9.8.19

A culpa não é dos motoristas, é dos consumidores


Não são os grevistas que instalam o caos, é cada uma das pessoas que corre às bombas.

Não são os grevistas que fazem pressão social, é cada uma das pessoas que corre às bombas.

Tenho hoje 1/4 de depósito, um bocadinho menos. Ontem fiz a minha vida e todas as bombas por onde passei tinham filas enormes. Não me presto a isto!

Hoje vou ter de dar voltas e vou ficar com ainda menos gasolina. Se acabar, fico em casa, ando de transportes, ando de boleia, não trabalho, adio as coisas, mas alimentar o caos e a ganância, recuso-me.

Se cada um dos grunhos que corre às bombas fizesse a vida normal, abastecendo com a regularidade habitual, havia combustível para 15 dias. Assim, cedem exactamente a favor do objectivo dos grevistas (que apoiei, mas já não tenho saco). E isto não significa que não tenho responsabilidades, que não preciso de combustível, significa que é preciso ser inteligente e pensar maior.

No FB do blogue, um comentador dirigiu-se a mim como se eu fosse estúpida: "a Maçã diz que se ficar sem gasóleo fica em casa ou não trabalha lol, fala como se toda a gente fosse assim, sem responsabilidades, sem famílias para alimentar, acha que toda a gente tem uma vida tranquila (...) a criticar sem saber a situação pessoal e profissional de cada um".

É preciso pensar, usar a cabeça, ir mais além do que o agregado familiar lá de casa.

1. Não estamos perante uma calamidade mundial do tipo "o petróleo acabou" e a crise aí seria indiscutível e mundial.

2. Estamos perante motoristas NACIONAIS a ameaçar greve. A gasolina existe, só não há quem a transporte caso não se ceda às vontades dos meninos.

3. Vivemos em Portugal, um país da união europeia. Havendo combustíveis e só faltando quem os transporte, acreditam mesmo que chegaríamos a um estado de emergência declarada? Poupem-me. Nem que viessem motoristas de outros países. E ao que parece há militares a serem treinados para poderem substituir estes motoristas.

4. Mas assumindo que aconteceria, não é só lá em casa que não teriam como ir para o trabalho, é um país e toda a sua economia! Mais dia, menos dia (conforme a ganância pela gasolina se tivesse verificado), TODA A GENTE teria de ficar em casa! Até quem correu para as bombas. Em suma, a corrida às gasolineiras é um "tanto faz".

5. Assumindo um declarado estado de emergência nacional sem combustíveis, os carros estacionados na rua iriam ser assaltados. E os que estivessem em andamento, depressa vos apontariam uma arma para retirar o que têm. Na selva reina a violência.

6. Assumindo um declarado estado de emergência nacional, ao fim de umas semanas os militares tocariam à porta para confiscar os combustíveis que todos estiveram a meter em bidões. Seriam direccionados para transportes prioritários e de bens de primeira necessidade, não para o Zé Manel que tem responsabilidades lá em casa e tem de ir para o escritório [o pensamento pequenino é de revirar os olhos].

7. Para quem trabalha, com a economia parada, em declarado estado de emergência nacional, se o Zé Manel não fosse trabalhar porque não há combustíveis na generalidade, outras pessoas conseguiriam ir? O quê, levam falta? Arriscam-se a ser despedidos? Quando um deixasse de ir, em poucos dias era quase o país inteiro.

8. Para quem conseguisse chegar ao escritório por outros meios, acham que o trabalho iria realizar-se? Num país em estado de emergência e serviços mínimos, acreditam que atenderiam telefones do outro lado? Que os fornecedores e entregas continuariam? Que as empresas seguiriam sem percalços? Não, elas paravam também.

Não são precisos muitos dias sem combustíveis para um cenário destes acontecer num país, o que inclui Portugal.

Se o Zé Manel parar de trabalhar por falta de gasolina, vamos parar todos. É uma questão de dias.

E no meu caso, que não mexo uma palha para colocar gasolina no meu carro quase vazio, se todos pararem não me adianta continuar, pois eu não faço acontecer sozinha, por isso não me entrego ao drama. No fundo, é usar a cabeça. Ou em estado declarado de emergência nacional acho vou continuar a vender sapatos e bikinis?

Esta corrida e este alarmismo é mentalidade de povo. Num verdadeiro estado de emergência nacional a gasolina a que se agarram com ganância ser-vos-ia retirada.

E agora aguardemos, a ver se vai haver um dia sequer de emergência nacional... é que nem um! Se não forem os motoristas portugueses, serão outros. O problema não está na falta combustíveis, está na falta de transportes.

Não se entreguem a essa palhaçada que vos cega numa corrida às bombas, a perder tempo, a gastar gasolina numa espera enorme de chegar a vossa vez [non sense] e se põem a discutir com os outros.

Se efectivamente faltar gasolina por falta de transporte é para todos. Se um for ao fundo, agarrem-se porque numa questão de dias vamos todos.

Ya, odeio povo. Isto aqui filmado é uma vergonha.




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16.7.19

Mousse de chocolate


Riquezas, há dias publiquei uma mousse de chocolate nos stories do instagram, mostrei como a virava de pernas para o ar e nem mexia, o que causou muito espanto e mil pedidos para a receita.

Mas a espantada fui eu: não sabem fazer uma mousse? Só fazem mousses daquelas moles sem graça? Credo, precisam da minha receita rapidamente.

Infelizmente não guardei as imagens para mostrar neste post, mas acrescentarei noutra oportunidade.

Adoro mousse de chocolate, mas tem de estar fria, em espuma e com a consistência certa. Mousses moles, não, nem tenho vontade de provar. E as mousses instantâneas, de pacote, deviam ser proibidas por atentado às papilas gustativas.

Para ter uma boa mousse só precisam de bons ingredientes e técnica.

1 tablete de chocolate preto de qualidade (recomendo a Lindt 70%)
6 ovos grandes
6 colheres de sobremesa de açúcar bem rasas
2 colheres de sopa de manteiga
pitada de sal
meio copo de água

Num tigela pirex, partam o chocolate em pedaços, juntem a manteiga, a água e levem a derreter no microondas, cerca de 1m30s (depende dos equipamentos). Bem sei que os entendidos dizem que isto é uma alarvidade, que não se leva o chocolate a altas temperaturas, mas é assim que faço e sai bem.

Separem as gemas das claras, mas é para ser bem separado. Se tiverem amostras de gemas nas claras elas não vão subir como deve ser.

Batam as claras em castelo com a pitada de sal. Esta é uma parte importante: as claras têm de ficar bem firmes, de virar a tigela de lado e não mexer. 

À parte, noutra tigela, batam as gemas com o açúcar. Esta começa por ser uma mistura alaranjada, mas têm de ser bem batidas até ficar um creme amarelo claro e dobrar de tamanho. Diria que bato com a máquina no máximo por cerca de quatro minutos, mas começo no mínimo para fazer a mistura.

Com a tigela de claras em castelo e a tigela de gemas prontas, aqueçam mais um pouco o chocolate (que já não deve estar tão derretido) por mais cerca uns 40 segundos. Acrescentem à mistura das gemas, envolve-se bem para não salpicar e só depois se bate bem com a batedeira por mais um minuto.

Temos então duas tigelas, uma com claras em castelo e outra com mistura de chocolate. Comecem então por juntar o chocolate às claras aos poucos, primeiro metade e depois o resto, envolvendo com delicadeza com uma colher de pau para não fazer desaparecer todo o ar (não usem a batedeira nesta fase ou desaparece o efeito espuma).

Coloquem a mousse numa tigela, levem ao frigorífico pelo menos durante quatro horas, mas idealmente por doze horas ou de um dia para o outro. E podem lamber a tigela.


Não comam, não!





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15.7.19

Séries: Stranger Things



Trailer da 1ª temporada, aqui


Trailer da 2ª temporada, aqui


Trailer da 3ª temporada, aqui


Já vi as três seasons do Stranger Things e calhou que só agora escrevesse sobre esta série.

O género ficção científica não é mesmo, mesmo, o meu estilo (eu nunca vi nenhum Star Wars, por exemplo), mas o Stranger Things tem lá dentro uma coisa muito "minha": um revival da minha juventude. É uma excelente apresentação dos anos 80 que vai da músicas às roupas, da tecnologia da altura à comida, ao cinema da época e aos programas de TV que agora são vintage. Tudo aquilo é uma deliciosa viagem no tempo. Arrisco-me a dizer que os anos 80 são grande parte do sucesso do Stranger Things. Não acredito que tivesse metade do sucesso se a série tivesse lugar nos dias de hoje.

