28.7.20

Protecção solar que uso na Carminho


#nãoépublicidade 

Eu, histérica da protecção solar, me confesso. Nunca me esquecerei de um relato que li num comentário de IG (acho que foi no perfil da Pipoca), de uma mulher que tinha cerca de 30 anos e cancro de pele por causa de um escaldão que apanhou aos 12 anos. Basta um escaldão para provocar dano celular e anos depois desenvolver melanoma. Um único escaldão chega, sabiam? E ser mãe e ouvir que o filho tem cancro de pele por causa de um escaldão em idade que é nossa responsabilidade?

Não tenho memória de apanhar escaldões em criança, mas em adolescente corri riscos da estupidez. Quanto mais escura e mais bronzeada, mais gira e cool. O envelhecimento da pele era só daqui a muitos anos, o cancro de pele só devia acontecer aos outros. Se soubesse o que sei hoje! 

Hoje em dia é raro estender-me ao sol e ando sempre de protecção máxima. Lido todos os dias com melasma no rosto, uso protecção verão ou inverno, passo a vida a ler sobre o assunto em busca do último grito para disfarçar o que tenho na cara.

Como podem imaginar, sou agora histérica da protecção solar da Carminho que, espero, aprenda e cumpra o que aprendi e tenho para ensinar. Espero que essa coisa de ficar de pele escura seja uma moda que se acaba. Hoje fico branca como uma lula e quero lá saber, aceito a minha cor natural.

Descobri este protector solar da BIODERMA o ano passado, o Photoderm Mineral, e é o que tenho usado na Carminho. É perfeito. Faz uma película esbranquiçada sem ser desconfortável, sei exactamente se deixei algum espaço de pele sem protecção, olho para o relógio para saber quando tenho de renovar, anda ao sol e nunca ficou com vermelhidão (dava-me um fanico). E ontem reparei que está com o corpo escurinho e o rabo branco. Mesmo assim, bronzeia.

É uma embalagem pequena, mas é perfeito para idades pequenas, cicatrizes que se querem poupar, zonas sensíveis, fiquei fã desta protecção solar.

É verdade que a Bioderma por vezes me envia presentes (que adoro), mas neste caso nem foi um deles. Se procuram uma protecção segura para os vossos filhos pequenos, este creme é impecável e seguro, basta ir reaplicando ao longo do dia e fico descansada.

Fiz esta e esta publicação nas redes sociais e os comentários falam por si, a opinião sobre este protector solar não é somente minha.





SHARE:

27.7.20

Frango com tomate e queijo




Já foi há muito tempo, um dia numa viagem ao Brasil comi um frango com tomate e queijo que me ficou na memória. Cheguei a casa e quis replicar, foi a Sirly que tomou conta da ideia. É uma óptima opção para variar de bifes de frango simples e as crianças costumam apreciar, muito provavelmente porque dá uns ares de sabor a pizza.

bifes de frango
2 ou 3 tomates maduros
1 cebola 
alho
azeite 
polpa de tomate a olho
sal 
pimenta
limão
orégãos 
queijo 

1. Temperar os bifes de frango com sumo de limão, sal, pimenta e alho por umas horas.

2. Numa panela, refogar a cebola em azeite. Acrescentar o tomate, um dente de alho e quando estiver cozinhado, adicionar uns golpes de polpa de tomate a olho. Temperar com sal, orégãos e bater com a varinha mágica.

3. Num pirex, estender os bifes fazendo camadas com o molho. Na última cada de molho, adicionar queijo que pode ser mozzarella ou outro, pode até ser mistura de queijos, conforme preferência pessoal. 

4. Polvilhar a última camada com orégãos. Levar ao forno a 180ºC até os bifes ficarem bem cozinhados e o queijo gratinado, cerca de 30min.


É óptimo!




SHARE:

6.7.20

Quanto valem uns bolsos?



Saia da Massimo Dutti, refª 5265/853, aqui



Saia da Mango, refª 67049206, aqui


Andava há que tempos em busca de uma saia beige deste género e eis que apareceram duas, uma na Massimo Dutti e outra na Mango. 

Ao experimentar a saia da Mango, adorei, mas a falta de bolsos foi um terrível turn off.
Devia ser proibido fazer saias destas sem bolsos!

 O que me levou à saia da Massimo Dutti (que ainda não vi nem experimentei), mas estamos a falar de 26€ contra 70€.

Coloca-se a pergunta: quanto valem uns bolsos? 






SHARE:

24.6.20

Planos para a minha sala




O plano já é antigo, tem mais de um ano, mas como tudo que é meu, arrasto no tempo.
Ando doida para ter uma planta destas em casa.

Mas falsa, sem me dar trabalho, sem crescer e depois não saber o que lhe fazer, 
daquelas tão boas que parecem verdadeiras e uma pessoa tem de ir lá mexer com os dedos para ter a certeza.

Onde? Alguém sabe?





SHARE:

18.6.20

Toda a protecção solar que uso no rosto tendo melasma ou o que devem usar para atrasar o envelhecimento da pele



Este é um post que já vos devia desde o verão passado: tudo o que uso relativo à protecção solar de rosto, tendo em conta que tenho melasma.

Para quem tem melasma, vamos esclarecer o seguinte: não há solução, não há cura, não se reverte, apenas podemos evitar que piore e disfarçar. O que eu uso e toda a informação que consta neste post é fruto de muita leitura e de aconselhamento profissional. Nestas sugestões que vos deixo estão as indicações do meu médico dermatologista que adoro (Dr. João Maia da Silva, CUF) e que tão bem me tem ouvido, tratado, sem NUNCA se desinteressar pela parte estética que tanto me importa. Este médico foi um achado.

Para quem não tem melasma, mas quer evitar ter, quer adiar as rugas, para quem se preocupa com a pele, todos estes produtos são uma excelente opção. Acreditem, o melhor anti-rugas que podem usar na vida é protecção solar continuada, seja verão ou inverno, dentro ou fora de casa.

Os raios solares não se resumem à simplicidade UVA e UVB que costumamos ouvir falar, há mais realidade além disso (UVA, UVB, HEVis, IR-A) e os protectores solares não protegem contra todos os raios. Riquezas, a aprendizagem é longa, não dá para colocar tudo aqui, mas tudo o que é luz indirecta provoca envelhecimento da pele, imaginem luz solar directa na toalha da praia. Sim, até através dos vidros, em casa ou no carro.

A marca recomendada pelo meu médico dermatologista e que vim a estudar é a Heliocare, da Cantabria Labs, uma empresa espanhola ligada à investigação, dermatologia, ginecologia, medicamentos, etc. Ou seja, estamos a falar de uma empresa que opera virada para o ramo médico e não de cosmética. 


Vamos ao produtos que estão na foto!


Heliocare 360º Mineral Tolerance Fluid SPF 50 - este foi o primeiro protector solar recomendado pelo dermatologista. A marca tem a linha 360º que recebe esse nome porque protege a pele contra todo o espectro de raios solares com uma tecnologia que é patente da empresa, o Fernblock (encontram mais informação no site da marca). 

Não tem nenhum cheiro em particular, nem bom nem mau. Na primeira aplicação achei que ia ser impossível seguir a recomendação do médico porque nos primeiros segundos de aplicação a cara fica branca, mas são mesmo uns segundos, quando se espalha não fica nenhuma amostra de branco. Tem uma textura que parece oleosa, não tendo óleo. O que faço é aplicar pó com um pincel e já está, fica impecável, não faz transpirar, não me deixa com brilhos, posso aplicar maquilhagem, é uma excelente protecção solar. No entanto, prefiro este creme para o inverno e meia-estação do naqueles dias de verão com muito calor.


Heliocare Ultra Gel SPF 90 - Gostei tanto do creme anterior que fui ver qual era a oferta da marca. Esta foi a minha segunda compra Heliocare com orientação do dermatologista. Como tem uma textura gel, achei que ia gostar mais e não me enganei. É muito bom, de elevadíssima protecção SPF90, no entanto já não é o 360º contra todo o espectro de raios solares, ainda que seja excelente. Ele desapareceu, mas voltei a encontrá-lo, acho que lhe mudaram a embalagem e agora tem este aspecto (ver aqui). A textura é óptima e o acabamento também.


