal daqui a dois meses (diz que desincha em cerca de seis meses), mas pode ser que me engane.

Para quem tem crianças, fica o aviso: é um pincel. Perdi a conta às cacetadas no nariz e nas costuras das maminhas. Uma pessoa fica de lágrimas nos olhos e pronto, passa.

Ao sair da clínica, no saquinho dos medicamentos seguem contactos caso sejam necessários e indicações do que é normal acontecer ou o que não é normal e quando o médico deve ser contactado. Entre as consequências habituais e normais referiam obstipação. Mas que obstipação! Estive quase a convocar as leitoras para rezarem um mantra pelos meus intestinos, viriam autocarros do Porto, autocarros de Faro, charters, juntavam-se todos ali perto do Marquês onde há espaço e as energias de todos iriam devolver normalidade à minha barriga. Não foi preciso, bastou esperar cerca de 10 dias para voltar ao que era.

Quando fizerem contas à vida sobre uma cirurgia, são capazes de querer juntar mais uns euros. Apanhado um corpo novo, novas formas que aspirávamos há tempos, há uma certa tendência para o descontrole de compras. Coisas que antes não me ficavam bem, agora ficam. Soutiens que não me serviam nas lojas comuns (e com preços mais simpáticos), agora servem.

Há perguntas desse lado? Estou a criar um post cheio de perguntas e respostas.




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26.7.18

A barriga da Carminho



Felicidade é ver chegar o biberão e beber como se não houvesse amanhã!

A barriga da Carminho sempre trabalhou com bom rigor. Haja rendimento para tantas fraldas! E tem sido muito “boa boca”. Com a introdução de novos alimentos, se é certo que inicialmente estranhou alguns e até achei que não ia gostar de banana, hoje é um “aspirador” de comida. Depois do prato dela ainda quer saborear o dos outros e até já provou caril. Pensei que ia fugir, mas gostou.

Se a alimentação é variada com sopa, carne ao almoço, peixe ao jantar e muitos legumes, o mesmo não se pode dizer do pequeno-almoço e da ceia (quando ceia) que sempre se repete mas recebe como uma novidade: um biberão cheio de leite. Eu tenho de gravar o drama que a diva faz desde que avista o biberão até que lhe é dado para as mãos!

Agora que a Carminho tem pouco mais de um ano, ainda que nunca tenha sido motivo de preocupação, à medida que vão sendo introduzidas leguminosas, arroz e massas, e não sendo ela grande apreciadora de beber água, algumas vezes notamos as fezes mais duras.

Então optámos por uma estratégia: além de ir educando a Carminho a beber água (uma parte fundamental da nutrição), o lanche da tarde inclui um biberão de NAN Optipro 4 e um alimento não lácteo (como por exemplo bolachinhas ou fruta) adequados a esta etapa. Com um lanche destes ajudamos a satisfazer a barriguinha! E ao final do dia, a alimentação da Carminho tem o teor proteico adequado e também a água necessária.

Com o verão previam-se muitos lanches com NAN Optipro 4. Para além da água que vai bebendo e comendo nos restantes alimentos, esta tem sido uma boa solução para assegurar que recebe os nutrientes necessários a esta etapa. Desta forma nunca precisámos de recorrer ao médico, a xaropes para ajudar a evacuar e também nunca precisámos de alterar a introdução de novos alimentos com receio que lhe deixem a barriga “presa”.

O NAN Optipro 4 destina-se a bebés dos 1 aos 3 anos de idade, fornece os nutrientes necessários a esta fase de crescimento e acompanha-nos todas as manhãs, em algumas noites e sempre que saímos de casa. O doseador com NAN Optipro 4 e o biberão com água lisa está sempre dentro da mala do bebé.

#NANOptipro4  #Nestlé  #NestléBebéPT





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25.7.18

Fascinators


Adoro estas coisas, não consigo gostar do nome em português, "toucados" e tenho imensa pena que por cá não seja uma peça habitual.