Não sendo o género científico um género de que goste muito, por causa dos anos 80 e de todas essas referências, tudo aquilo é mais do que a história que se passa numa pequena cidade dos EUA. Naquelas cidades do interior com um ritmo de vida longe das grandes metrópoles, numa terra onde pouco ou nada acontece, os adolescentes são iguais aos de outras cidades, sedentos de ser adultos, populares, com as suas histórias de amizade, namoricos e férias de verão. A série é vencedora porque não é apenas ficção científica, é mistério, é suspense, é drama, representa bem uma juventude que todos vivemos, é uma mistura que não se limita a um só género.

Na primeira temporada um rapaz começa por desaparecer misteriosamente, durante a investigação encontram e escondem uma estranha rapariga com poderes sobrenaturais, descobre-se uma realidade alternativa, um sub-mundo por debaixo do dia-a-dia, animais/monstros perigosos, os serviços secretos do país envolvidos na tentativa de esconder a verdade da população e esses mesmos habitantes a quererem retomar a vida normal.

A série tem tantas referências que é fácil identificá-las: transborda de Goonies, de ET, Indiana Jones, muito (mas muito) Spielberg por ali e mil outras cenas que lembram outros filmes que conheço, só não sei dar-lhes nome, mas que o Markl deve ter feito muito bem aqui.

No entanto, da primeira para a terceira temporada vejo grandes diferenças, vai muito de Goonies a Terminator, a série tornou-se muito mais gráfica, com seres mais violentos pelo visual do que pela imaginação, o que não me encantou. Além disso, a terceira temporada trouxe uma inevitabilidade que me faz pena: os miúdos cresceram, nota-se bem, não há nada a fazer, eu preferia o registo mais infantil, mas está bem agarrado, com os primeiros beijos e paixonetas à mistura e todas essas coisas próprias da idade.

Fica evidente que a série não acabou, há uma quarta temporada para entrar, mas espero que acabe por aí para não estragar. Não creio que a série funcione com os miúdos já adultos, com cara de 20 em vez do ar de adolescentes que têm agora. Existe uma história para encerrar, mas não creio que renda mais do que uma nova temporada se for para não entrar em decadência.

Para quem viveu os anos 80, a série é um regalo para os olhos. Por lá aparecem as antigas caixas de Tampax azuis que via em casa, o leitor de cassetes VHS da Sony que estava na sala, um walkman, uma gabardine amarela que tive igual, de repente faz-se uma viagem de mais de 30 anos. Tudo isto surge em segundo plano, vale a pena observar o que está para lá das acções em cena.

Para mim e para as pessoas da minha geração, o Stranger Things é um regalo para os olhos. Para quem os anos 80 não dizem nada, não sei dizer, mas recomendo!







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4.7.19

ULTIMATE LASER: nova loja em Telheiras e descontos!


Abertura de nova loja em Telheiras
20% de desconto no mês de Julho

Desconto a efectuar nesta tabela de preços
 e apenas na nova loja de Telheiras.
(ver lista de zonas corporais dentro da página, mais abaixo)

Para obter o desconto de 20% em depilação a laser alexandrite 
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Edificio Capitólio, Avenida de França 256, 2º 

Castelo Branco
Quinta das Violetas 24, R/C Drto

Figueira da Foz
Avenida Saraiva de Carvalho, 74


Há umas semanas cruzei-me com um post de uma mulher que publicou num grupo de Facebook a seguinte pergunta: "Olá! Depilação a laser. O que devo saber antes de fazer? Cuidados a ter? Como escolher bem o local e quem faz?". Por curiosidade li algumas respostas. Verifiquei que tanto tempo depois desta tecnologia se ter disseminado, continua a espantar-me a publicidade enganosa, a desinformação, os mitos, as asneiras que se escrevem e quão desinformadas estão algumas pessoas.

Não me vou esquecer dos complexos que tinha com os meus pêlos, o que sofri, a quantidade de centros que investiguei e a quantidade de espaços onde se deita dinheiro à rua. Foi um longo percurso até um dia encontrar o único método que resulta: laser alexandrite. E mesmo assim não basta apenas escolher a máquina, é preciso saber escolher o centro. É que uma máquina alexandrite apesar de ser o melhor que há no mercado, é preciso que a técnica saiba avaliar a energia indicada para cada cliente, é preciso que o equipamento seja usado "a todo o gás", é preciso que a máquina tenha manutenções constantes (caríssimas), enfim, é preciso que a máquina não seja usada para fazer render sessões, pois é possível fazê-lo.

Não faço depilação há 13 anos. Na altura a depilação a laser alexandrite foi tão revolucionária para mim que ponderei abrir um negócio. Isto num tempo em que para fazer pernas completas se pagava 500€ por sessão! Investiguei, estudei, conversei, tive reuniões com fabricantes e fornecedores. Aprendi tudo o que havia para aprender, mas hesitei. Naquele tempo os preços eram muito mais altos, não era acessível a tantas pessoas como agora e a vida acabou por me levar por outros caminhos de negócios.

Quem nunca optou por este método de depilação não imagina o libertador que é nunca pensar em pêlos. Quando se escolhe uma roupa, um vestido ou uma manga cava, não me ocorre o termo depilação. Quando vou à praia não penso se a depilação está feita, é só vestir. É como se tivesse nascido com a pele de um bebé, sem pêlos. A habituação à falta de pêlos é tão maravilhosa que já me esqueci que algum dia existiram. E até olho com estranheza para quem ainda não investiu em si e na sua liberdade de pêlos.

Passei os anos de criança e adolescente complexada. Era gozada na escola em miúda porque tinha pernas peludas e bigode. Cresci, comecei a fazer depilação, mas não chegava. Morria de vergonha junto de namorados, vivia obcecada com pêlos. Infelizmente nem a cera era solução porque ao fim de oito dias já me estavam a nascer picos nas pernas. E nas virilhas ficavam bolas de pêlos encravados, algumas borbulhas infectadas, era um mau aspecto geral de vermelhidão (isto deixa de acontecer com laser alexandrite logo à primeira sessão). As miúdas de hoje nem sabem a sorte que têm de não ter de passar pelos métodos de tortura depilatória que outras mulheres passaram antes da existência desta tecnologia.

E porque penei tanto, adoro poder ajudar quem passa pelo mesmo. Já que tenho experiência, procuro dividi-la para que possam usufruir deste sentimento de liberdade que eu gozo há tantos anos.

Fui à tal publicação que li, peguei numa série de afirmações correctas, outras incorrectas, em mitos, para desmontar tudo em várias perguntas que coloco abaixo.

Fiquei chocada ao perceber que muitas afirmações vêm de supostas técnicas de depilação a laser. São representativas do mau serviço que se oferece em geral e da falta de conhecimentos. Sabiam que nos centros mais conhecidos do país as técnicas têm uma formação de cerca de meia dúzia de horas e começam a trabalhar? É preciso um bocadinho mais do que isso.

Sabiam que há centros que alegam ter médicos e que não há médico nenhum? Têm antes uma colaboração qualquer e chamam um médico quando necessário. E não é preciso presença médica para fazer depilação a laser (se se souber fazer). Isto não passa de um argumento de vendas. Se duvidam, perguntem onde está o médico. Estamos todos de acordo que quem tira medicina não tem como objectivo de vida ficar num escritório à espera de ser chamado por uma mulher com pêlos, certo? Esta ideia de existir um médico presente serve para dar ao cliente uma falsa segurança e uma sensação de "aqui são mais cuidadosos". Não, é tudo uma manobra de marketing.


Não se pode apanhar sol 15 dias antes, nem 15 dias depois.
Verdade, mas impreciso. Esta faixa temporal de antes e depois é o mínimo para não correr riscos de queimaduras numa pele sensibilizada pelo sol. No entanto, ainda que seja seguro fazer uma sessão de depilação a laser alexandrite 15 dias depois das férias (desde que não tenha existido um escaldão), estando a pele bronzeada, o efeito não é tão eficaz como tendo a pele branca. O laser alexandrite funciona por contraste do pêlo escuro com a pele branca, portanto, quanto maior for o contraste de cores, melhores os resultados. Eu sempre fiz as minhas sessões de setembro a abril. Por motivos que desconheço, na Ultimate Laser dizem-me que os meses de abril a julho são os que têm maior procura. Invistam no inverno, mulheres!