Heliocare 360º Gel Oil-free SPF 50 - Há umas semanas estava na Notino a fazer compras quando descobri que vendem Heliocare e que existia uma novidade na marca: o mesmo 360º, desta vez num consistência gel oil free e com o plus de ter um acabamento seco. Como tinha os outros a acabar, encomendei e foi uma excelente surpresa. Óptima protecção com o melhor toque e acabamento. Esta versão é de ano inteiro, fiquei cliente e ainda por cima é mais barato que os anteriores. Além disso, por algum motivo este protector dá-me a sensação de ter um cheirinho frutado, embora não o seja, pois não existem perfumes adicionados a esta gama de protectores solares.

Este é o meu top 3 na escolha da protecção solar no rosto e que tem recomendação médica. Mas há ainda outro que em termos de textura é o meu preferido de sempre.


Não está na foto, mas reparei há dias na embalagem do ISDIN Fusion Water SPF 50 que este protector também protege contra a gama completa de raios solares (UVA, UVB, HEVis, IR-A). Já tinha referido este protector solar logo quando saiu em 2016 (aqui), é das melhores texturas de sempre. Honestamente, este protector é o mais parecido com a sensação de não ter aplicado nada na cara, tem uma enorme base de água (não substitui um hidratante) e é por isso perfeito para quem não gosta de cremes, para o dia-a-dia, para aplicar antes da maquilhagem, etc. Foi por acaso que reparei na indicação da gama de raios solares completa na embalagem que comprei recentemente. Não sei se o protector sempre foi assim e apenas passaram a incluir a informação na caixa ou se mudaram a fórmula. O que é certo é que no site a informação não consta como tenho na minha embalagem. É perfeito! 


Ter melasma é uma infelicidade. Há casos muito piores, bem sei, mas não é nada agradável ter de olhar ao espelho todos os dias e ver estas manchas escuras em forma de borboleta. A maquilhagem ajuda, mas nada ajuda mais do que prevenir que fique cada vez mais escuro.

Lembro-me de uma vez que fui a Toronto no outono, estavam uns dias espectaculares, não levei chapéu a achar que não ia ser preciso e só de andar na rua, sem grande calor e com protecção máxima, regressei com as manchas castanhas. Era evidente que tinha piorado, não queria acreditar. Portanto, a protecção solar ajuda a prevenir maiores problemas, a evitar danos celulares, as rugas e tantos outros danos provocados pelo sol, mas no que toca à cor (bronzeamento) só fugir da exposição directa do sol ajuda.

Com os anos passei a usar chapéus na cidade (não é pelo estilo, é para poupar a minha cara). Na rua ando pela sombra. Se tenho de parar na rua viro-me de costas para o sol. Basicamente, aprendi a viver com o sol e não exponho a minha cara em bronzeamento desde 2016. Se soubesse o que sei hoje!

No entanto, não deixo de viver, gosto de passear e adoro o verão! Então, à melhor protecção solar aplico por cima bloqueadores que fazem uma camada de cor por cima da pele como um barro. Assim fico eu pintada, mas impeço que a pele bronzeie nas zonas onde aplicar (nos bocadinhos de tempo que não tenho como fugir ao sol isto é fundamental).


Da La Roche-Posay, o Anthelios Blur Lisseur Optique, dá-me a sensação que comprei o último e foi descontinuado. Adoro este produto! É como uma mousse seca com cor, extra suave, sem nenhum cheiro em particular. Talvez encontrem algum resto de stock nas farmácias. Se encontrarem, agarrem, é mesmo muito bom. Adoro usar quando vou andar a pé. No entanto, onde encostarmos (se encostarmos) vai sujar. Não será má ideia ter uma toalhitas por perto ou não esquecer que não dá para despir a camisola a roçar na cara. 


O Bioderma Photoderm Max 50+ e o ISDIN Compact 50+ (nas farmácias), são discos de protecção solar compacta que também funcionam como um barro. O da Bioderma prefiro com tempo seco, é mais hidratante e o da ISDIN prefiro com humidade e calor, é mais seco. 


O Bioderma Photoderm Nude Touch SPF 50+ é um excelente citadino com acabamento seco que já recomendei antes (neste post aqui) e uso desde que saiu para o mercado, em 2018. Vi no site que a embalagem parece ter mudado, não sei se a fórmula também se alterou (deixei de receber produtos da marca e como recebo outras coisas perdi um pouco rasto), mas o meu está a acabar e brevemente compro outro. Na Notino foi onde encontrei mais barato. 


O SunBrush da ISDIN 50+ (compra-se nas farmácias) é uma fotoprotecção em pó 100% mineral, óptima opção para o caso de começar a ficar com a pele brilhante em dias de muito calor e combina lindamente com maquilhagem. Leva-se bem na mala, gosto muito deste pó mas para acabamento, não uso como protecção solar única. 


Ai riquezas, espero que apreciem e que este post vos ajude que deu uma trabalheira! Os meus produtos estão bem usados, na verdade a maior parte estão a acabar, não são as primeiras embalagens que compro, têm sido anos de aprendizagem e de estratégia para não piorar as manchas (e já agora retardar o envelhecimento) e que tenho conseguido muito bem. 

Agora que encontrei a fórmula certeira com este mix de produtos, espero que vos ajude!






SHARE:

3.6.20

COVID-19: não saber o que está a ser feito significa que nada está a ser feito?



Há cerca de um mês o Gabinete Português para o Parlamento Europeu convidou-me a participar de um webinar. O convite estava endereçado a alguns influencers e jornalistas. Objectivo: disseminar informação, informar quem trabalha com plataformas e audiências, com informação real e verdadeira, da fonte, em vez de alimentar a sede de conhecimentos com informação duvidosa que vai circulando onde a desinformação é rainha: nas redes sociais.

Foi uma experiência muito interessante, adorei! Foi a primeira vez que participei num webinar, é como uma reunião gigante, uma vídeo-chamada com vários intervenientes, super ordeiro, foi possível intervir, colocar questões, foi bom ver gente nova interessada. Caras bonitas (lindas, na verdade), maquilhadas, mas eram mais do que a sua beleza, os cremes ou as roupas que as influencers têm fama de publicar nas suas páginas. 

Tudo com cérebros funcionais e inteligência nas questões colocadas, foi uma lufada de ar fresco. 

Podia ficar aqui uma eternidade e escrever um longo texto sobre o que aprendi, mas vou resumir em alguns highlights as coisas que achei mais interessantes:

1. A União Europeia a trabalhar com influencers e a procurar cidadãos mais activos é uma forma certeira de olhar para o mundo real. No webinar o interlocutor afirmou que mais do que governos ou entidades, "people tend to trust people”. E é verdade, os seguidores com o tempo estabelecem uma relação de confiança. Isso significa que podemos aproveitar o "público" que temos, assumir sentido cívico e ajudar com informação, que muitas vezes até pode calhar ser da área profissional do influencer. Exemplo: durante o mês de março fiz imensos stories para ajudar os meus seguidores a interpretar os gráficos da COVID-19 no mundo. Já não é a minha área profissional, mas durante muitos anos trabalhei em comunicação em saúde. E nisto difundi informação verificada e indiquei fontes. Noutros casos motivei à solidariedade fazendo a ponte entre marcas fabricantes de cremes e hospitais com profissionais com problemas de pele provocados pelos equipamentos de protecção. Ajudei a preencher necessidades, informei e isso foi gratificante.

Sobre informação verdadeira, para saberem mais pelas vossas mãos, cliquem aqui, têm notícias do que se faz na Europa (incluindo em português).   


2. A União Europeia iniciou um combate às fake news que durante algumas semanas se debruçou sobre 
"notícias" (com origem fora das fronteiras da UE) de que a União Europeia era useless e que a crise da COVID-19 iria desintegrar a União Europeia. Provavelmente todos passámos por artigos que traçavam cenários negros. 


3. A European Center for Disease alertou a União Europeia para um potencial perigo do vírus a meio de Janeiro. Em Janeiro o assunto discutia-se na comunicação social como sendo um problema da China.


4. Logo em Janeiro a União Europeia enviou ajuda médica para a China. E isto não é de conhecimento público porque é habitual da União Europeia ajudar outros países, os fundos não gastos para fazer campanhas de propaganda.