Tenho um casamento em setembro, queria usar uma peça deste género, mas há sempre aquele receio de cair tanto no invulgar que mais pareço mascarada em vez de convidada. Então, a opção é ir pelos discretos, os mais pequenos, se bem que eu gosto taaaaaanto dos que têm rede! Mas lá está, para o nosso país a rede talvez já seja invulgaridade e a cair no carnaval de Torres Vedras.

Então, menos é mais, optemos pelos pequenos, mas onde? Quem já viu peças destas a preço interessante, já que não vai ser por aí além amortizado na quantidade de vezes que se vai usar?

As regras de etiqueta deixam-me dúvidas, leio informação contraditória. Sendo que as peças pequenas, quase um gancho, não me fazem impressão nenhuma usar num jantar, as maiores (e não as gigantes) e as de rede, não sei. Imagino que a rede seja puxada para trás, mas dizem as regras que li que as mulheres não precisam de tirar chapéus ou tocados dentro de portas, mas os homens sim.

Alguém sabe onde posso consultar regras de etiqueta fiáveis?





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24.7.18

Como foi a cirurgia - parte 1




Eu sou daquelas pessoas que adora um programa de um extreme makeover, vejo o Botched de queixo caído, acho que a cirurgia plástica pode fazer maravilhas. Ou desastres!

A cirurgia pode fazer muito por nós ou podemos ser estúpidos no caso de aspirarmos a ter corninhos de silicone na testa, a ter mamas de 30Kg, a colorir o branco dos olhos (e com isso perder a visão como li num caso) ou, menos radical mas ainda assim perigoso, achar que vamos ter 18 anos outra vez.

A cirurgia plástica pode ser espectacular se quisermos ter um nariz bonito e não o nariz de alguém, se quisermos colocar maminhas porque quase não existem, tirar porque temos a mais ou subir porque o tempo as fez pingonas. Pode ser fantástica se temos orelhas de abano, um defeito de nascença ou pela mais pura das vaidades, a cirurgia plástica pode deixar-nos mais bonitos com pequenas correcções. Para isto é fundamental escolher um bom cirurgião. É imperativo, é o que mais importa, é o que pode dar-nos o que procuramos.

Desde o início do blogue me leram a querer ter menos peito e com vontade de ter um nariz bonito. Eram desejos de há looongos anos. Esta foto de bikini pode ter surpreendido muita gente que sempre comentou que nunca viu em mim maminhas para tirar. Sempre fiz um esforço por esconder o 34DD usando soutiens que reduzissem e favorecessem o aspecto geral, escolhendo roupa apropriada ao meu tamanho, mas claro, depois vestida de bikini não há muito por onde fugir! Quando o PAM me tirou esta foto em 2016 ou 2017, ia morrendo. Detestei o que vi. Quantas fotos já apaguei na vida porque só se viam mamas? Incontável.

O desejo de fazer uma redução mamária foi persistente e só nunca foi "é já" porque não tinha maminhas descaídas. Era o único factor que me deixava hesitante.

Mas um dia decidi-me. Já a minha irmã mais nova e outra familiar tinham reduzido as maminhas no serviço onde trabalhava o Dr. João Bastos Martins (no caso delas com indicação de o fazer através do sistema público, no Hospital de São José, Lisboa). De cada vez que estava com elas pedia para me mostrarem as maminhas mais uma e outra vez, e fui sempre pensando no assunto. A certa altura estava mais que decidida, só faltava o quando. E nunca dá jeito. Também não me deu jeito na altura, mas tinha de ser antes de o calor chegar. Colocámos uma data no calendário à força e assim foi.




Sempre achei também que tinha um nariz demasiado comprido, que o meu rosto sairia favorecido com um tamanho mais harmonioso. Além disso tinha um desvio do septo, o meu nariz não era direito visto de frente e embora não se veja bem nesta fotografia, tinha a ponta ligeiramente curva para baixo (coisa de bruxa).