No post há quem afirme que no método de depilação diodo o período para não apanhar sol é de dois dias antes e depois da sessão. Dá logo que pensar, andam a fazer festinhas aos pêlos?


Depois de iniciar depilação a laser só se pode fazer depilação com lâmina.
Verdade. Para sucesso do tratamento, antes de dar início às sessões de depilação a laser não podem escolher métodos de arranque até que os pêlos estejam todos de fora (o tempo é variável de pessoa para pessoa). No dia de teste gratuito devem ir de pêlos para mostrar à profissional e ela fará o teste de laser alexandrite depilando uma pequena área com lâmina descartável. Depois desse teste passam a usar a lâmina em casa na véspera de cada sessão. E se entre sessões sentirem necessidade, também podem usar a lâmina à vontade.

Esqueçam esse mito de que as lâminas engrossam os pêlos! Por acaso têm o cabelo mais grosso depois de o cortarem uma vida inteira? O que acontece é que o formato do pêlo tem uma base mais larga e uma ponta fininha. Ao passar a lâmina estão a cortar a ponta fininha, o pêlo cresce com uma ponta que agora é do tamanho da base e parece mais grosso. Mas não é, é uma ilusão.

Também, à medida em que se fazem sessões de depilação a laser, os pêlos vão reduzindo de tal forma e ficando tão moles que mesmo usando uma lâmina deixam de fazer picos tantas vezes incómodos (eu lembro-me!).


É preciso comprar um gel de aloe vera?
Não. Os centros que vendem esse tipo de gel têm as técnicas treinadas e altamente pressionadas para fazer negócio. O gel de aloe vera é só parte do negócio onde ganham uma boa margem convencendo a cliente de que é uma necessidade. Estranhem centros que impingem cremes. O core business deve estar concentrado em prestar um serviço de depilação, não em vender cremes que são baratos com uma boa margem de lucro. Há centros a vender cremes de aloe vera a 20€ que se encontram no minipreço ou lidl a 2€.

Um centro de depilação como deve ser usa bons cremes, como faz por exemplo a Ultimate Laser que usa Biafine, um creme regenerador da pele receitado por qualquer médico dermatologista em caso de queimaduras. Se fica mais caro? Sim, mas a ideia é prestar um serviço como deve ser. Mais tarde se a cliente quiser ter o mesmo creme em casa compra na farmácia, não é o centro que o vende. Mas estando tudo OK, após a sessão usa-se Biafine e em casa pode usar-se um bom creme hidratante que não seja dado a alergias (sem perfume, brilhantes ou cor, por exemplo) e serve perfeitamente. Gosto muito do creme de bebé da Bioderma, para quem precisar de uma sugestão.


Laser alexandrite vs fotodepilação, luz pulsada e "primos".
Esta é das maiores confusões que vejo nas pessoas: não, não é tudo igual, mas tudo é baptizado de laser porque laser é o que funciona. Isto é algo técnico, mas vou tentar explicar: o laser alexandrite, a fotodepilação e semelhantes, todos funcionam com um disparo de luz que danifica a raiz do pêlo. Mas enquanto o laser alexandrite tem uma luz precisa, de uma só cor, com total absorção de energia pelo pêlo, a luz pulsada e "primas" têm uma luz de diversas cores, com dispersão na pele, sendo apenas uma parte do disparo absorvida pelo pêlo.


E essa diferença faz mal à pele?
Não. Mas o que acontece é que por consequência dessa diferença, o efeito não é o mesmo e o laser alexandrite é um método de eliminação do pêlo enquanto outros métodos são de enfraquecimento do pêlo. Ou seja, se as pessoas querem enfraquecer os pêlos mais vale optarem por luz pulsada, fica mais barato. Mas quem quer eliminar os pêlos (como eu, que há 13 anos não depilo as pernas), a eficácia está no laser alexandrite.

É importante ter em mente que estes métodos de depilação alternativos criam um problema se mudarem de ideias e quiserem afinal optar por eliminação do pêlo (em vez de enfraquecimento). Quando passam de um método para o outro, dão início às sessões com pêlos muito mais finos do que eram originalmente, com menos melanina (cor), apesar de existentes. Como o método funciona por contraste de cor, torna-se muito mais moroso chegar ao fim do tratamento. Ou seja, no fim sai mais caro do que ter imediatamente optado pelo alexandrite. Contas feitas, não fica mais barato.

Reparem, uma máquina de luz pulsada pode rondar um investimento de 10 ou 15 mil €, mas uma máquina de laser alexandrite vai aos 100 mil €. Estamos a falar de um tipo de serviço completamente diferente e que explica a diferença das tabelas de preços.

Toda a gente que trabalha no meio sabe que o método eficaz para eliminar pêlos é o laser alexandrite, mas comprar uma máquina dessas são negócios de investimento avultado que nem todos têm capacidade. Muitas pessoas optam por ter negócios de baixo risco, praticando valores de sessões com preços simpáticos e com isso ter mais clientela. É fácil encontrar negócios pequenos do tipo "Nelinha depilações" e poderão reparar que nunca são laser alexandrite.

Do outro lado da barricada, se procurarem, os poucos dermatologistas que oferecem serviços de depilação a laser nos consultórios, são sempre, mas sempre, alexandrite. Não encontrarão um único médico com luz pulsada num consultório. Claro, cobram fortunas, não andaram a estudar para tirar pêlos. Não se admirem se virem uma sessão a 300€ para as axilas.

No tal post li um comentário que dizia: "já fui a um sitio onde me garantiram que era laser e na realidade era luz pulsada (...) andei a gastar dinheiro para nada". Casos destes são mato.

Outro comentário dizia "já fiz os dois [alexandrite e diodo] e posso dizer que o mais eficaz é o alexandrite" e outro que dizia "o diodo é muito mais barato, mas necessita fazer todos os meses". E é aqui que está o "sucesso" do diodo. Como se faz todos os meses, há uma completa ilusão de que funciona, pois a cliente nem tem oportunidade de ver se crescem! Mas quando abandonam as sessões, ao fim de uns meses lá voltam os pêlos em esplendor e não estão desaparecidos como se achava. Estão enfraquecidos, sim. Têm menos cor, mas não estão desaparecidos e ter menos cor torna mais difícil acabar com eles.

No caso do alexandrite, o espaçamento entre sessões inicialmente é quase igual para toda a gente, mas ao fim de três ou quatro sessões não se admirem de ficar muito tempo sem lá ir. Eu cheguei a ter espaçamento de seis meses! Mas cada caso é um caso.


Outro comentário perguntava: "dói muito? É que o SHR não dói nadinha, parece uma massagem pelo corpo".
Logo aí é de estranhar. Massagens? Se fosse um método sem dor, eficaz e com gosto a massagem, é evidente que o SHR era o que existia no mercado e a aposta de todos os bons centros com capacidade de investimento. E seriam máquinas muito mais caras. Convém não esquecer que isto é um negócio, para quem vende as máquinas e para quem disponibiliza o serviço.

A extinta Não + Pêlo tinha luz pulsada, com menos dor, fecharam por que motivo? É um ciclo: apresenta-se como excelente solução, parece um sucesso, há clientes novos com frequência. O tempo passa, começa a circular a falta de resultados que vai de boca em boca, instala-se a insatisfação, segue-se a desistência de clientes, dá-se um "não vás que não vale a pena, existe outra coisa muito melhor", a facturação desce e dá-se o encerramento. Confesso que não conheço bem as especificidades do SHR, é mais uma luz pulsada que quase não existe no mercado e isso diz tudo.

Para quem tem medo da dor, recomendo a Ultimate Laser, onde além da máquina de depilação a laser alexandrite trabalham com uma segunda máquina em simultâneo, essa de refrigeração de última geração que sopra ar gelado na pele. É um sopro mesmo frio, mas nada como fazerem o teste gratuito e perceberem o que estou a dizer.


E as máquinas de luz pulsada caseiras?
Ahahahhah! Outra vez: ahahhaha!

Riquezas, segue a mesma lógica: se fosse bom e se 300€ chegassem para ficar sem pêlos já toda a gente tinha esgotado os stocks. Não serve para nada, é dinheiro deitado ao lixo. Ainda há dias falei com uma pessoa sobre isso (que também tem um blogue e é mais conhecida que eu). Disse que era tão mau e tão insignificante que não percebia como aquilo estava à venda.