5. Num par de semanas, a União Europeia mobilizou milhões para minimizar o impacto económico na Europa. Afirmaram, com algum humor, que nessas duas semanas foram tomadas mais decisões que no espaço de um ano.


6. Existe um enorme financiamento para o desenvolvimento de uma vacina. Não é dinheiro atirado ao ar sem controle, trata-se do financiamento de equipas científicas específicas que com a ajuda da União Europeia são colocadas em contacto, em comunicação e coordenação, em vez de haver lugar à concorrência. Isto é muito importante para, por exemplo, não se fazerem os mesmos testes em diferentes laboratórios, o que seria duplicar trabalho, gastar o tempo e o investimento financeiro da ciência, tudo em vão.


7. A União Europeia alterou rapidamente a legislação para acabar com os ghost flights. E o que é isso? Eu não fazia ideia. Para poder trabalhar determinada rota, uma companhia aérea tem de cumprir um mínimo de voos. Em pleno COVID-19, com as pessoas em casa e as viagens canceladas, as companhias aéreas estavam a fazer voos vazios para não perderem essa rota na sua lista de destinos.  


8 . Nos anos 50, aos primeiros passos da criação da União Europeia, um dos projectos paralelos era o de criar uma União Europeia para a Saúde, o que veio a cair por terra. Agora a questão renasceu e bem. Esta pandemia, a chapada no sentimento geral de que seria impossível acontecer algo assim mudou muita coisa (convenhamos, parece um episódio de Black Mirror), sobretudo a forma de pensar em muitas áreas e, nomeadamente, a dependência que a Europa mostrou ter do continente asiático em relação à produção de máscaras.

Para mim que trabalhei na área, uma União Europeia para a Saúde seria um trabalho espectacular. Devemos lembrar uma enorme conquista que é o direito à saúde: um espanhol doente em Itália é tratado num hospital como um italiano. Temos isso tão garantido que esquecemos que é algo fantástico. Mas o que acontece a um mexicano doente nos EUA? Aliás, o que acontece a um doente americano sem dinheiro nos EUA? 

Conheço uma pessoa, portuguesa, que sofreu um acidente na neve há uns anos. Foi para a Suíça, o acidente aconteceu nas montanhas do lado de Itália, foi transportada, foi operada, ficou com uma excelente cicatriz, foi acompanhada, voltou a Portugal. Na altura acompanhei o caso de perto e achei tudo de um profissionalismo, de um sentido de humanidade e de boas práticas entre países, assinalável. De facto fazer parte de uma União Europeia é uma coisa fantástica.

Por falar nisso, pessoas que fazem viagens pela Europa, sabiam que existe um Cartão Europeu de Seguro de Doença (aqui)? Se vos acontecer alguma coisa num país da União Europeia só têm de mostrar o cartão e a conta fica paga. Podem requerer o cartão no site da Segurança Social Directa, enviam para casa e tem a validade de dois anos. Tenho sempre que faço uma viagem!


No webinar eu era única portuguesa, mas foi impossível não reparar na quantidade de croatas activos. Destacavam-se. Por que motivo os portugueses serão tão pouco activos nestes assuntos? Existirá um desinteresse total por parte dos influencers e de quem os segue? Ou os portugueses em geral dão tudo por garantido, alguém faz o trabalho e por isso o assunto não merece melhor reflexão e dedicação? "Alguém que trate" chega?

Alguns seguidores sabem, no início de março, com a COVID-19 a dar os primeiros passos, decidi fazer um vídeo a ver se chegava ao Primeiro Ministro. Com o risco de sair dali completamente humilhada, dei o passo em frente, tornei-me voz activa, gravei e publiquei (e acabei convidada para o webinar).

No meu coração achei que ia ter algumas pessoas a ver, as pessoas que já me seguem. É que os assuntos políticos cativam pouco as pessoas e não esperava muito dali. Mas o resultado foi completamente viral e muito além de qualquer boa expectativa que pudesse ter.

Em geral, eu também não gosto de política ou de políticos. Mas gosto de determinação e de ver trabalho feito.

Não tenho um espírito de que o meu país não presta, acho que temos coisas muito boas e competentes, mas no vídeo fiz críticas à lentidão da acção. No reverso da medalha, Espanha aqui ao lado está há três meses na imprensa a admirar a estratégia portuguesa, as competências profissionais, parece que somos os maiores. E cá dentro achamos que é tudo farinha do mesmo saco.

Criticar é fácil, há sempre uma sensação de que se está a fazer muito menos do que se poderia fazer porque muitas vezes não há exactamente aquilo que é uma necessidade óbvia: informação sobre o que está a ser feito.

Com o estalar da COVID-19, achei curioso e interessante que a União Europeia tenha pedido cooperação às plataformas das redes sociais para combater a desinformação. O fact check ganha cada vez mais importância no mundo moderno e hoje em dia a disseminação de um tipo de informação criada para gerar cliques é mais difícil que há dois anos. Mas ainda assim é um trabalho volumoso e em constante adaptação. Se precisarem de confirmar se uma notícia é verdadeira, vão a esta página que vai fazendo trabalho (e que eu nem sabia que existia).

A União Europeia tem grupos de trabalho na criação de conteúdos digitais. Seria ingénuo pensar que basta escrever meia dúzia de linhas e esperar que a informação se dissemine. Não, são precisos conteúdos gráficos, atraentes, pois os olhos comem e é aí que nasce a primeira atracção pelo conteúdo. No entanto, é só uma parte do caminho. 

Produzir é fácil, mas a partilha fica nas mãos de outras pessoas. Disseminar depende da boa vontade de terceiros e, sobretudo, da consciência de sentido cívico e de sentido europeu. Para ir seguindo e saber mais do que está a ser feito, sobre o tema COVID-19 e outros assuntos, sigam estas páginas de Instagram aqui, aqui e aqui.

A União Europeia fez-se do espírito de solidariedade, dos melhores princípios humanos e, mais do que ser um cidadã de um país, ser cidadã europeia para mim significa "segurança". Entre muitas outras características, gosto de me sentir parte da União Europeia, a expressão "juntos somos mais fortes" faz todo o sentido.

No fim, depois de diálogos tão interessantes e aprendizagem, perguntei-me: como é que um país europeu pode preferir o isolamento à oportunidade pertencer à União Europeia? Será sempre um mistério para mim.

Sejam activos, isso melhora a qualidade de vida de todos 


Entretanto fui hoje convidada para um novo webninar, desta vez sobre desinformação e fake news em detalhe. Estou curiosa! Interessa-vos saber mais?




SHARE:

2.6.20

Esparguete de courgette com camarões e pesto



"Esparguete" de courgette? É já a seguir e num minuto! #sirlypower

A minha varinha mágica é uma mega-aquisição e dispensa aqueles monos enormes de manivela para espiralizar. Vejam a minha courgette espiralizada neste vídeo que fiz aqui. São literalmente segundos!

Bate sopas que é uma maravilha, traz várias lâminas de corte (espiralizador, ondulado, em fita ou picadora), bate natas daquelas de virar ao contrário e não cair, é uma felicidade na cozinha. Basta ver as reviews no site (aqui), não me deixam mentir. É a Philips ProMix HR2657/90, recomendo a quem procura uma boa e completa varinha mágica. 

Para mim que se cozinha muito em casa e gosto de boa comida , saudável e de baixas calorias, estou encantada. E a Sirly também, até sorri com a facilidade de espiralizar.

Deixo-vos esta receita de "esparguete" de courgette com camarões e pesto que é uma delícia pouco calórica.

3 courgettes
300 gr. de camarões cozidos
molho pesto
sal
azeite
manjericão

1. Lavar as courgettes e espiralizar.

2. Num wok, colocar um fundo de azeite e saltear a courgette. Temperar com sal a gosto.

3. Descascar os camarões enquanto a courgette cozinha.

4. Quando a courgette estiver no ponto, desligar o lume, adicionar umas colheres de pesto, mexer bem e acrescentar os camarões descascados. Decorar com folhas de manjericão.


Já está! Mais simples que isto é difícil!

Recomendo a acompanhar com uma boa salada.

Usei um molho de pesto biológico que comprei no Lidl, é bom, mas podem fazer o vosso pesto em casa, se preferirem (nunca me aventurei).