Ainda que possamos indicar narizes bonitos, é importante não ter a expectativa de ter o nariz de alguém. A minha ideia era ter o meu nariz, mas em versão melhorada. No entanto, mostrei ao Dr. João Bastos Martins alguns narizes que acho bonitos para perceber o meu conceito (imagens retiradas do Google), ele tem um enorme sentido estético, saberia adequar o que eu imaginava ao meu rosto.

Além disso, dei um retoque na papada que já tinha aspirado antes e que com o tempo achei que podia ter ficado mais sequinha. Não o faria se não fosse ao bloco operatório, mas já que ali estava, aperfeiçoava-se. E ainda fechei o furo do piercing que em tempos tive no umbigo. Cicatriz por cicatriz, fica mais discreta a de ter um ponto do que ter um furo mal fechado.

Como disse - e que não existam dúvidas - ter um bom cirurgião, competente, actualizado, do qual já tenham referências de outros trabalhos, é fundamental. Há quem se guie por preços e por profissionais das revistas cor-de-rosa. É um erro crasso.

Através de amigos de amigos conheço dois casos operados por médicos que passam a vida nas revistas cor-de-rosa. Um resultou num nariz torto com uma narina tapada (que o médico reconheceu e disse que corrigia de graça se a paciente comprasse mamas novas, o que ela nunca referiu interesse e assim desapareceu para nunca mais lá meter os pés). Outro caso é o de uma pessoa que fez uma redução mamária de talhante, com resultado desastroso, com muito sofrimento emocional, a quem o cirurgião pagou para não colocar a situação na comunicação social (e a mulher usou o dinheiro para tentar corrigir a desgraça). Adorava poder dizer quem são estes médicos tão "conhecidos", mas não posso. Mas registem isto: aparecer nas revistas não é sinónimo de profissionalismo!

Para mim, tinha então no meio seio familiar as provas de uma equipa de cirurgiões competentes. Não tendo indicação para ser operada pelo público, explorei o privado, tive atendimento de hotel na Clínica da Beloura (do grupo Cordeiro Saúde), não tive de ficar à espera da cirurgia mais de um ano como é costume e marquei de um mês para o outro.

Fui muitíssimo bem tratada! Adorei a clínica, o Dr. João Bastos Martins é um porreiro, daqueles que dá vontade de convidar a ir jantar lá a casa, a equipa que o assistiu (que é ele quem escolhe a dedo) era tudo gente bem disposta e cuidadosa, a anestesista era um doce, as enfermeiras Andreia, Cláudia e Carolina fizeram de tudo pelo o meu conforto, voltava a esta clínica outra vez sem pestanejar.

E claro, além disto tudo, não sou fã do estilo ridículo: "eu, cirurgia? Não, eu hoje acordei assim!". É da maquilhagem, é da luz, é da posição. Dá-me vergonha alheia. Lembro-me de quando estava na universidade, no meu ano estudava uma actriz conhecida da nossa TV. Faltou às aulas uns 15 dias e apareceu com maminhas evidentes. Justificou que tinha engordado.

Não compreendo estas mulheres. Acho isto tão poucochinho de cabeça. Poupem as pessoas à vergonha alheia do ridículo em que caem. Eu adoro poder contar tudo o que fiz! Não, não nasci perfeita, quis melhorar, fui ao bisturi e partilho tudo para que outra mulher, se quiser, se sinta confiante a fazer o mesmo.

Eis um pequeno diário de bordo:


Dia 13/Março - dia um, zero nervos. O PAM até me perguntou no carro: "não te sentes nervosa?". Mas nervosa com o quê? Confio no cirurgião, é algo que quis fazer a vida inteira, eu estava era ansiosa que tudo começasse e acabasse a cicatrização!