O laser alexandrite vai mesmo deixar-me sem um único pêlo?
Ninguém sabe. Há pessoas que ficam carecas, outras que ficam com um ou outro pêlo e se os eliminarem com laser aparecem uma vez por ano ou assim. Eu considero que fiquei sem pêlos, mas tenho um pêlo atrás no gémeo e outro à frente, mais perto do tornozelo. Caramba, sou da opinião que fiquei sem pêlos, isto é insignificante! Às vezes tiro com uma pinça, mas sai até se puxar com a unha. Outras vezes peço à Ultimate Laser "dá aqui um disparo". Voltam sempre, são doidos, resistentes, não morrem nem à lei da bala. Mas crescem uma vez por ano, não me incomodam. O mesmo acontece nas axilas, três pêlos de um lado e quatro do outro, aparecem de tempos a tempos e são tão finos que às vezes mal os vejo.

Toda a gente deve ter reparado, temos pêlos que quando arrancamos vemos que existe uma raiz branca, um pontinho branco em vez de uma bolinha preta e gorda. Os pêlos de raiz branca, por não terem cor, não conduzem a energia e por isso não se conseguem eliminar com laser. Caem na mesma, demoram a crescer, mas não são eliminados. Os pêlos brancos de velhice seguem a mesma lógica.

E é isto, pode acontecer, pode não acontecer, podem ser dois pêlos, podem ser uma dúzia, ninguém sabe. Mas que o alexandrite é revolucionário e transforma a vida das mulheres no que respeita à depilação, isso ninguém pode desmentir.


Quantas sessões de laser alexandrite vou ter de fazer?
Ninguém sabe. Existe uma média de 6 sessões por zona/pessoa, mas é uma média. Para terem uma ideia, no buço fiz umas 20, mas valeu a pena. Ao valor que custa (15€ na Ultimate Laser), mais vale insistir numa zona que é difícil e pagar esse valor do que andar a arrancar com cera, serviço pelo qual cobram quase o mesmo valor, em vez de dar esticões na pele que são de uma agressividade enorme. Daqui a uns anos queixam-se que têm aqueles riscos enrugados na extensão do bigode. Not for me!


Li este método de uma técnica: usa cera entre sessões, alegadamente como sendo um caminho mais rápido para as últimas duas sessões e com o argumento de que os pêlos ao serem arrancados ao mesmo tempo vão ter um crescimento homogéneo e vão estar na fase correta para a luz pulsada fazer efeito.
O que vai para aqui! Nada disto faz sentido. Facto: os pêlos não crescem todos ao mesmo tempo, mesmo que arrancados com cera. Outro facto: o laser funciona por contraste da cor e do pêlo. Se tiverem sido arrancados, uns ainda estarão por crescer, logo, não vão todos receber a energia do disparo. O que é que acontece aqui? Uma aparente sessão de sucesso.

Depois de começarem um tratamento a laser alexandrite nunca mais usam métodos de arranque. E se alguém vos sugerir isso, fujam, estão a ser mal servidas.


Posso fazer depilação a laser se estiver a amamentar?
Sim, sem problemas. Como disse, o laser alexandrite funciona por contrate de cor de um pêlo na pele e a energia do laser é absorvida pelo pêlo destruindo a raiz, mas preservando a pele circundante. O que seria ser de outra maneira... Além disso, o laser incide na epiderme, na camada superficial da pele, não penetra nos órgãos.

Li no post uma asneira em que alguém informa que não se pode fazer depilação a laser enquanto se amamenta porque seca o leite. A sério, poupem as pessoas a estes mitos. O que é que o laser na pele e nos pêlos pode ter a ver com a produção de leite nas maminhas?

O que pode existir, dependendo das mulheres, é uma sensibilidade maior na fase de amamentação, mas não tem qualquer relevância na eficácia do tratamento. Há pessoas mais sensíveis e outras menos. Eu própria tive sessões mais desconfortáveis e a máquina era a mesma, mas geralmente dormitava. Somos mulheres de fases, todas. As sessões nunca vão ser todas iguais, também não foram para mim.

A depilação a laser alexandrite até grávida se pode fazer, mas os centros não fazem para evitar problemas. Se acontece alguma coisa de errado na gravidez as pessoas têm necessidade de atribuir culpas, pelo que os centros tomam essa precaução para se proteger. Eu fiz laser alexandrite no início da gravidez nos quatro pêlos que tenho nas axilas, no entanto fizeram a axila inteira. O laser insere na pele e no pêlo, não entra nos órgãos, tenham isso em mente.

Again, a única questão da gravidez ou amamentação é ter pele sensível (ou não) e poder ser mais doloroso (ou não). Podem existir alguns casos que devido às alterações hormonais e a um aumento de pêlos se considere um desperdício, mas são casos tão raros que nem merecem reflexão aqui. São raríssimas as mulheres que notam aumento de pêlos (pêlos, não penugem) durante a gravidez, isso não tem expressão.


Se tiverem mais questões, enviem que eu vou acrescentando ao texto.
Boas depilações!






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28.6.19

I love home style #37




Um dia vou ter um portão assim.



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26.6.19

Crescer anda de mãos dadas com o risco



Fiz um enorme investimento para crescer.
Cometi uma loucura.
De cada vez que ganho dinheiro, lá estou eu a investi-lo.
É o milagre do desaparecimento!

Quanto tempo demora para ficar rica?

Novidades em Julho.
Wish me luck! 




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25.6.19

Desejos: "colocar fezes nas caixas de correio dos vizinhos e tacinhas de milho nas varandas"




Até 2019 achava que vivia num prédio com gente do bem, civilizada, mas então as necessidades de uma vizinha levaram à colocação de cortinas de vidro e os umbigos da vizinhança exibiram-se em todo o seu esplendor.

Tem sido inenarrável observar todo o egoísmo e hipocrisia que ali reina, lixando a vida a quem desespera por segurança e higiene, a quem fez investiu um dinheirão, acenando com acções em tribunal, mas acabando todas as comunicações com frases do tipo "muito prezamos a vizinha e sempre manteremos a melhor relação". [Inserir palavrão]. [Inserir palavrão]. [Inserir palavrão].

Isto dá-me vontade de vender a casa a uma família de 10 pessoas de etnia cigana para só assim desejarem ter tido maior cuidado com as necessidade de quem mora na porta ao lado.

Vejamos, há uns anos deu-se no prédio uma praga de pombos em registo apocalipse. Não havia palavras para os cocós que se acumulavam num par de dias, o estado das varandas, a dificuldade de limpar os dejectos, os pombos a barulhar ao raiar do sol... quantas vezes o PAM subiu os estores para se colocar aos gritos às seis da matina, numa vã tentativa de espantar os pombos. No limite chegou mesmo a usar uma pressão de ar.

Acontecer isto num dia seria chato, agora imaginem todos os dias. Era altamente desgastante e perturbador do nosso descanso. Fomos usando várias estratégias, entre elas verdadeiros atentados ao bom gosto, como pendurar alguns compact discs na varanda esperando que o reflexo do disco em arco-íris afugentasse os bichos.

Entretanto, junto de médicos veterinários aprendemos: os pombos (além do inferno e da porcaria que provocam) são chamados de "ratos do ar", transportam todo o tipo de doenças como os ratos. E são animais fiéis, acasalam com a mesma parelha e no mesmo local a vida toda, pelo que livrarmo-nos dos casalinhos roçava o impossível.

Comecei a pensar em colocar uma cortina de vidro na varanda, recebemos a empresa em casa e um orçamento de três mil euros que soou como uma chapada. Não nos apeteceu fazer naquele momento, deixámos para outra altura. Entretanto a Carminho nasceu, colocámos vidros até ao peito na varanda das traseiras e as cortinas de vidro na varanda da frente ficariam para outra altura, quando a criança começasse a andar.

Várias vezes pedimos à administração de condomínio uma reunião sobre este assunto, mas foi-se falando em encontros casuais nas escadas e nunca aconteceu. No espaço de três anos em que isto se passou e com o drama dos pombos, algumas pessoas que eram contra as cortinas de vidro às tantas já eram a favor. Mas nunca se formalizou nada.

O último inverno foi generoso, os pombos quase desertaram, achámos nós. Não desapareceram completamente, mas a situação tornou-se quase suportável, tirando algumas manhãs esporádicas.