 🎁 @philips #philips #espiralizar #legumes #courgette #varinhamágica




SHARE:

1.6.20

Carminho e a cadeira da papa



Nas últimas semanas tenho aproveitado para vender, dar, devolver, you name it, tudo o que já não está em utilização em casa. E esta cadeira da papa da Chicco foi uma peça que me custou mesmo, mesmo, abdicar.

Isto não é publicidade, notem que estou a escrever este texto quando a cadeira já tem uma nova dona, mas era impossível não tirar uma última foto e partilhar o boa que é. Se estão para ser pais brevemente, se conhecem alguém a ter bebé brevemente, esta cadeira é uma escolha certeira. Não podia recomendar mais.

Na verdade, começámos por ter outra cadeira de refeições, cheia de design, toda gira, mas... na prática era mais design e pouco adequada para o bebé. Vendemos e procurámos outra solução mais adequada às necessidades do bebé (e nossas, também!).

A Polly Progress5 da Chicco foi-nos recomendada. Confortável (o que a anterior não era, mas na altura percebia pouco do assunto), com várias posições, sobe, desce, reclina, retira tampo, lava, retira e recoloca assento, assento lavável e impermeável, resistente, com rodinhas, foi uma maravilha.  O vídeo mostra bem o potencial. 

A cadeira ainda servia perfeitamente, mas a Carminho cresceu, passou a querer usar as cadeiras normais, não pude obrigá-la a ser bebé para sempre e tive de abdicar. 

A nova dona da Polly Progress5 é agora a filha de um amigo meu, levou a cadeira impecável, sem danos, tal como saída da loja. É daquelas cadeiras que compram, usam durante uns quatro anos e ainda está boa para durar para mais crianças, rodar dentro da família, pelos amigos and so on.

Mesmo antes de o meu amigo tocar à porta, tirei umas fotos com a Carminho sentada. Às tantas pensei se aquele sentimento de tristeza era mais um reforçar íntimo de que não haverá mais bebés. Mas não, já me passou, a tristeza era que esta cadeira me fez mesmo feliz, nunca me desiludiu e a Carminho cresceu. Nunca queremos abdicar de coisas boas.

A cadeira Polly Progres5 pode começar a ser utilizada desde o nascimento e tenho pena de não a ter tido logo desde o início. Teria dado muito jeito ao meu lado, mas na altura tínhamos este baloiço (que também ganhou nova dona entretanto). A cadeira, além das refeições, dá para usar como assento de fixar a uma cadeira dentro ou fora de casa, mas nunca usei essa modalidade. Crianças e restaurantes não é a minha cena, nunca escondi.

Quem também tem esta cadeira? Não é espectacular?

Temos cada vez menos coisas de bebé, acho que da Chicco só sobra o carrinho de bengala e a cama de viagem (hei-de escrever post sobres estes dois). 

Se tivesse outro bebé repetia todas as escolhas Chicco que fiz, será sempre uma referência de bebé para mim 

#nãoépublicidade







SHARE:

16.5.20

Sopa de agriões


Adoro sopa e a Sirly veio com receitas bem boas! 

Esta sopa de agriões é das minhas preferidas #sirlypower

A Sirly começou a fazer sopas com uma varinha mágica da Philips que tive durante anos e anos. Adorava-a, nunca me deu problemas, até que a lâmina do pé se estragou de tanto uso, mas o motor continuava impecável a trabalhar. Infelizmente, a varinha era tão antiga que o pé já não se fabricava para substituição.

Comprei uma varinha de marca mais barata para remediar o trabalho das sopas enquanto procurava o pé da Philips no OLX, no Ebay, na Amazon, corri tudo sem sorte nenhuma. E em menos de um ano a varinha de marca barata começou a fazer barulhos infernais como se fosse explodir.

Nem perdi mais tempo, temos outra Philips. Esta é Pro Mix, traz varinha, batedor de natas (firmes de virar ao contrário!), espiralizador, tudo na mesma varinha e para durar mais de uma década outra vez. 

No site todas as pessoas que fizeram uma review deram cinco estrelas. Também recomendo! 

1 pacote de agriões
4 courgettes
5 cenouras
1 cebola
1 chuchu
1 nabo
3 dentes de alho
azeite 
sal

1. Descascar as courgettes, as cenouras. a cebola, o chuchu, o nabo, os dentes de alho, lavar, cortar e colocar numa panela grande.

2. Cobrir com água a ferver e deixar cozer cerca de 20 minutos.

3. Desligar o lume e bater com a varinha mágica até ficar um creme aveludado.

4. Acrescentar sal, mexer, deixar os agriões e deixar cozer cerca de 5 minutos.

5. Desligar o lume, deitar um fio de azeite, mexer, tapar com a panela e deixar repousar cerca de meia-hora.


Maravilhosa!

🎁 @philips #philips #sopa #legumes






SHARE:

15.5.20

5.5.20

Salame de chocolate



Ah, que maravilha! A receita do salame de chocolate da mamãe para vós e pelas mãos da Sirly! 

É perfeito, não é muito doce, não é amargo, mata o bicho de chocolate, é fresquinho e faz sucesso em qualquer festa.

4 gemas
100 gr. de cacau
100 gr. de manteiga à temperatura ambiente
125 gr. de bolacha Maria
180 gr. de açúcar em pó

1. Partir a bolacha Maria em pedaços dentro de uma tigela.

2. Noutra tigela, bater a manteiga com as gemas. Nunca aquecer a manteiga.

3. Acrescentar o cacau e o açúcar em pó. Notem que tem de ser açúcar em pó, não optem por açúcar normal para não ficarem a trincar granulado, é desagradável.

4. Juntar a bolacha partida à mistura, formar um salame em papel de alumínio e levar ao congelador.


Há quem opte por manter o salame de chocolate no frigorífico. Não gosto NA-DA! Assim nem como. Para mim o salame fica no congelador at all times.

Devido aos ingredientes, nunca fica com uma textura pedra tipo cubos de gelo. Para consumir basta tirar cinco minutos antes e partir as fatias numa tábua de madeira com faca afiada. Depois é voltar a colocar no congelador o que sobrar.

Além de saber muito melhor fresco, desta forma o salame de chocolate dura semanas e semanas no congelador.

E vocês, como fazem?

#sirlypower


SHARE:

11.4.20

Séries: Unorthodox


Trailer aqui

Ui, ui... eu nem sei o que diga, mas talvez comece por dizer que foi uma série que me deixou inquieta.

Regra geral, não gosto de religiões e esta história verídica é um bom exemplo disso. Eu sei ver que todas as religiões partem de um bom princípio, mas depois vem o homem e estraga tudo. Atenção, não é o Homem que estraga, válido para seres humanos. São mesmo os homens que estragam, que com carisma fazem as suas interpretações das escrituras, põem um rebanho a segui-los, aquela anormalidade torna-se religião, as mulheres são subjugadas, os homens são reis e todas estas histórias com características comuns de falta de liberdade e mente controlada, metem nojo.

Unorthodox é uma série muito pequena, de apenas quatro episódios. Estreou na Netflix há uns dias, com pormenores alterados para a ficção, mas é uma história verdadeira e inspirada neste livro.

Esty é judia, tem 19 anos, faz parte de uma comunidade ultraortodoxa que vive em Williamsburg, Brooklyn, NY.  Toda a sua educação é virada para a religião e para o que a religião manda. A sua missão como mulher é casar, procriar, cuidar e ter filhos em barda. Não tem TV, nunca teve acesso à internet, as mulheres não podem cantar porque é impróprio, vivem num mundo completamente bizarro à parte do resto do mundo.

O mundo dela é tão à parte que nem sabe que tem uma vagina e não sabe o que é sexo exactamente.

Na sua comunidade, os casamentos são arranjados. Quando casam, os pares só passaram os olhos um pelo outro umas poucas vezes e é-lhes dada permissão para uns minutos de conversa, para se conhecerem. Os casamentos são acordados entre as famílias e um qualquer casamenteiro manda-chuva. 

Todos os rituais em volta daquilo são... horríveis. Toda aquela forma de viver a sociedade com homens num lugar, mulheres noutro, homens a mandar, mulheres mandadas, homens com prazer, mulheres a sofrer, tudo aquilo é no mínimo revoltante. 