Desde que entrei na Clínica pelas 14H30 até que saí do bloco, o processo foi muito rápido (ou eu senti o tempo a voar). Levava 6h obrigatórias de jejum, assinei consentimentos, deram uma série de explicações, o Dr. João Bastos Martins deu ainda mais explicações e ao marcar-me com uma caneta fez algo que me pareceu extremamente correcto. Perguntei se havia muitas mulheres com o meu tamanho de maminhas a fazer redução, por algum motivo entendeu-me como uma dúvida, fechou a caneta, deu um passo atrás e afirmou sem problemas: "em caso de dúvida, interrompemos já". Nãaaao, credo! Não me tirem isto agora que vai acontecer!

Ainda deu para rir, mas fiquei a pensar que só um excelente médico é que diz que não opera doentes com dúvidas (o que é diferente de ter receios e medos infundados). Ainda contámos umas piadas, passei para o bloco feliz, fui anestesiada e não sei mais nada. Foram quatro procedimentos que levaram cerca de cinco horas.

Acordei com uma broa descomunal, o meu pensamento funcionava, mas o corpo só queria dormir. Levei logo as mãos aos sítios para saber como estava (a cabecinha estava mesmo a funcionar bem): gostei logo do tamanho das maminhas que agora são mãos cheias em vez de três mãos a transbordar, a rinoplastia era evidente pois tinha o nariz tapado, senti o penso no umbigo pelo que o furo do piercing tinha sido fechado e sentia o penso no queixo, a papada tinha sido retocada.

A anestesia geral deixa-nos num estado de sonolência brutal. Por dentro dizia-me a mim própria "vá, fala! Pergunta como ficou!", mas o corpo não obedecia ao pensamento. Dores zero, mas nenhumas mesmo. Para mim a parte mais chata foi ter de respirar pela boca por causa dos tampões no nariz. Isto para quem está habituado a respirar pela boca deve ser peanuts, mas para mim chateava-me e sentia a boca seca. Mas foram cerca de 24H e quase sempre a dormir, fez-se bem!


Dia 14/Março, 2º dia - O dia em que temos de nós pôr de pé. Não custa pelas cirurgias, custa pela anestesia, temos tonturas e enjoos, mas passa à medida que começamos a andar, o que fiz com ajuda das enfermeiras. O Dr. João Bastos Martins foi ver-me, fui despida, mudaram-me os pensos, pude ver-me pela primeira vez mais ou menos, tirei selfies para enviar à minha mãe, o médico disse que estava muito contente com os resultados e eu também fiquei!

Estava era desesperada para tirar os tampões do nariz, não via a hora. No blogue algumas leitoras falaram deste momento como a pior dor da vida delas, eu duvidava que fosse sentir dor, sentia-me tão bem! E na hora de tirar, doeu tanto como tirar um algodão do nariz, daqueles que nos metiam quando sangrávamos do nariz em criança. Para mim representou um alívio e zero dor. Nas maminhas tinha drenos, tirá-los foi tão simples como beber água. Custou zero.

Cheia de recomendações, caixas de comprimidos (no privado tratam de nós, no público temos de tratar destas coisas todas), fui para casa por volta das 16H e fui dormitando, sempre bem, com alguns enjoos ocasionais, fruto da anestesia geral, mas nunca vomitei.


Dia 15/Março, 3º dia - Fiquei com os sonos trocados e os enjoos desapareceram. Levantei-me às 5H cheia de energia, fui para o computador escrever posts, tomei o pequeno-almoço sozinha pelas 6H30, preparei o biberão da Carminho para quando ela acordasse, deitei-me pelas 8H e voltei a dormir até ao meio-dia.

Tomei banho (que me soube pela vida!) e vi as mamas com pensos. Acho que a última vez que vi as minhas maminhas assim tinha 17 anos! Experimentei um fato de banho que usei dias antes no Rio de Janeiro (com mamas a sair pelas costuras) e pareço tão mais magra! A diferença por dois ou três tamanhos de copa de soutien é abismal, parece que perdi imenso peso.

