5.6.18

Feminismo ou histerismo?



Já fumei socialmente, dava-me prazer, mas nunca fui viciada. Podiam passar semanas ou meses sem fumar, não andava de cigarros na mala. Não era uma necessidade, era um prazer que tinha. Hoje em dia não compreendo, faz-me confusão ver fumar, faz-me imensa confusão o que as pessoas estão a fazer ao corpo de forma continuada, diária, às vezes mais do que uma vez na mesma hora, incomoda-me muitíssimo o cheiro e, embora não me tenha tornado fundamentalista a pregar na vida dos outros (cada um sabe de si), dou-me ao direito que pedir que não fumem ao meu lado se não me apetecer e de certeza peço que não fumem em cima da minha filha.

Fico incomodada com o egoísmo de pessoas que fumam dentro do carro com outras pessoas não fumadoras lá dentro. Fico doente se forem crianças, filhos a levar com o cigarro dos pais que se estão nas tintas ao fim do dia no regresso a casa. Desculpem, mas é estar-se nas tintas. Aliás, com tanta coisa de que não se pode usar o telemóvel enquanto se conduz, não tem qualquer lógica ser permitido fumar enquanto se conduz. Sei o motivo (não impedir o consumo) mas nunca percebi o argumento.

Há dias, numa festa, roubei de um cigarro de um amigo. Há mais de dois anos que não fumava, desde que fiquei grávida. Soube-me horrivelmente e devolvi o cigarro.

Ontem o PAM veio de casa de uns familiares com a Carmencita, eu fiquei a trabalhar. Quando chegaram, só de passarem por mim na entrada de casa fizeram-me logo protestar: "vocês tresandam a tabaco!". "E ninguém fumou...", respondeu o PAM. É isto, a casa já está entranhada, cola-se à pele, aos cabelos e à roupa. Não percebo como se vive assim dentro da própria casa e, honestamente, uma pessoa assim não tem muita vontade de ir. Se eu fico incomodada com isto, não imaginam o PAM que discute mesmo com os invasores de espaço.

E isto lembrou-me a polémica da Capazes, largamente avistada no feed do FB, a associação apresentou queixa (aqui) sobre a campanha anti-tabágica, “uma princesa não fuma”. Ainda não tinha lido sobre a queixa nem visto a campanha (aqui). Estava à espera de uma coisa inacreditavelmente ofensiva para a classe feminina, fui ver e a montanha pariu um rato. Era isto? A sério que não deu para perceber que aquilo é uma história de mãe e filha e a cena do "uma princesa não fuma" é uma coisa "pessoal" da história das protagonistas? Aquilo é ofensivo?

Honestamente, isto da Capazes já irrita. Já não é feminismo, é histerismo. Fico mais incomodada com a histeria do que com tudo o resto. Não acho a campanha particularmente boa do ponto de vista "implacável, as pessoas vão pensar duas vezes!", mas também não me ofende. É-me indiferente.

As Capazes parece que vivem numa constante necessidade polémica e tudo o que mexe é ofensivo. Todas as mulheres têm de ser fortes, determinadas, espectaculares. E algumas não são. Eu vejo mulheres que nem uma roupa conseguem escolher, quanto mais ter firmeza e determinação uma vida inteira perante todos. Tudo é motivo de murro na mesa e com isso estão a cair no ridículo, a perder a seriedade e o reconhecimento de quem está de fora.

Qualquer dia temos hermafroditas a fazer campanhas de detergentes, para não ofender as Capazes.

Mas eu entrego uma solução: o preço de um maço de tabaco tem cerca de 90% de impostos que vão para o Estado. É uma pequena mina que convém não abalar muito, pois é uma boa fonte. Ninguém no governo teria tomates para aumentar o maço de tabaco para 20€ ou 30€, que era 1€ ou 1,5€ por cigarro, pois mexia drasticamente no retorno que daria aos cofres do Estado, mas era isso que devia ser feito. Vão lá ver o preço do tabaco nos países do norte da Europa. Os fumadores até pensam duas vezes!

Em suma, temos um governo hipócrita que de um lado divulga campanhas e do outro estende a mão "dá cá o imposto que é meu", uma associação pela igualdade de género histérica e a culpa é da campanha.



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