Até que Esty decide que aquilo não é vida.

Muito bom.



SHARE:

9.4.20

Um dia mato este gajo #96



O meu marido anda a gozar-me em praça pública pelo corte de cabelo que apresenta.

Em minha defesa, segue a verdade dos acontecimentos:

PAM Maria estava há dias a protestar que precisava de cortar o cabelo. Não podendo fazê-lo no melhor spot de Lisboa, o The LOFT, ameaçou comprar uma máquina de rapar cabelo, o que fez. A máquina de 20€, claro está, não valia nem os 20€.

Note-se que durante o tempo em que ameaçou rapar o cabelo, também Maçã Maria protestou pelo facto de não apreciar o marido com cabelo à militar, pedindo-lhe que tivesse paciência e aguardasse por um corte decente. Afirmou inclusivamente "nenhuma mulher gosta de marido feio".

No WC, pronto para dar uma auto-carecada, PAM Maria rapidamente percebeu que não conseguia fazer o trabalho sozinho, pois a máquina era pouco eficaz e exigia 100 passagens para cortar a mesma estrada de cabelo.

Já com dores no braço e um WC que metia nojo aos cães, PAM Maria chamou sua mulher aos gritos, passando o pincel para ela.

É sempre ela, a coitada.

E o trabalho ficou feito, cabelo cortado por igual.

MAS, não satisfeito, sempre a viver a vida no fio da navalha, PAM Maria decidiu que desejava o cabelo ligeiramente mais curto atrás. Mudou o pente à máquina e chamou Maçã Maria aos gritos, mais uma vez.

Maçã Maria lá foi, contra a sua vontade, assumindo falta de vocação para o que lhe era pedido, avisando que era uma má ideia. Tentou fazer ver o seu ponto de vista, mas perante insistência, cedeu à vontade do queixoso.

Acontece que PAM Maria colocou mal o tamanho do pente na máquina, passou a mesma para as mãos de Maçã Maria, que por sua vez pegou na máquina com maus modos e sem olhar.

No momento em que encostou e arrastou a máquina no couro cabeludo, foi a desgraça que se vê provada em imagem.

Maçã Maria quase desfaleceu. Deu um grito como quem vê corpos em decomposição à beira da estrada de um país em estado de sítio, levando a mão esquerda à boca.

Depois, foi um mix de gritos, gargalhadas e lágrimas.


Em defesa da honra de Maçã Maria, atribua-se a responsabilidade ao queixoso.

Dá-se como provado que o sofrimento do queixoso será minimizado pela falta de contactos sociais a que a pandemia obriga, sendo que uma vez regressado ao exterior e ao trabalho a sua melena já terá sido rectificada pela natureza.

Acrescem ainda momentos de gáudio proporcionados à família por vídeo-chamada, lágrimas e dores de barriga de tanto rir, o que nesta fase de pandemia é de valor e não deve ser desconsiderado.

É saber lidar!




SHARE:

8.4.20

Do divino

- Ministro, Ministro!
- Cala-te, aventesma! Até me assustaste, reles empregado!
- Desculpe, Ministro.
- Diz lá o que te traz. Desembucha!
- Deus mandou recado, Ministro.




SHARE:

7.4.20

Um dia mato este gajo #95


Santa paciência, santos me ajudem que eu não estou a aguentar isto.

Muito se tem escrito por aí que estes confinamentos estão a ser um teste aos casamentos, uma provação, provas de fogo and so on. Eu que não sinto a área amorosa sequer beliscada, não posso dizer o mesmo sobre a incapacidade de meu marido em ir ao supermercado em nome da família.

Sim, o confinamento leva-me a discutir com o meu marido porque ele é incapaz de seguir apenas as instruções dadas, tem de divagar por caminhos alternativos e de cada vez que vai ao supermercado comporta-se como se fosse a primeira vez.

Serão brócolos? Será couve-flor? Enigmas da vida.

De cada vez que diz que vai ao supermercado, tremo. Reviro os olhos e começo a suspirar por antecipação. Sei que vai dar cocó. Eu conheço-o, e é até menino para pagar na caixa com o dinheiro que passa por todos, a seguir esfregar os olhos, gritar "não toques nos olhos!" e ter como resposta "mas eu não mexi!".





É evidente que assim que se iniciou o confinamento, instituí que seria eu a ir às compras, já que nesta matéria ele é praticamente inútil. Ainda assim, de vez em quando dão-se-lhe uns ares que precisa de ir ao supermercado. E as nossas comunicações são o que se vê.

Ele enche-me de ansiedade e não é injustificado.

Quando aparece, vem de pizzas congeladas, douradinhos e merdas de valor nutritivo duvidoso que NUNCA compramos. Traz pipocas carregadas de açúcar, misturas de vegetais manhosas congeladas e sem sabor que nunca comprei porque nem vale a pena experimentar. Mas a ele crescem-lhe sempre ares de "vou comprar para experimentar" apesar de eu deixar claro: stick to the list!

E hoje fiquei na cama até tarde, na ronha. Foi ele comprar legumes para a sopa. Quando chega, diz que não havia agriões, mas eu fiquei a matutar naquilo. Momentos depois, voltei ao assunto:

- Onde procuraste os agriões?
- Então, nas caixas dos legumes...
- Os agriões estão no frio juntos aos pacotes de saladas!
- Ah... não sabia...

E pronto, uma pessoa suspira, lança-lhe trovões pelos olhos, cospe que nem Belzebu, e pensa que depois do isolamento este gajo vai aprender a ir às compras ensinado nem que vá arrastado pelos cabelos.

A soprar dos nervos, a pedir paciência ao mundo, a tentar viver com esta estranha forma de vida, abrem-se os sacos para fazer a sopa: cinco pepinos em vez de courgettes! CIN-CO! 

NÃO AGUENTO MAIS!




SHARE:

6.4.20

Diário COVID-19 #6 - Máscaras e cenas. Como vejo que é e imagino que vai ser.


Fonte: Visão, aqui

Há dias fiz uma publicação de uma marca portuguesa que estava a oferecer máscaras de tecido. A publicação não foi bem recebida (independentemente de a boa vontade não estar em causa), pelo facto de o uso de máscaras não estar indicado. Mais, aquelas máscaras eram de tecido.

Eu não uso máscaras, não dá para mim. Mas até para quem quer usar, não há máscaras em lado nenhum, são difíceis de encontrar. No entanto, por uma questão de lógica, acredito que uma barreira é sempre uma barreira e se usadas como deve ser (de uso único para uma ida à rua, por exemplo), retiradas pelos elásticos e colocadas na máquina de lavar, as máscaras de tecido são uma barreira e qualquer barreira (a meu ver, atenção) é melhor que barreira nenhuma.

De forma mais descritiva, se eu me cruzar com um infectado que me pede instruções para o supermercado mais próximo, além da distância, estou mais protegida de levar com um perdigoto com asas na cara tendo uma máscara do que não tendo uma máscara. Uma barreira é sempre uma barreira.

Claro, somos europeus e não estamos habituados a usar máscaras como fazem diariamente os asiáticos.

Também, somos um país maioritariamente ignorante e as pessoas não sabem usar máscaras. Há dias vi uma pessoa no supermercado que não se ajeitava com aquilo, puxava pela máscara na frente para falar com a mulher, depois deixava-a por baixo do nariz para lhe facilitar a vida, aquilo era de revirar os olhos. É evidente, dar uma máscara, seja de que material for, a uma pessoa que não tem a mínima noção de como a usar e de como um contágio se processa, pode induzir a uma falsa segurança e claramente não serve de nada.

Mas estas recomendações do não uso de máscara não são inocentes. Viu-se o que aconteceu com o papel higiénico, imaginem o que aconteceria se as máscaras fossem recomendadas. Isso mesmo, quem mais precisa delas, os profissionais de saúde, ficariam a ver navios. E até podia dar-se uma situação de assistirmos a saques de material de protecção. Notem que as máscaras passaram a ser contabilizadas nos hospitais por serem surripiadas e agora cada profissional tem de registar os pedidos.

Sim, estamos em casa quase todos, não há necessidade do uso de máscaras. Mas esse, acredito, não vai ser o futuro próximo em Portugal e noutros países. Uma análise pouco atenta que fiz à imprensa nas últimas três semanas permite adivinhar o que vai acontecer.


