20.3.20

Diário COVID-19 #4 - Estas medidas, o que significam na prática?




Várias pessoas me perguntam qual a minha opinião sobre o estado das coisas. E a minha resposta é: vocês não querem a minha opinião. Trust me. Pessoas sensíveis, não leiam a partir daqui.

Eu já desisti, estou perfeitamente consciente de que vou apanhar isto, é uma questão de quando e pedir aos santinhos para fazer parte dos 80% que desenvolvem doença ligeira ou assintomática. Quando a Merkel assume aos alemães que 70% a 80% da população vai ser infectada, ela está a ser honesta e isso aplica-se aos outros países. Está a dizer a verdade sobre probabilidades.

No dia em que Portugal declarou ter 112 casos identificados (ainda sem mortes), numa conversa breve entre mim, A e B, conhecíamos 15% das pessoas que ocupavam esta lista. Qual a probabilidade? Pouca, os infectados têm de ser muito mais. Não quero com isto dizer que a lista de números é mentira, quero dizer que a verdadeira dimensão tem de ser uma incógnita monstruosa.

Boneco do Público, aqui

Ou seja, os governantes deste país já assumiram que o mais certo é ficarmos quase todos doentes, mas a ideia é atrasar a quantidade de pessoas doentes ao mesmo tempo.

No desenho, o sombrero mexicano a cor-de-rosa pode servir de exemplo para o caso italiano: falta de material de protecção médica, não há camas, não há ventiladores, têm de escolher quem vive e quem morre, é um fim de mundo e andam a morrer 400/500 pessoas ao dia.

Por cá querem que sejamos o exemplo a azul. É quase certo que ficamos doentes, mas a intenção é que sejam menos pessoas em simultâneo (por comparação ao volume italiano) e que fiquemos abaixo da linha que define o limite da capacidade do SNS.

Enquanto não existir vacina não há como conter isto e os países que ainda não têm casos, vão ter. Nunca houve tanta população flutuante como agora (bom, como até há um mês) e isso teve consequências. Não acredito que algum país vá ficar para a história sem um caso para contar. E a acção da maioria dos governos é deixar acontecer porque, dinheiro e coiso...

Aqui, o que importa são os números, a economia, porque os países (e as pessoas) não podem acabar todas pobres. Pior do que as mortes provocadas por este vírus seria uma anarquia mundial onde imperasse o desemprego, a fome e o cada um por si.

Sim, num registo à Boris Jonhson, vão morrer pessoas. E aqui é pedir outra vez aos santinhos para que não seja nenhuma das pessoas que ocupa espaço no coração.

Em Itália , à data deste texto, já morreram cerca de 3.400 pessoas e em Espanha cerca de 1.000 pessoas. O Symphony of the Seas, um cruzeiro que fiz há tempos, tem capacidade para cerca de 7 mil pessoas. Sim, em Itália já morreram cerca de 3.400 pessoas, mas eles são 60 milhões. As mortes de Espanha e Itália somadas não chegam para preencher a ocupação do navio onde viajei um dia. Este é contas que os governos fazem, números. É trágico para quem sente, mas não é para quem analisa gráficos. São números, todos nós somos números.

Se morresse 1% do país, 100 mil pessoas, essa opção continua a ser economicamente mais favorável do que decretar isolamento obrigatório, fechar fronteiras e parar a máquina económica do país. De um ponto de vista mórbido-financeiro, sendo que a maior parte das mortes acontecem nas faixas etárias mais altas, isto significa menos reformas para pagar por parte da segurança social, médicos de família com maior disponibilidade, mais imobiliário livre para rodar no mercado e noutras faixas etárias, mais emprego disponível.

É um ponto de vista macabro, eu sei. Mas é isso que somos todos, números, e nesta análise incluo-me a mim e todas as pessoas de quem gosto, ninguém está livre.

Ao mesmo tempo, o que se viu neste país foi:

1) A DGS passar a palavra "no pasa nada", incluindo, em vídeo (que guardei), a afirmação que cito: "há uma fraquíssima possibilidade de o vírus se transmitir de uma pessoa para outra" e "não há grande probabilidade de um vírus destes chegar a Portugal". É chocante. Eu percebo que a informação podia ser escassa, mas na falta de informação, o silêncio é de ouro. Tudo o que a Graça Freitas, directora-geral da saúde, disser daqui em diante, olhem, já não consigo confiar.

2) O Presidente da República, o homem dos afectos, desiludiu ao vaporizar-se no ar quando o país mais precisava da sua presença. Mas sobre isso não me alongo, nenhuma opinião é tão boa como a do Pedro Coelho dos Santos neste excelente artigo do Observador.