E então descobrimos, os pombos não tinham desertado! Apenas mudaram de varanda para a minha vizinha de baixo, para uma divisão da casa que não usa e que tem os estores fechados. O vizinho do lado começou a sentir cheiros, a ter o espaço dele sempre cheio de moscas, um dia debruçou-se na varanda para ver a do lado e deparou-se com um estado de calamidade total: inúmeras famílias, ovos, o aparato de fezes de pombo era tal que havia montes com um palmo de altura (literalmente). Era como se uma casa tivesse sido abandonada e largada aos pombos.

A vizinha foi então alertada, foi até à varanda da divisão que não usa, encontrou um problema de risco biológico. Teve de contratar um serviço especializado, daqueles que limpam cenas de homicídios, o que lhe custou 4.365,45€. Trocos!

Ora, isto não ia resolver o problema, isto apenas serviu para limpar a varanda, os pombos ali continuariam, o que também foi informação cedida pela empresa de limpeza. Então, falou com o administrador de condomínio (e vizinho do lado afectado) sobre a colocação de cortinas de vidro. Chamou uma empresa, mostrou o orçamento e tal, passaram umas semanas, a vizinha colocou as cortinas de vidro ao valor de 4.082,37€ e deu-se um "ai jesus" no prédio.

Honestamente, eu nem reparei nas cortinas de vidro colocadas. Já tinham passado alguns dias quando alguém reparou e deu o alarme. E ninguém reparou porque não existe impacto arquitectónico!

Uma curiosidade é que as cortinas não eram minhas por acaso. Desconhecia o que se passava no andar de baixo e estava prestes a avançar com as minhas cortinas de vidro depois de falar com a Câmara Municipal e de me informarem que consideram "uma obra sem relevância urbanística", não existindo uma alteração de estrutura e por isso não carecendo de autorização.

Safei-me por uma questão de semanas e deu-se no prédio um alvoroço numa troca de emails. Marcou-se uma reunião de condomínio que foi a coisa mais triste e degradante de ouvir, um desfile de umbigos enormes, completamente a cagar-se para o facto de eu ter expressado que a varanda me provoca ansiedade (vivo no último andar), expliquei que já encontrei as portas encostadas esquecidas por duas vezes e que a segurança da minha filha é fundamental para mim e para o meu bem-estar mental.

Igualmente, mostraram-se completamente a cagar para a necessidade de higiene da vizinha, tudo com o argumento de que existe uma "marquise" (que não é, isso obriga a uma autorização de obra) e o argumento de se um dia quiserem vender a casa, eventuais compradores podem desistir porque uma das varandas tem vidros. Isto mostra-se ainda mais estúpido quando o prédio tem TODO varandas diferentes porque é assim de origem.

Daquela reunião resultou por maioria (dos presentes) que a vizinha tinha de retirar a cortina de vidro, como se tivesse sido um mero capricho dela.

Juro, tinham de ir parar a uma cadeira de rodas, precisar de montar estruturas elevatórias nos espaços comuns do prédio, sentir o que é uma necessidade e ver um egoísta dizer "voto não porque acho feio". Achei tudo tão triste que me levantei com a desculpa de ter mudar a fralda à cria e abandonei a reunião, deixando o PAM na sala. Não deu para partilhar o ar com tanto egoísmo.

O tempo passou, a vizinha não aceitou o pedido de retirar as cortinas e esta semana recebeu uma carta da administração de condomínio a dizer que vão avançar com uma acção em tribunal. Eu nem sei se isto é legal, podem gastar o dinheiro do condomínio assim, à parva?

Aaaah, mereciam fezes nas caixas do correio e que eu mandasse colocar uma rede de protecção neon na varanda (não é preciso autorização para redes de protecção). Se não fosse apanhada, mandava o drone do PAM às varandas com tacinhas de milho para só assim perceberem como nos afecta na higiene e no bem-estar ter uma praga de pombos em casa. [No caso de algum vizinho me ler, como é evidente, isto é uma ironia].

Entretanto, em fevereiro escrevi este post em que me deram algumas dicas. Há quem pergunte o que diz o regulamento de condomínio (no caso do nosso prédio acho que não existe um regulamento) e quem alegue que a decisão de colocar cortinas de vidro tem de ser aprovada por dois terços dos condóminos. Mas, again, à nossa excepção só compareceram na reunião os moradores contra. Os neutros ou a favor ou não se pronunciaram ou pronunciaram-se sem efeito, pois tudo isto é demasiado burocrático, um simples "a favor ou contra" por email não chega, é preciso uma procuração e eu percebo, as pessoas têm mais do que fazer. Juro que percebo. E por outro lado, outras pessoas há que não sendo da importância na vida delas, não comunicam e desconhece-se se são a favor ou contra. O que opino como desconsideração.

Acontece que este argumento de ter de ser aprovado por maioria de condóminos não chega. A lei diz que o direito à habitação condigna tem protecção constitucional. Também existe o direito a um urbanismo ordenado, mas em caso de colisão, prevalece o que se considera superior.

Entretanto soubemos de dois casos em que o tribunal deu razão a quem colocou as cortinas de vidro, exactamente casos que reflectiam o direito à habitação condigna e de segurança com menores. Infelizmente não consigo obter os acórdãos para mostrar aos vizinhos e ver se poupam o dinheiro do condomínio para ser aplicado no que realmente precisamos, como lâmpadas, pequenas obras, etc.

Portanto, preciso de um/a advogado/a que seja uma barra nesta matéria, que já tenha tido experiências semelhantes anteriormente. E preciso ainda de precedentes em que tenha sido dada razão a quem quis colocar cortinas de vidro por motivos de higiene e/ou segurança. Alguém já passou por isto?


Nota: as cortinas de vidro são painéis de vidro amovíveis que podem ser todos recolhidos a um canto ou podem ser estendidos tapando a varanda e oferecendo segurança, diminuição do ruído, higiene, etc. Não é uma marquise, isso carece de autorização de obra, isto são vidros amovíveis que não carecem de permissão para colocação, no caso da minha Câmara. A estrutura resume-se a calhas aparafusadas ao tecto e chão, colocação de vidros deslizantes nas calhas e é só. No caso de ser necessário retirar só é preciso força de braços e desaparafusadora, não existe obra. No entanto, pelo que investiguei e por ser uma coisa nova, parece não ser igual em todo o país e cada Câmara vê a coisa da sua maneira.





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24.6.19

Sandálias (boas) para criança: é um filme!






Este NÃO É um post encomendado.


Em Maio, quando se deram aqueles calores de verão inesperados, desesperei com os pés da Carmencita. Era suposto ser uma época de temperaturas amenas, tinha calçado confortável para ela a pensar na primavera. Não estava preparada para sandálias, não tinha nada em casa, não estava propriamente com tempo de procurar, senti-me sem saber o que fazer, sabendo que é uma missão quase impossível encontrar calçado de criança confortável, adequado e que não seja feio. A sério, é uma missão.

Eu queria umas sandálias de tiras, normais, simples. Dias antes tinha passado numa loja multimarcas por acaso, estava apenas a fazer tempo, e foi com agrado que reparei que a Chicco é esperta: peguei numa sandálias (estas) para olhar com olhos de "sapateira" e vibrei ao ver que a marca cose o adereço em vez de o colar. Ou seja, para quem gosta das sandálias assim, perfeito. Para quem não gosta do laço, basta descoser com cuidado. É maravilhoso que sejam colocadas as duas hipóteses.

Estava de passagem, não ia com intenção de fazer compras, nem sabia se havia de optar por um tamanho 23 ou 24, mas não me saíram da cabeça. Voltaria mais tarde com a cria, pensei. Mas de repente deu-se um calor abrasador, fui remediando com uns ténis, até que um dia à noite descalcei a criança e até tinha as meias molhadas.

Senti-me tão mal, a minha filha não tem culpa do caos da minha vida. Peguei nela e às dez da noite, com um calor de Agosto, rumei à Chicco do Colombo.

Os primeiros sapatos da Carminho foram Chicco (ler aqui) e não podiam ter-me deixado mais felizes e boas memórias. De todas as marcas que conheço para este segmento, a Chicco é quem reúne a melhor relação qualidade/preço. Ao nível de qualidade das peles, forro interior, palmilha e forro, estão num pódio de sucesso.