DGS não ensina a usar máscaras porque não há para todos: "não vale a pena dizer que há, não há"
in Observador, de 20 de Março 2020, aqui

Macau: ninguém sai à rua, todos usam máscara. Portugal está longe deste cenário 
"O médico português representante dos Serviços de Saúde de Macau, Jorge Sales Marques, disse à Lusa que a 'receita' para vencer a guerra contra o covid-19 passa pelas máscaras, desinfetantes, isolamento e rastreios".
in Diário de Notícias, de 23 de Março 2020, aqui

Máscaras de pano servem? A opinião não é unânime
in Jornal de Notícias, de 23 de Março 2020, aqui

Devemos usar todos máscara sempre? Médicos garantem que sim
in Visão, de 26 de Março 2020, aqui

Equipamento médico começou a chegar a Portugal. Máscaras e fatos de proteção aterraram no Porto
in Observador, de 27 de Março 2020, aqui

Marcelo apanhado de máscara a comprar pão
A notícia é ridícula, mas se não é recomendado, por que motivo o Presidente da República não segue as recomendações da DGS?
in Sábado, de 30 de Março 2020, aqui

Nestes países europeus, usar máscaras de proteção tornou-se obrigatório
"Países como a Áustria ou a República Checa decidiram generalizar a obrigatoriedade do uso de máscaras. Na rua ou no supermercado, acreditam que é uma forma de reduzir o contágio em massa"
in Observador, de 31 de Março 2020, aqui

Maior especialista em coronavírus da China: "grande erro da Europa é não usarem máscaras"
in Observador, de 31 de Março 2020, aqui

DGS admite alargar recomendação de uso de máscaras
in Sábado, de 1 de Abril 2020, aqui

DGS alarga recomendação de uso de máscara cirúrgica. Consulte a lista de profissionais abrangidos
in Observador, de 3 de Abril 2020, aqui

Já há 100 empresas inscritas para produzir máscaras, zaragatoas e luvas na luta contra o Covid-19
"As empresas que desejam produzir equipamentos para o Serviço Nacional de Saúde podem inscrever-se, tendo que aguardar validação das entidades competentes".
in ECO, de 3 de Abril 2020, aqui

Conselho de Escolas Médicas critica DGS pela posição sobre máscaras
"Depois de a DGS ter dito que o uso de máscaras não é "eficaz", o CEMP afirmou que o que acontece é que "não há máscaras suficientes e, por isso, arranjou-se um artifício, uma desculpa".
in Observador, de 3 de Abril 2020, aqui

Covid-19: Avião fretado pelo Estado aterrou em Lisboa com 144 ventiladores e 20 toneladas de equipamento médico
in Público, de 5 de Abril 2020, aqui


Fazendo de advogado do diabo, algumas questões:

1) Consultando o gráfico acima, é por acaso que os países cuja utilização de máscaras está enraizado na sociedade tenham números mais baixos quando comparados com países europeus onde isso não acontece?

2) Não é estranho tantos médicos nacionais e especialistas asiáticos afirmarem que o uso de máscaras faz a diferença e não serem recomendadas em Portugal?

3) Se o uso de máscara está recomendado a quem está doente e se um dos grandes problemas deste vírus é o contágio em massa por pessoas que não sabem que estão doentes, como não faz sentido o uso em geral bem ensinado?

4) É apenas uma coincidência que as notícias da DGS quanto ao alargamento do uso de máscaras aconteça ao mesmo tempo que chegam aviões carregados de material?


Como imagino o programa de festas?

À medida que chega mais material de protecção, mais são as classes profissionais às que a DGS recomenda o uso de máscaras.

O facto de os ministérios da Saúde e da Economia terem criado uma série documentos com orientações técnicas para a produção de material como máscaras e álcool gel (?), de haver uma plataforma que convida as empresas que desejam produzir a inscrever-se, diz-me que se prepara uma produção interna em massa para não estarmos tão dependentes de outros países.

Enquanto estamos confinados, alguns sectores da indústria portuguesa dedicam-se à produção de máscaras e álcool em gel.

Em Junho/Julho, quando se prevê que alguma normalidade regresse aos nossos dias, já a produção dos novos bens de primeira necessidade será suficiente para cumprir as necessidades. Imagino que este tipo de materiais venham a encontrar-se disponíveis em qualquer supermercado.

O país é chamado a ir à rua e a retomar a economia, sendo que as máscaras e o álcool gel vão fazer parte do dia-a-dia de todos, encontrar-se nas malas das senhoras, estarão disponíveis nos balcões, no comércio o pessoal fará atendimentos de viseira (imagino isso para o meu cabeleireiro) e as pessoas vão habituar-se a viver assim.

As pessoas continuarão a ter de se manter afastadas, os restaurantes não poderão esgotar o número de lugares, as lojas reabrem, alguma normalidade regressa com condições de muita limpeza, mas não há espectáculos de verão, não há Santos Populares, sardinhadas e ajuntamentos. Fico na dúvida se este verão estaremos interditos a banhos nas praias.

Agora os anúncios ensinam a lavar as mãos, daqui a uns tempos ensinarão a usar máscaras correctamente.

No entanto, pessoas dos maiores grupo de risco possivelmente vão continuar a ser recomendadas ao confinamento.

Dependendo do sucesso dos medicamentos que estão agora a ser testados como uma cura possível à doença, em setembro as escolas e universidades reabrem. Os alunos usam máscaras e o álcool gel estará presente em todas as mesas e mochilas. Tenho dúvidas quanto às creches.

Se a medida não resultar e começarem a aparecer casos após o início do ano lectivo, as escolas voltam a fechar e os alunos regressam ao ensino à distância.

Se uma nova vaga se instalar (conforme acreditam muitos especialistas) e mesmo com esta nova forma de vida asséptica, regressamos ao confinamento.

E será assim em loop até haver uma vacina que nunca vamos ter antes de Março de 2021. E mesmo assim, quando houver será distribuída por prioridades: profissionais de saúde, grupos de risco, etc.

Ou então daqui a uns tempos somos todos surpreendidos, dá-se um milagre e a COVID-19 desaparece como desapareceu a gripe espanhola (1918), sem se perceber bem como e numa altura em que não existia álcool gel nem os conhecimentos que temos hoje.

E por aí, quais são os vossos pensamentos para isto tudo? Lembro que podem discordar, sem problemas, mas com modos, por favor.




SHARE:

5.4.20

Just saying #19



Tenho saudades do que não estou a viver 




SHARE:

4.4.20

Diário COVID-19 #5 - Sim, estive em Madrid e em Milão e isso não faz de mim irresponsável.


Ao longo destas últimas três semanas foram vários os contactos que recebi, em jeito de acusação ou de insulto, "a hipócrita que condenou a lenta acção do governo, mas que foi a Madrid e a Milão sem pensar nos outros". Tendo em conta as pessoas que me contactaram, deve haver muitas mais que pensaram o mesmo, mas tiveram a gentileza de não me acusar de ser a razão de muitos males.

Em abono da verdade, eu explico.


Fui a Madrid e voltei no mesmo dia, o dia 8 de Fevereiro. Não fui passear, fui sozinha e em trabalho para explorar uma área de negócio que ando a estudar há mais de um ano.

Neste gráfico não encontram o dia 8 de Fevereiro, mas encontram a data do primeiro caso identificado em Espanha. Identificado, notem bem. Olhando para trás é evidente que já existiriam casos de COVID-19 em todo o lado (Portugal incluído), mas essa não era a percepção real que tínhamos na altura. Ainda estávamos a apalpar terreno, a perceber se o problema se ia abater pela Europa como na China e - isto conta muito - nenhuma criatura europeia viva alguma vez passou por uma experiência semelhante, o que diz muito sobre como agimos. Todos somos capazes de reconhecer que o que estamos a viver é digno de filme.

Sobretudo, o meu governo, a Europa, a OMS, diziam-me que era seguro viajar, que bastaria ter alguns cuidados, que tive.