Experimentei partes de cima de bikinis onde me sentia a abarrotar e senti-me com um decote mesmo bonito. E estavam ainda no cucuruto, faltava que descessem e assumissem posição natural, o que aconteceu dois meses depois. Segundo o Dr., aos seis meses (em Setembro) já estarão no seu aspecto final e as cicatrizes finais, ao fim de um ano. A minha cicatriz é em volta do mamilo (que não foi retirado, não existe perda de sensibilidade) e uma linha que desce, não é um T invertido. Cada médico tem as suas técnicas, o Dr. João Bastos Martins está na crista da onda. Pelo que pude avaliar na minha irmã, para ver as cicatrizes é preciso ir lá com os olhos, tem uma linha branca muito fininha, tipo uma estria.

Neste dia até fiz a cama sozinha e aproveitei a tarde para escrever. Maior chatice do dia: sentir o nariz tão seco de manhã, o que fui resolvendo com um cotonete com vaselina e depois à tarde, sempre a pingar, mil pingos que faziam cócegas e tinha de ir secando pressionando levemente com uma compressa.

Dia 16/Março, 4º dia - Sentia-me já fartinha de esperar pela cicatrização, mas faz parte. O nariz não parava de pingar, com pingos que corriam e faziam comichão, como no início de uma constipação. Não doía, são situações que podem ou não fazer parte, depende das pessoas.

Dia 17/Março, 5º dia - Dia de mudar os pensos! Fui ter com o Dr. João Bastos Martins porque preferi, podia ter sido eu a mudar os pensos em casa. Mas quando comecei o serviço descolei sem querer um daqueles pensos que substituem pontos no mamilo, começaram a aparecer pintas de sangue, tive medo de estar a criar caminho para cicatrizes feias ou infecções e preferi ir ter com o Dr. João. Não aproveitei para ver as maminhas sem pensos, achei que não valia a pena, as primeiras semanas é para achar coisa horrível de Frankenstein e medos de ficar assim para sempre, fui avisada disso. Vi as minhas familiares e não fica como parece. Portanto, achei que não valia a pensa, não ia acrescentar nada ao meu pensamento.

A papada nesta altura já estava em óptima recuperação, doía-me como uma nódoa negra, mas só se tocasse. Os olhos começaram a passar de roxo para amarelo a uma enorme rapidez. O rosto estava ainda inchado, mas tudo dentro da normalidade.

Sentia perfeitamente que podia conduzir, tirar coisas das estantes ou pegar na Carminho ao colo. Só não o fazia porque tinha medo que me ela me desse um safanão no nariz ou nas maminhas sem querer e porque não queria que o PAM percebesse que estava cheia de força. Sempre ia mudando as fraldas por mim!

Depois de ter ido mudar os pensos fui ao Colombo almoçar de tala no nariz e olhos negros. É evidente que toda a gente olhava para mim e algumas pessoas eram tão pouco discretas que me dava vontade de rir. Mas eu queria lá saber, queria ir arejar, estava de chuva, estava perto do centro comercial, foi o escolhido. Ainda passei numa loja de soutiens e fiquei maluca com algumas novidades da nova colecção. Queria tanto comprar! Mas as maminhas ainda não estavam no sítio, tinha de aguardar para ver se ficava uma copa B ou C.

Dia 18/Março, 6º dia - Neste dia senti que uma rinoplastia não combinava mesmo com um nariz entupido. Dormir começou a ser um filme de terror porque detesto respirar pela boca. O nariz entupia constantemente, fui resolvendo com cotonetes e soro, mas acordava e às vezes demorava horas para voltar a adormecer. Ainda assim, continuava sem qualquer tipo de dores. Acreditem, onde custa mais é na carteira!