Mas naquele dia cheguei ao Colombo e não tinham as sandálias brancas que me tinham ficado no pensamento. Foi uma facada nos meus planos! Explorei o que havia e descobri estas, as Ceryl (que descobri agora também há em branco, mas não havia na loja). Gostei imediatamente das sandálias, o que importa está lá, mas se gostava das estrelas não sabia dizer. Tenho a certeza que gostaria se as estrelas fossem da mesma pele que as tiras, assim em brilhante deixavam-me dúvidas. Mas tal como as Calista, as Ceryl tinham as estrelas cosidas que eu pensei "se não gostar tiro mais tarde".

A estreia revelou-se óptima, nem uma bolha, nem uma marca, boa qualidade de materiais, boa palmilha, sola impecável, correspondeu perfeitamente às expectativas. Andou os primeiros dias com as sandálias com estrelas, mais tarde descosi para ser mais fácil de combinar com as roupas.

Para quem tem filhos pequenos, raparigas ou rapazes, garanto que não se arrependem desta compra. Ao tirar as estrelas o modelo é completamente unissexo. E podem aproveitar a época que está em promoções. Quase me dá vontade de arriscar e comprar já para o ano que vem. É que é tão difícil encontrar bons sapatos que penso nestas estratégias de comprar por antecipação.

Sem querer enveredar pelo segmento infantil nos meus negócios, um dos meus sonhos recentes era ter a Chicco a convidar-me para criar dois ou três modelos com aquelas palmilhas e solas que só eles fazem. Adorava, adorava! Se me lêem, pick me, pick me! Leitoras, digam lá se não era boa ideia? Vá, sonhar não custa.





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21.6.19

Going to the movies: Rocketman



Trailer aqui

Sublime. Mas sublime, mesmo.

Há meses, quando vi o trailer do Rocketman, fiquei em pulgas para ver o filme. Ah, eu queria que fosse logo no dia a seguir e ainda faltava tanto tempo. O Elton John faz parte da minha infância, da minha adolescência, era o que a minha mãe ouvia e ouve, os meus tios, sei letras e letras de memória. Estava cá dentro um bom feeling e uma vontade enorme de ver o filme.

Tirei uma tarde de trabalho para ir ver o filme e quando começou levei um murro no estômago: é meio musical (não se percebe no trailer) e eu não gosto de musicais. Nem o PAM. Olhámos um para o outro com olhos de desilusão, mas já estávamos na sala de cinema.

Ainda bem que eu não sabia deste facto, porque provavelmente não teria ido ver e teria perdido um  grande filme. Toda a história com fases tão trágicas e tristes, de alguém que parece ser feliz, milhões de pessoas a quererem ouvi-lo, a querer estar com ele, um mega sucesso, mas infeliz, solitário e depressivo. Não conhecia a história, sabia apenas alguns factos soltos e sem ordem cronológica. O filme é tão bom, tão bom, a música é tão boa que nos esquecemos que é um musical. Na verdade, têm de arranjar uma outra categoria para este tipo de filme porque não o vejo como conheço os musicais.

São cerca de duas décadas de história onde encontramos o contexto de muitas das músicas na vida do Elton John, compreendemos as letras para lá do que dizem, conhecemos a maravilhosa história de amizade com o amigo Bernie Taupin que lhe escrevia letras tão magníficas, vemos a vida de abusos, a mãe e o pai detestáveis, o génio musical que com idade de criança percebeu os sons de cada tecla de piano e conseguia tocar as músicas que a avô ouvia na rádio só de ouvido, o génio musical que lia uma letra e já imaginava a música que a ia acompanhar, os estádios cheios, as roupas teatrais, a luta contra a sua sexualidade, neste filme há tanto de maravilhoso e mágico como de desconcertante. 

O Elton John acompanhou o filme, é autorizado por ele, contribuiu com as suas memórias e esteve presente na estreia em Cannes. Não é um filme feito à revelia, o que o torna tudo ainda mais interessante.

Sabem quando saímos do cinema sem conseguir falar? É assim de bom. Quando o filme acabou poderia ter começado de novo, eu voltava a ver. Cheguei a casa e corri à internet para saber o que era verdadeiro e o que era ficção. Recomendo muito, muito.

E para quem gosta de Elton John, este carpool com o James Corden vale a pena.






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3.6.19

I love home style #36



Os tapetes e os sofás já estão. A arte está quase. As prateleiras virão.

Vejo a possibilidade de colocar uma estrelícia na sala quase, quase. Mas para isso é preciso a colaboração do homem e isso, riquezas, é cansativo como ter de lidar com as finanças.

É preciso um imenso poder de infernizar a cabeça de um homem. 
Com ele as coisas concretizam-se pelo cansaço.




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31.5.19

É este fim-de-semana!



Uuhhhh, é este fim-de-semana!
Adoro o Summer Market Stylista, só coisas giras e comida boa.

Eu lá estarei com os bikinis e fatos de banho ROS Lisbon.
Apareçam para dizer olá e levar-me uma garrafinha de oxigénio. Ali o trabalho não pára e chego ao fim do mercado como se tivesse sido atropelada.






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30.5.19

Fauna e Flora - que comida tão boa!


O Fauna e Flora é um sítio muito instagramável que eu conheci por via de influencers. De repente toda a gente ia ali e eu também queria ir - não por esse motivo - mas porque de facto a comida nas fotos parecia realmente atraente. E com o que eu gosto de comida e de um brunch, as minhas papilas tinham de passar por ali.

Um dia, já muitos meses depois de saber da existência do espaço, lá rumámos a este café ou restaurante em Santos. A fila era enorme, mas eu estava grávida (acho) e tinha alguma prioridade. Seja como for, esperámos uns bons 40 minutos por mesa. A vontade era muita e a espera não desiludiu.

Desde esse dia voltámos à porta algumas vezes para desistir desiludidos. O sucesso é bom, mas não dá para lidar com aquelas filas de pessoas e tempo de espera. Não sei como está esse aspecto hoje em dia, mas como a vida profissional nos permite, optámos então por adoptar uma estratégia: vamos almoçar em dias da semana e depois da hora típica de almoço. Assim não esperamos, mas tem sempre gente na mesma. Tentamos ir uma vez por mês, mais ou menos.

Desde a primeira vez repetimos os mesmos pratos, é tão bom que não dá para variar. Nunca comi disto noutros restaurantes. Começamos por dividir o açaí bowl (6,50€) que pela sua cobertura de fruta e muesli de excelente qualidade é dos melhores açaí que já comi - sendo que tenho muita experiência de Brasil. A tosta tericow (8,50€) é uma tosta perfeita que poderia comer todos os dias: picadinho de vaca em pão torrado, com abacate, cebola crocante, ovos perfeitamente escalfados (os mais perfeitos que já comi) e rebentos, toda uma combinação de ir ao céu que também dá para dois. Seguem-se umas panquecas guilty (6,50€) de manteiga de amendoim, banana, chocolate quente, amendoins salgados caramelizados, não há explicação e comemos os dois, mas dava para três. Tudo regado a um smoothie paradise (4€).

Riquezas, experimentem. A sério, em nenhum sítio como os paladares que oferecem no Fauna e Flora, é um espaço que adoro, adoro, adoro. Se gostarem dos ingredientes, sigam o nosso cardápio, não vão ficar desiludidos. 

O serviço é bom, o espaço é bonito, o pessoal é simpático e bem disposto, têm uma comunicação muito gira no instagram, eles só pecam pela falta de espaço (imagino que o sucesso tenha superado largamente as expectativas) e pelo facto de fecharem para férias, uma opção muito 1980. 

Recomendo muito! Bués, bués!





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Airbnb: nas costas do Castelo e com uma vista soberba






Riquezas, trago-vos mais um spot de Airbnb onde ficar em Lisboa, com uma vista tãaaao boa que não há olhos que cheguem para a imensidão de cidade que se avista daquelas varandas.

O prédio é dos meus tios, em cima das costas do Castelo de São Jorge, mesmo no centro de Lisboa antiga. Construíram o prédio e num pequeno apartamento no último andar criaram um Airbnb gerido pela minha prima, cujo perfil de Airbnb podem consultar aqui. É uma pro de Airbnb, faz disto vida, está mais do que habituada a receber hóspedes e ajudar no que um hóspede precisa. Também ela tem um rating muito bom.

O apartamento é completamente novo, os olhos agradecem a decoração, tem elevador, tem nota máxima em tudo (limpeza, comunicação, localização, etc.), que isto de quem tem negócios na família é com rigor. Só acho que as fotos não fazem justiça à beleza da vista. Isto requeria fotos profissionais, darei o toque ao meu tio! Portanto, se acham bom, na verdade ao vivo é muito melhor, com mais luz e mais bonito.