Na semana seguinte, voltei a viajar, desta vez para Milão. Outra vez, fui sozinha, não fui passear e fui em trabalho. Fui à feira de calçado MICAM no dia 16 de Fevereiro para regressar no dia seguinte. Olhando o gráfico, podem avaliar a quantidade de casos que existiam em Itália à data da minha viagem, sendo que esse casos identificados se encontravam a norte, na cidade de Bergamo. 

Duas semanas depois abateu-se um inferno a norte de Itália e com o tempo as feiras viriam a ser encerradas e o isolamento decretado.

Claro, olhando para trás, é evidente que tinha de haver COVID-19 em todo o lado (outra vez, Portugal incluído), mas o panorama de casos identificados à altura era tranquilo, estavam numa fase de avaliação sem imaginar o que viria a desabar sobre o país.

Novamente, fui porque o meu governo, a Europa, a OMS, me diziam que era seguro viajar e que bastaria ter alguns cuidados. Que tive.

Se tive uma sorte dos diabos em não ser contagiada? Se calhar.
Ou tive os cuidados necessários e foi o suficiente. Nunca saberei.
Ou fui contagiada e não dei por isso. Também não sei.

No entanto, nunca viajei com sentimento de irresponsabilidade e muito menos com medo. Nunca vi receio nas pessoas que me rodeiam. Nunca me senti insegura, assumi que as instruções dadas seriam suficientes para me proteger. A informação de que dispomos hoje estava longe de ser o que tínhamos à data das minhas viagens.

Hoje e a altura das minhas viagens, como podem até ver nos gráficos, não eram comparáveis.

É preciso lembrar que antes de parecer que não pensei "nos outros" eu tenho família. Tenho uma filha, tenho um marido, tenho mãe e sogros no grupo de risco. Tenho pessoas que trabalham para mim, algumas também do grupo de risco. Os outros podem perfeitamente ser as pessoas de quem eu gosto.

Continuei a trabalhar com normalidade e não fiz quarentena. O que aconteceu foi que mais de uma semana após o meu regresso, disparou o aumento de casos identificados e pediram-me para não ir ao escritório, a minha irmã pediu para não fazer visitas e eu respeitei. Mas já tinham passado uns 10 dias.

Não levei a situação com descrédito, levei com a preocupação necessária que as diversas entidades me diziam que tinha de ter. 

Se depois disto acho que os governos e as entidades como a OMS são de desconfiar? Não sei. Mais uma vez, não há uma pessoa que tenha passado por algo assim em vida ao mesmo tempo que a China parece ter omitido informação relevante que podia ter alterado o curso de todos os outros países. Olhando para trás, até onde se podia exigir mais rigor?

O que eu tenho a certeza, absoluta (apesar de se dizer que Portugal deu uma resposta rápida), é que se tivéssemos entrado em confinamento ao paciente 0 identificado em Portugal, com fronteiras fechadas, tinha-se poupado a economia, empregos, vidas e estaríamos confinados em casa muito menos tempo. Depois de os coitados dos italianos serem o mártir europeu para as consequências do COVID-19, não havia motivo nenhum para os governantes de Portugal ou Espanha acharem que ia ser diferente.




SHARE:

2.4.20

Camarão na moranga



Finalmente, a receita tão desejada da Sirly, o camarão na moranga! Isto é mesmo, mesmo, mesmo, bom. Acho que fazemos esta receita quase todas as semanas.

Vamos por partes: "moranga" é um tipo de abóbora e o que têm de fazer para esta receita é comprar o tipo de abóbora comum que vemos em Portugal, é igualmente bom.

500-700gr. de camarão médio cozido e descascado
600gr. de abóbora (isto é muito a olho)
3 tomates 
1 cebola
2 dentes de alho
1 pacotinho de natas
3 colheres  de sopa de ketchup
100gr. de queijo Philadelphia
azeite
sal 
pimenta
coentros picados

Limpe a abóbora, parta em cubos de tamanho grande (mas comestível) e coloque a assar num pirex no forno.

Numa panela, aqueça o azeite, refogue o alho e a cebola, adicione os tomates picados (com pele, mas sem sementes) e deixe cozinhar por beves minutos. Tempere com sal, pimenta e adicione o ketchup.

Desligue o lume, acrescente o camarão cozido descascado, as natas e o queijo Philadelphia, mexendo bem. De seguida, acrescente a abóbora assada e os coentros picados.

Que maravilha! Isto com uma boa salada e arroz basmati, é de sonho.

De forma mais trabalhosa, a forma original de fazer este prato é diferente. É ter uma abóbora média inteira, cortar-lhe uma "tampa" e retirar o interior da forma possível. Levar a assar o recheio e também a casca (assa por menos tempo), proceder de forma igual no resto da receita, mas no fim colocar tudo dentro da abóbora. Cobrir a zona da tampa com mozarella e voltar a levar ao forno apenas para gratinar. Uma vez fora do forno, é servir com uma colher grande.

Fizemos da forma original da primeira vez, mas é muito trabalhosa e o recheio não cabe todo dentro da mesma abóbora. Por isso adaptámos a receita às necessidades do dia-a-dia e o sabor é igual, mas a forma original pode ser gira para servir num jantar com amigos, por exemplo.

#sirlypower




SHARE:

1.4.20

Going to the movies: Knives Out


Trailer aqui

Knives Out, que filme genial!

Não faço ideia se o filme custou uma pipa de massa com este elenco ou se o elenco achou o filme tão genial que quis fazer parte dele. O certo é que está cheio de prémios e a render mais do que eu e quem me lê vamos ganhar a vida inteira.

O filme é bom demais, ficará sempre na minha memória toda aquela genialidade do enredo, dos diálogos e das interpretações. Carregadinho de sarcasmo, Knives Out é uma espécie uma espécie de Agatha Christie cheio de requinte. 

No enredo, Harlan Thrombey, escritor de sucesso e milionário, convida a família para festejar o seu 85º aniversário. É uma família disfuncional como muitas, mas para quem está de fora são de um humor maravilhoso. Pronto, são uns totós cheios de si próprios que no fundo vivem à conta dos livros que o pai vai publicando. Mas na manhã seguinte à festa de aniversário, o escritor é encontrado morto.

E mais não digo, vejam vocês se descobrem quem é o assassino. Boa sorte nisso!

Aluguei o vídeo via TV (tenho NOS).




SHARE:

20.3.20

Diário COVID-19 #4 - Estas medidas, o que significam na prática?




Várias pessoas me perguntam qual a minha opinião sobre o estado das coisas. E a minha resposta é: vocês não querem a minha opinião. Trust me. Pessoas sensíveis, não leiam a partir daqui.

Eu já desisti, estou perfeitamente consciente de que vou apanhar isto, é uma questão de quando e pedir aos santinhos para fazer parte dos 80% que desenvolvem doença ligeira ou assintomática. Quando a Merkel assume aos alemães que 70% a 80% da população vai ser infectada, ela está a ser honesta e isso aplica-se aos outros países. Está a dizer a verdade sobre probabilidades.

No dia em que Portugal declarou ter 112 casos identificados (ainda sem mortes), numa conversa breve entre mim, A e B, conhecíamos 15% das pessoas que ocupavam esta lista. Qual a probabilidade? Pouca, os infectados têm de ser muito mais. Não quero com isto dizer que a lista de números é mentira, quero dizer que a verdadeira dimensão tem de ser uma incógnita monstruosa.

Boneco do Público, aqui

Ou seja, os governantes deste país já assumiram que o mais certo é ficarmos quase todos doentes, mas a ideia é atrasar a quantidade de pessoas doentes ao mesmo tempo.

No desenho, o sombrero mexicano a cor-de-rosa pode servir de exemplo para o caso italiano: falta de material de protecção médica, não há camas, não há ventiladores, têm de escolher quem vive e quem morre, é um fim de mundo e andam a morrer 400/500 pessoas ao dia.

Por cá querem que sejamos o exemplo a azul. É quase certo que ficamos doentes, mas a intenção é que sejam menos pessoas em simultâneo (por comparação ao volume italiano) e que fiquemos abaixo da linha que define o limite da capacidade do SNS.

Enquanto não existir vacina não há como conter isto e os países que ainda não têm casos, vão ter. Nunca houve tanta população flutuante como agora (bom, como até há um mês) e isso teve consequências. Não acredito que algum país vá ficar para a história sem um caso para contar. E a acção da maioria dos governos é deixar acontecer porque, dinheiro e coiso...