Dia 20/Março, 8º dia - Foi o dia em que tirei a tala do nariz e concluiu-se que o problema do nariz não era uma consequência da cirurgia, eu estava era constipada! Tirar a tala não custou nada, foi o mesmo que colarem uma fita-cola ao nariz e puxarem lentamente, ou seja, sente-se puxar levemente pela pele, mas não dói. O nariz estava ainda muito inchado, até parecia maior do que era, mas já dava para ver que tinha as curvas certas e que uma vez desaparecido o inchaço, ia ficar lindo. O Dr. João apertou o nariz com os dedos e não doeu nada, apenas senti pressão. O que me custou foi tirar um dos pontos presos a um pêlo na narina, auch! Lágrimas, lágrimas! Outros pontos ficaram dentro das narinas, foram caindo naturalmente. Um mês depois o nariz teria já melhor aspecto e ao fim de 6 meses terei o resultado final.

Tirei o ponto da papada e do furo do piercing, tudo impecável e a correr bem. Tirámos também os pensos das maminhas para os mudar, mas não conseguia usar mais. A minha pele não aguenta cola, começou a fazer feridas e bolhas de água, uma chatice. Optámos então por desistir dos pensos e passar a usar compressas de tecido não tecido por dentro do soutien. Além disso, sempre que tomava banho, tinha de passar betadine nas costuras, deixar secar, aplicar creme e massajar as maminhas todos os dias. Não doía e na verdade até sabia muito bem.

Num mamilo tinha sensibilidade, no outro tocava e sabia que estava a tocar porque sentia no dedo, mas não no mamilo. Tudo normal, retomará a sensibilidade a seu tempo.

E eis que chegámos ao momento de me ver ao espelho! O Dr. João Bastos Martins avisou que eu não ia gostar de me ver e que era normal. Isso para mim não era novidade, eu sabia pelas minhas familiares que fizeram redução da mama: os primeiros tempos parecem coisa de talho. Como informou na primeira consulta, depois de uma cirurgia destas as maminhas ficam super subidas (quase na garganta), parecem escavadas por baixo do mamilo, as cicatrizes parecem horríveis e os mamilos umas tampas. Mas em 4 ou 6 meses a maminha desce, toma o formato de maminha redonda na base (desaparece o efeito escavado) e as cicatrizes começam a clarear. Portanto, quando me olhei ao espelho e já sabendo como era, não senti nenhum choque. É preciso ter paciência e aguardar pela cicatrização que naturalmente leva algum tempo, isto é uma obra!

Neste dia voltei a conduzir, oba!

Dia 27/Março, 14º dia - Duas semanas de cirurgia! Praticamente já não tinha nódoas negras na cara, só mesmo uns restinhos de nada. O nariz estava francamente melhor, ainda inchado, sem conseguir ver o resultado final, mas dava para sentir, isso sim! Ao passar os dedos para aplicar hidratante não reconhecia as formas como sendo do meu nariz, ele costumava ser mais largo. Nesta última semana eu mesma cortei pontas dos pontos que ficavam a aparecer nas narinas, eram um elemento socialmente constrangedor. Alguns pontos caíram, outros ainda lá estavam.

Por esta altura as maminhas tinham cada vez com melhor aspecto, notavam-se diferenças de dia para dia. Já conseguia dormir de lado, o que para mim era de sonho, mas tive de continuar a dormir de soutien (indicado pelo médico) até aos 60 dias. Tinha uma sensibilidade anormal nos mamilos, até a roupa me fazia impressão e comecei a sentir que a sensibilidade começava a regressar ao mamilo que estava adormecido. Tomava banho normalmente, tinha apenas de aplicar betadine nas costuras, deixar secar, massajar com creme, deixar secar, vestir o soutien com uma compressa na copa para não roçar no tecido.

4 semanas de cirurgia - Deixei de aplicar betadine nas cicatrizes, já passava a esponja esfoliante nas maminhas (sem apanhar os mamilos), já conseguia dormir de barriga para baixo, sentia que podia regressar ao ginásio e o único incómodo era mesmo a sensibilidade dos mamilos.