As seguidoras do blogue perguntam-me sempre por espaços onde ficar em Lisboa, esta é mais uma boa recomendação. Não escrevo isto porque queira dar negócio aos meus tios, mas porque sei que os hóspedes vão ser bem recebidos, numa óptima localização, a um bom preço e com uma vista de que não se vão esquecer. E porque é muito mais confortável optar por um Airbnb com quem existe uma espécie de relação de "confiança" do que através de totais estranhos. Todos os elogios são verdadeiros.

Se não conseguirem datas nesta casa do Castelo, não fiquem tristes, também em Lisboa têm aqui os dois apartamentos de outra tia minha e aqui e aqui os dois apartamentos da minha irmã. 

A quem interessar um desconto AirBnb, marquem através deste link que está ligado ao meu perfil. Desta forma vão numa espécie de recomendação da minha parte e pagam menos 35€ na primeira noite.

Já tenho feito outras sugestões de Airbnb, tudo experiências pessoais ou pessoas da minha confiança. Em Portugal ou noutros países, para conhecerem as casas onde já estive e recomendo, basta clicar neste link.

Boas viagens!





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29.5.19

Séries: O desaparecimento de Madeleine McCann



Trailer aqui.

O nome dispensa apresentações, poucas serão as pessoas no mundo que não saibam do desaparecimento da Madeleine McCann, quanto mais se forem portugueses. Acompanhei o caso desde o dia zero, na altura era estudante de comunicação e todo aquele aparato mediático era (e continua a ser) digno de estudo.

Esta série que me parece isenta - começa de uma forma e acaba de outra - é tão boa que não há palavras. Está aqui um trabalho jornalístico de juntar peças, de falar com especialistas de todo o mundo, com envolvidos nas investigações de todas as nacionalidades, o resultado é digno de Óscar, se houvesse para trabalhos de investigação.

Talvez importe dizer que eu tenho a convicção de que aqueles pais são pais em sofrimento e que nada têm a ver com o sumiço da criança. Não só tenho essa convicção como é um assunto tão sério, tão grave, uma realidade que me deixa tão melindrada, que eu não tenho paciência para ler/ouvir as teorias da conspiração. E ainda chega a meter-me nojo as piadas que se fazem em torno do assunto.

Sim, há limites para o humor. Enquanto os humoristas acham que tudo é válido, a linha só deve ser traçada se for o filho deles a desaparecer. A sério, a estes parvos que se põem com graçolas, deviam perder os filhos por um dia para abrir a pestana e ver se tinha graça fazer piadas sobre o assunto. Falta-lhes angústia, falta-lhes sofrimento na pele para perceber o que tem piada brincar ou não.

Nem me quero alongar sobre as piadas de parvos, a desgraça alheia não me dá vontade de rir, dá-me antes medo que me possa acontecer a mim, ainda que seja improvável e que apenas uma muito pequena parte da população viva situações destas.

Não existem crimes perfeitos, mas existem crimes escondidos por muito tempo. Espero que este seja um desses casos. Não acredito numa mão cheia de adultos que estão de férias num país que não conhecem, com mais não sei quantos empregados de hotel, mais pessoas na rua, menos carro que não têm, poupem-me... um corpo não é fácil de esconder num par de horas num país desconhecido.

Além disso, há a luta daqueles pais que se empenham numa campanha sem fim e passam os dias a tentar novos focos de atenção, retomar o caso, quando podiam perfeitamente ter deixado o caso entregue às autoridades e sossegar na terra deles. São activos, não descansam e isso não é um álibi.

As mentiras que envolveram o circo mediático foram vergonhosas. Mas a forma como se comportou a nossa polícia foi abaixo dos mínimos. A série dá um retrato da polícia portuguesa abaixo de cão, provincianos, falta de conhecimentos, o Gonçalo Amaral aparece como um tipo armado em xerife tão cheio dele próprio que não coube espaço a linhas de investigação que não fossem as que ele pessoalmente acreditava. Aquele argumento de "os lençóis estavam esticados, parecia que ninguém se tinha deitado na cama", ó filho! Devias ver como ficam os meus lençóis de baixo que têm elástico.

Na investigação mediática não há paciência para a discussão se a mãe tem cara de quem sofre ou não. Sabemos lá que cara de sofrimento faríamos se nos desaparecesse um filho e nos dissessem que tínhamos de representar de determinada maneira em frente aos meios de comunicação para proteger a vida da criança!

A série começa o desaparecimento da miúda, a GNR chega uns 40 minutos depois do alerta (certamente com a criança já a atravessar a fronteira e a chegar a Espanha). Os episódios passam com os pais da Maddie a parecer que "cheiram mal", com uma polícia portuguesa absolutamente vergonhosa até começar a investigação a sério, já bem mais tarde do que seria suposto. Um ano depois?

Os últimos três episódios sorvi-os. O PAM deixou de ver, aquilo estava a causar-lhe uma angústia desgraçada, preferiu deixar de ver, não estava a conseguir lidar com o abrir de portas de uma realidade que jamais pensaríamos existir em Portugal, um país tão pacato. Com a desistência dele fiquei uma noite a acabar de ver a série até às quatro da matina. Deitei-me sem conseguir dormir, acordei a pensar na série, estive dias e dias a pensar no assunto. 

O documentário é assim de bom, acho que era capaz de ver outra vez. Infelizmente é uma história real. Uma história real em que todos os especialistas mundiais apostam na inocência dos McCann (com base nas provas) e depois há o Gonçalo Amaral e os comentadores de redes sociais, o Zé Povinho, que ocupam espaço na internet quais mestres da investigação sem escolaridade obrigatória.


*** MAIS OU MENOS SPOILER ***

O detective espanhol contratado é sublime, inacreditável de ouvir. O que ele conta é de causar arrepios. Não queria estar no lugar dele.

A cena dos cães é completamente parva e inconclusiva. Se o boneco tem o cheirinho a cadáver, pode parecer perfeitamente normal quando os pais são médicos e trabalham em ambiente hospitalar.

Cheirar qualquer coisa num carro que foi alugado depois do desaparecimento da miúda é andar a gozar com as pessoas. Fizeram o quê? Esconderam o corpo debaixo da cama e foram desaparecer com ele mais tarde num carro alugado quase um mês depois?

O milionário que decidiu ajudar os McCann apenas porque sim, é extraordinário. Ajudar é gratificante, (quase) todos sabemos, mas pôr as mãos na massa e poder ajudar na prática deve ser um sentimento muito bom.

As agências e pessoas que se aproveitaram do sofrimento destes pais receberão a lei do retorno. É preciso acreditar nisso.

No dia a seguir ao rapto, aquela cena da mulher em Barcelona é sinistra e altamente suspeita.

Aquele especialista internacional que começa por achar que os pais estão envolvidos para mudar completamente de opinião (com base na sua experiência de investigação) era onde o Gonçalo Amaral devia colocar os olhos.

Fica claro que existe no Algarve uma operação criminosa de tráfico de pessoas.

O pico da série está no 7º episódio, quando uma estrangeira aluga uma casa no Algarve, um dia recebe um homem à porta num falso peditório para um orfanato que não existe (mas ela ainda não sabe). A mulher sente-se desconfortável naquele contacto, sente que ele só olha para a filha atrás dela, sentada no meio da sala a brincar. Despacha o homem e não pensa mais no assunto. No dia seguinte a mulher está sozinha na casa alugada com a filha, desce as escadas com um alguidar de roupa para lavar, faz a curva para a sala e lá está o mesmo homem sinistro de pé junto à filha, no meio da sala, entrado por uma janela. A simulação e descrição deste momento vivido por uma estrangeira de férias no Algarve é uma coisa absolutamente arrepiante. Juro, literalmente me arrepiei toda e levantei os braços à cabeça. É o pico do documentário e a prova de que algo muito estranho se passa no Algarve.


*******

Existem fundos para prevenir e interromper o terrorismo, para travar as drogas, há tanto conhecimento em volta destes dois problemas, mas o desaparecimento de crianças parece ser tão omisso no que toca a esforços de autoridades que não se compreende. E quando alguém nos abre as portas a este mundo, a dimensão é assustadora: todos os anos, POR ANO, desaparecem 25 mil crianças na Austrália, 40 mil crianças no Brasil, 33 mil em Espanha, 424 mil nos EUA e a lista de países continua com números aos milhares. Alguém consegue reflectir e perceber que estes números não sejam uma prioridade tão importante quanto a luta contra o terrorismo?