Aqui, o que importa são os números, a economia, porque os países (e as pessoas) não podem acabar todas pobres. Pior do que as mortes provocadas por este vírus seria uma anarquia mundial onde imperasse o desemprego, a fome e o cada um por si.

Sim, num registo à Boris Jonhson, vão morrer pessoas. E aqui é pedir outra vez aos santinhos para que não seja nenhuma das pessoas que ocupa espaço no coração.

Em Itália , à data deste texto, já morreram cerca de 3.400 pessoas e em Espanha cerca de 1.000 pessoas. O Symphony of the Seas, um cruzeiro que fiz há tempos, tem capacidade para cerca de 7 mil pessoas. Sim, em Itália já morreram cerca de 3.400 pessoas, mas eles são 60 milhões. As mortes de Espanha e Itália somadas não chegam para preencher a ocupação do navio onde viajei um dia. Este é contas que os governos fazem, números. É trágico para quem sente, mas não é para quem analisa gráficos. São números, todos nós somos números.

Se morresse 1% do país, 100 mil pessoas, essa opção continua a ser economicamente mais favorável do que decretar isolamento obrigatório, fechar fronteiras e parar a máquina económica do país. De um ponto de vista mórbido-financeiro, sendo que a maior parte das mortes acontecem nas faixas etárias mais altas, isto significa menos reformas para pagar por parte da segurança social, médicos de família com maior disponibilidade, mais imobiliário livre para rodar no mercado e noutras faixas etárias, mais emprego disponível.

É um ponto de vista macabro, eu sei. Mas é isso que somos todos, números, e nesta análise incluo-me a mim e todas as pessoas de quem gosto, ninguém está livre.

Ao mesmo tempo, o que se viu neste país foi:

1) A DGS passar a palavra "no pasa nada", incluindo, em vídeo (que guardei), a afirmação que cito: "há uma fraquíssima possibilidade de o vírus se transmitir de uma pessoa para outra" e "não há grande probabilidade de um vírus destes chegar a Portugal". É chocante. Eu percebo que a informação podia ser escassa, mas na falta de informação, o silêncio é de ouro. Tudo o que a Graça Freitas, directora-geral da saúde, disser daqui em diante, olhem, já não consigo confiar.

2) O Presidente da República, o homem dos afectos, desiludiu ao vaporizar-se no ar quando o país mais precisava da sua presença. Mas sobre isso não me alongo, nenhuma opinião é tão boa como a do Pedro Coelho dos Santos neste excelente artigo do Observador.

3) Nunca a expressão de brincadeira "Costa Concórdia" se aplicou tão bem a António Costa. É incompreensível como esticou no tempo quanto pôde a tomada de decisões simples e isso vai dar cocó no fim do mês de Abril. Choca-me enquanto cidadã que tudo paire no ar com tanta decisão que podia ter sido tomada sem a mão de Marcelo.

Este governo deixou que fossem os cidadãos a tomar o pulso às medidas vendo o que se passava noutros países. Este governo deixou que todos fôssemos invadidos pelo medo e enfiar-nos na toca à espera de melhores dias. Fomos cada um de nós, sem orientações, que tomámos medidas. O Costa chegou atrasado à festa, já tínhamos jantado.

Em geral, as medidas anunciadas são uma fantochada, resumem-se a créditos, ou seja, a mais dívida para quem já sente a corda ao pescoço e a angústia de não saber quanto tempo isto dura. Agora é um jogo de casino, o empresário aposta no preto ou no vermelho? Recorre a empréstimos ou não? É que ao contrair mais dívida, ninguém diz qual o desemprego que vem a seguir ao COVID-19, se há consumo, logo, pode não existir facturação, logo, pode ter de fechar a empresa na mesma, logo, pode até surgir o risco de penhoras. Obrigadinha, não quero mais dívida. Mas na verdade nem teria direito a este pacote de créditos se quisesse, os meus negócios não fazem parte das áreas de negócios abrangidas.

E é tudo tão podre que relativamente aos negócios da área estética (que são milhares e milhares no país) a informação é omissa. Não diz que o meu cabeleireiro tem de fechar, mas também não me diz que posso abrir. E este facto não foi um acidente, é propositado para ganhar tempo. Enquanto isso, paga o empresário que tem as portas fechadas e facturação zero.

4) Esta coisa do estado de emergência decretado por 15 dias é outra fantochada, não é mais do que gestão de expectativas. A ideia é "não vou dizer que vamos ficar dois meses em casa para não alarmar ninguém, vamos pelos 15 dias renováveis e vamos aumentando". Depois, cada anúncio de renovação destes períodos de emergência (que vão surgir) será acompanhado de discursos: "juntos somos mais fortes", "estamos a conseguir", "somos um exemplo mundial", "os números são optimistas", "às armas!", e quando o microfone se desliga o António Costa olha para trás e pergunta: "quando é que isto acaba, alguém sabe?". Ninguém sabe. Estão claramente a apanhar papéis e isso vê-se pelo tempo que demoram a anunciar medidas. E se eu percebo que não possam adivinhar o futuro quanto ao vírus, há coisas que são adivinháveis.

Se calhar é este o papel do governo, manter-nos eternamente optimistas. Mas para mim o papel teria sido deitar os olhos à China e preparar um plano atempado no caso de o vírus fazer entrada em Portugal. E se nada acontecesse, ganhava-se pela experiência de trabalho. Caramba, até nas minhas empresas se falou com os funcionários sobre a possibilidade de isto acontecer.

5) Regra geral, o que eu sinto é que há mais marcas a "dar" do que sinto que o governo o faça: oferta de tráfego de internet, portes grátis nas encomendas online, fábricas a oferecer máscaras, a CGD que permite adiar no tempo o pagamento dos créditos à habitação, o supermercado que oferece pão a quem precisar, o vizinho que ajuda o próximo, etc.

Do governo vejo os impostos a chegar ou "então pagas mais tarde ou se preferires empresto-te e pagas-me de volta com um juro mínimo". Nenhum imposto foi reduzido nem por um mês, nem por um par de meses, nada para quem não sabe se no mês que vem tem emprego.

Resumindo, quanto a dinheiros, ou ficamos a dever ou pedimos emprestado e ficamos a dever com mais qualquer coisinha por tão nobre ajuda. Noutros países há muitas isenções para estes meses.

A mim, empresária é pedido que tenha um fundo de maneio para estes imprevistos e que arque com a despesa. Os cofres do estado, onde colocamos os nossos impostos, não têm de ter um fundo como nos é exigido. Mas se for um banco, o nosso dinheiro lá estará.

É preciso ser-se doido para ser empresário em Portugal.

Em suma, nesta altura, eu só acredito no que os médicos dizem. Acredito na palavra de quem anda no terreno, de quem não está preocupado com a imagem que vai passar e está mais preocupado com o que enfrenta ou vai enfrentar. É que estas pessoas não têm um cargo político ao qual desejam dar continuidade, querem apenas prestar o melhor trabalho possível, salvar o maior número de vidas e proteger-se quanto é possível.

O governo vai entreter-nos enquanto puder, deixar a dúvida no ar e enquanto isso o tempo passa, as empresas vão ao buraco e dá-se início ao desemprego.

Eu não tenho a mania nem sei se fazia melhor, mas sei o que sinto na pele enquanto cidadã e empresária. Se há coisas que podem estar a ser bem feitas (nem sei), há muitas que não fazem sentido, mil que estão atrasadas, outras que estão omissas, etc. Eu queria era ver medidas que me impressionassem e que me fizessem sentir um factor "uau". Mas é tudo mais do mesmo, tarde e a más horas.

Anyway - para os críticos dos meus textos que eu tenho a mania que tenho razão - riquezas, não há mais nada no mundo que eu deseje nesta fase senão estar completamente enganada. Ter razão é na verdade um pain in the ass que não me traz nada de bom, OK?

***

ADENDA: no dia seguinte a este texto lá saíram as medidas que proíbem a abertura de espaço de estética como os cabeleireiros. Tanto tempo! Já eu tinha fechado antes.





SHARE:
© A Maçã de Eva

This site uses cookies from Google to deliver its services - Click here for information.

Blogger Template Created by pipdig