O nariz estava melhor, com pouca ou nenhum sensibilidade na columela, mas é das zonas que mais demora a desinchar depois de uma cirurgia. Se eu quisesse meter o indicador dentro da narina nem entrava, não cabia, tal o inchaço das fossas nasais.

6 semanas de cirurgia - O nariz já tinha muito melhor aspecto, mas a ponta continuava a parecer-me batatuda. E ao fim de seis semanas fui ao ginásio! Não era suposto, só às 8 semanas, mas eu sentia-me como nova à parte das cicatrizes, nunca diria que tinha feito uma cirurgia e fui por minha conta e risco. Durante as semanas seguintes localizei os exercícios mais da cintura para baixo, nada de saltos ou peitorais. Não é que sentisse dor, mas não me apetecia. E a diferença de fazer elíptica sem ter as maminhas sempre a dar Braga- Faro? Espectacular!

3 meses de cirurgia - Por esta altura senti o nariz muito menos inchado, mas ainda tinha por onde reduzir. Por dentro, uma das narinas estava mais inchada que outra. Infelizmente é dos locais que mais demora a desinchar após uma cirurgia.

As maminhas estão óptimas de tamanho (eu devia ter nascido projectada para ter este tamanho), segundo o médico os 3 e 4 meses são a fase mais feia de cicatrização em que as costuras ficam cor-de-rosa. No meu caso, cor-de-rosa fluorescente, mas é uma característica pessoal. Em algumas zonas a cicatriz começou a esbranquiçar. Quando fizer um ano, se achar que preciso posso fazer dermoabrasão para melhorar o aspecto ou mesmo corrigir as cicatrizes, mas ainda há muito para clarear e que recuperar até fazer um ano.

Por esta altura fui de férias, andei dias inteiros sem soutien, comprei soutiens maravilhosos, fiz ginásio, é raríssimo lembrar-me que fiz uma redução mamária a não ser quando olho ver a evolução das cicatrizes. Há zonas onde já nem se vê, estão da cor da pele.

Fazia tudo outra vez! A sensação proporcionada por ter maminhas adequadas ao meu tamanho, vale cada cêntimo! Podem saber mais sobre o Dr. João Bastos Martins aqui.

E não, ninguém me pagou para escrever este post, paguei as minhas cirurgias como toda a gente.
Para saberem sobre preços com o Dr. João Bastos Martins, cliquem neste post.


ADENDA: Estão a enviar-me mil mensagens sobre seguros. Ou seja, estão à procura de alguém que pague cirurgias puramente estética e não existem seguros para isso.

Em cirurgia estética só entra o seguro se tiverem indicação para tal e não se tratar de uma questão puramente estética. Ou seja, pegando num caso que conheço, uma pessoa com nariz sem problemas de saúde associados, atravessou a rua, foi atropelada, partiu o nariz que ficou uma desgraça. Foi um acidente, o seguro entrou com  o "arranjo" e ficou melhor do que era.

Mas, não existindo nenhum acidente, não havendo questões de saúde associadas como dores, dificuldades respiratórias, dia-a-dia afectado, etc., se for para arranjar porque se quer bonito, o seguro não cobre. No meu caso tinha desvio do septo, mas não tinha mais nenhum problema. Enviei exames, recusaram. Nas costas tinha uma ligeira escoliose, enviei exames, ainda não estava manca, não cobriram a redução mamária. Em suma, responderam que se quisesse, eu que a pagasse as cirurgias e assim fiz.

Para mim era um incómodo ter maminhas grandes, mas era um incómodo e o seguro só entra quando a saúde é afectada. Por um lado é parvo não funcionar como medicina preventiva, por outro percebo. Depende dos casos. Mas é assim que funciona!



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© A Maçã de Eva

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