Em Portugal, em 2006, desapareceram 31 menores. Não acham isto um número muito grande para Portugal? Alguma vez deram conta desta dimensão? Destas, 24 foram entretanto encontradas, 2 foram encontradas mortas, as restantes continuam desaparecidas.

No fim do documentário ficamos a saber que Portugal é um país sem desaparecimentos significativos em número anual quando comparado com outros países, mas acontecem e é palco de passagem para tráfico de mulheres e de menores. Fiquei com a plena consciência disto e sou da opinião que qualquer mãe/pai devia ver esta série, com especial atenção nos últimos episódios, onde focam outras casos, contam como se processam raptos de menores, falam de casos em Portugal, focam as agências que ajudam nestas situações, é tudo de levar as mãos à cabeça. E de não reconhecer o nosso país. 

Por exemplo, não sabia, não tenho mesmo memória deste caso, mas em leituras posteriores à série descobri que em 1996 desapareceu de uma praia em Aljezur, de uma forma inexplicável como que engolido pela terra, um menino alemão, René Hasée, de seis anos. Não me lembro mesmo de mediatização do caso e não se encontra muita coisa online. No entanto, todos os anos, há 17 anos, ali rumam os pais em busca de um filho desaparecido que terá nesta altura 23 anos.

Outro exemplo, desta vez a norte, esta semana dei com esta notícia de um desaparecimento em 1994. Alguém se lembra deste caso? A ser verdade esta notícia, como é que é possível que o caso tenha sido conduzido assim cheio de pontas soltas. E como? Como? Como é que se destroem processos de desaparecidos que nunca apareceram porque já prescreveu? Ao menos entregassem a papelada à família!

Percebo quem seja como o PAM e prefira não saber, mas entre a escuridão da ignorância ou a luz da informação, eu preferi saber. Depois de ver a série, depois de tudo o que fui lendo pela sede de saber mais que o documentário me provocou, nunca mais saí à rua com a Carminho da mesma maneira. Acho mesmo foi para mim um ponto de viragem na forma como vejo a minha filha em sítios públicos e olho para estranhos.

Se eu acredito que a Maddie está viva? Não sei. Se por um lado a lógica me diz que todo o circo que se montou tinha melhor solução com a morte dela, por outro lado existem outros casos em que a probabilidade da morte da/o desaparecida/o era alta, mas 20 ou 30 anos depois aparecem saídos de uma cave escura onde viveram a vida inteira. Nunca se sabe. Mas se pudesse pedir, espero que um dia apareça. Até porque era preciso esfregar isso na cara do Gonçalo Amaral.

A não perder.


"As a parent of an abducted child, I can tell you that it is the most painful and agonising experience you could ever imagine. My thoughts of the fear, confusion and loss of love and security that my precious daughter has had to endure are unbearable - crippling. And yet I am not the victim, Madeleine is", Kate McCann.





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28.5.19

Mergulhos à vista!


Isto de criar colecções de swimwear é um trabalho que para mim já tem alguns anos de experiência, aprendizagem, técnica e muita evolução. Se é verdade que todos os anos gostei das minhas colecções, não é mentira que hoje olho para trás e já não me identifico com algumas criações.

Acho que em nenhum ano quis ter para mim tantos fatos de banho e bikinis como neste ano de 2019. Mas sou uma empresária comedida, ficar com modelos para mim significa custos para a empresa. É evidente que me reservo ao direito de escolher algumas unidades, mas não sou de registo abusador, não tenho um de cada, nem nada parecido. E muitas vezes fico com protótipos que têm pequenos defeitos que só eu sei. Não há lugar a desperdícios.

Se noutros anos era certeira e sabia mais ou menos o que queria, este ano a escolha está complicada. Comecei com uma lista de 14 unidades, pensei "que abuso!" - a contar com os que já tenho e ainda virei a ter - e tenho vindo a reduzir a lista. Esta redução é facilitada pelas críticas negativas do homem aos "não tens idade" e também pelas formas roliças com que me vejo ao espelho e já tiveram melhores dias.

Ainda assim, há modelos de que gosto tanto que mandei fazer em restos de padrões de anos anteriores para aproveitamento. Assim até fico com alguns exclusivos!

Gostos pessoais à parte e sobre o negócio em si, este ano está a ser completamente atípico.

Começaram as vendas, até aqui nas primeiras semanas conseguia perceber rapidamente qual era o modelo que ia sair mais, qual o padrão com mais procura, mas este ano, nada! Não consigo perceber! As vendas são completamente uniformes na escolha do modelo, nos padrões idem, isto nunca me aconteceu, não consigo fazer uma leitura. Espero que a partir da próxima semana, com a abertura oficial da época balnear consiga fazer uma leitura melhor, que é quando começa a época on fire, mas por enquanto sinto que é como ter acertado na lotaria: sai de tudo, não sei quais vão ser os restos de colecção.

E por aí, têm preferidos que me ajude a perceber para onde vai rumar a clientela?

Ficam aqui algumas das minhas fotos preferidas da sessão fotográfica de 2019. Mas enquanto escrevo este post, a minha mesa está cheia de provas de cor para os padrões de 2020. Gosto tanto destes dias!

Adoro o entusiasmo de malhas novas, de cores novas, de ver o tanto de Brasil que ponho nestes padrões, cruzar cores e adivinhar best sellers. Por estes dias vou andar de saco na mão e rumar a casa de pessoas com os padrões de 2020, pedir opiniões à Mamãe, família, amigas, colaboradoras, ver reacções, escutar opiniões, reunir informação e retirar aprendizagem disto tudo.

As provas de cores já estão, a fase de protótipos da colecção 2020 começa na próxima semana. Ainda nem vesti um modelito de 2019 e já estou com um pé em 2020. É bizarro!

Gostar do que se faz é maravilhoso e conseguir fazê-lo com a devida antecedência é ainda melhor ❤ 


Colecção disponível aqui

 
 
 
 
 

Agradecimentos a estas pessoas maravilhosas que tornam tudo possível 

Fotografia by WSA

Modelos ROS 2019

Maquilhagem

Cabelos
Marisa by The LOFT 

Spot

 Acessórios




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Just saying #16



Ando com uma sede de viajar... ui!







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27.5.19

Gostei e comprei #46




Sou uma mulher com coxas e desespero metida dentro de roupa justa, portanto, encontrar calças em que não me sinta a gangrenar é um filme. Não é impossível, mas é trabalhoso, é preciso experimentar muuuuita coisa e o rácio de provas vs compras é baixo.

Mas eis que em provas recentes descobri dois modelitos de calças que respeitam quem tem coxa grossa e por isso se transformaram em compras.

As calças pretas são umas skinny, pasmem-se! Achamos sempre não existem skinny para coxa grossa, mas estas assentam na perfeição e têm um plus fantástico (que é sempre um risco), não são daquelas que passam o dia a escorregar pelas pernas abaixo. Além disso, podemos apanhar uma moeda do chão sem ficar com o rêgo à mostra, o que é de valor. 

O modelito está para o pequeno, comprei um 40 (costumo vestir o 38), a refª é a 5899/055 e têm um nice price de 25,95€. Até estava preparada para comprar mais do que uma cor, pois isto quando se encontram umas skinny de jeito é um achado e convém investir, mas não existe noutras cores, shnif!

Boa compra também foram estas calças caqui jeitosinhas. Não são umas skinny, são umas chino e o que levou a experimentá-las foi o toque do tecido tipo pêssego num material de 98% de algodão. Adoro! Acho sempre que um par de calças me vai desiludir nas formas, fui para o provador com dúvidas, mas assentou lindamente. Adoro ver com as bainhas sobradas, fica impecável com sabrinas, sandálias, botins ou ténis. Não falta versatilidade para combinar. 

Este modelito está para o grande, comprei um 36 (costumo vestir o 38) e acho que se emagrecer vou-me condenar por não ter optado pelo 34, pois alargam bastante logo no primeiro dia de uso. A refª é a 8246/053 e têm o preço de 29,95€. Também não existe noutras cores.

Com muita pena, a ZARA continua a fotografar as suas peças de uma forma muito pouco atraente, nem faz justiça a estes pares de calças. Mas são boa compra, recomendo!

  





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© A Maçã de Eva

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