3) Nunca a expressão de brincadeira "Costa Concórdia" se aplicou tão bem a António Costa. É incompreensível como esticou no tempo quanto pôde a tomada de decisões simples e isso vai dar cocó no fim do mês de Abril. Choca-me enquanto cidadã que tudo paire no ar com tanta decisão que podia ter sido tomada sem a mão de Marcelo.

Este governo deixou que fossem os cidadãos a tomar o pulso às medidas vendo o que se passava noutros países. Este governo deixou que todos fôssemos invadidos pelo medo e enfiar-nos na toca à espera de melhores dias. Fomos cada um de nós, sem orientações, que tomámos medidas. O Costa chegou atrasado à festa, já tínhamos jantado.

Em geral, as medidas anunciadas são uma fantochada, resumem-se a créditos, ou seja, a mais dívida para quem já sente a corda ao pescoço e a angústia de não saber quanto tempo isto dura. Agora é um jogo de casino, o empresário aposta no preto ou no vermelho? Recorre a empréstimos ou não? É que ao contrair mais dívida, ninguém diz qual o desemprego que vem a seguir ao COVID-19, se há consumo, logo, pode não existir facturação, logo, pode ter de fechar a empresa na mesma, logo, pode até surgir o risco de penhoras. Obrigadinha, não quero mais dívida. Mas na verdade nem teria direito a este pacote de créditos se quisesse, os meus negócios não fazem parte das áreas de negócios abrangidas.

E é tudo tão podre que relativamente aos negócios da área estética (que são milhares e milhares no país) a informação é omissa. Não diz que o meu cabeleireiro tem de fechar, mas também não me diz que posso abrir. E este facto não foi um acidente, é propositado para ganhar tempo. Enquanto isso, paga o empresário que tem as portas fechadas e facturação zero.

4) Esta coisa do estado de emergência decretado por 15 dias é outra fantochada, não é mais do que gestão de expectativas. A ideia é "não vou dizer que vamos ficar dois meses em casa para não alarmar ninguém, vamos pelos 15 dias renováveis e vamos aumentando". Depois, cada anúncio de renovação destes períodos de emergência (que vão surgir) será acompanhado de discursos: "juntos somos mais fortes", "estamos a conseguir", "somos um exemplo mundial", "os números são optimistas", "às armas!", e quando o microfone se desliga o António Costa olha para trás e pergunta: "quando é que isto acaba, alguém sabe?". Ninguém sabe. Estão claramente a apanhar papéis e isso vê-se pelo tempo que demoram a anunciar medidas. E se eu percebo que não possam adivinhar o futuro quanto ao vírus, há coisas que são adivinháveis.

Se calhar é este o papel do governo, manter-nos eternamente optimistas. Mas para mim o papel teria sido deitar os olhos à China e preparar um plano atempado no caso de o vírus fazer entrada em Portugal. E se nada acontecesse, ganhava-se pela experiência de trabalho. Caramba, até nas minhas empresas se falou com os funcionários sobre a possibilidade de isto acontecer.

5) Regra geral, o que eu sinto é que há mais marcas a "dar" do que sinto que o governo o faça: oferta de tráfego de internet, portes grátis nas encomendas online, fábricas a oferecer máscaras, a CGD que permite adiar no tempo o pagamento dos créditos à habitação, o supermercado que oferece pão a quem precisar, o vizinho que ajuda o próximo, etc.

Do governo vejo os impostos a chegar ou "então pagas mais tarde ou se preferires empresto-te e pagas-me de volta com um juro mínimo". Nenhum imposto foi reduzido nem por um mês, nem por um par de meses, nada para quem não sabe se no mês que vem tem emprego.

Resumindo, quanto a dinheiros, ou ficamos a dever ou pedimos emprestado e ficamos a dever com mais qualquer coisinha por tão nobre ajuda. Noutros países há muitas isenções para estes meses.

A mim, empresária é pedido que tenha um fundo de maneio para estes imprevistos e que arque com a despesa. Os cofres do estado, onde colocamos os nossos impostos, não têm de ter um fundo como nos é exigido. Mas se for um banco, o nosso dinheiro lá estará.

É preciso ser-se doido para ser empresário em Portugal.

Em suma, nesta altura, eu só acredito no que os médicos dizem. Acredito na palavra de quem anda no terreno, de quem não está preocupado com a imagem que vai passar e está mais preocupado com o que enfrenta ou vai enfrentar. É que estas pessoas não têm um cargo político ao qual desejam dar continuidade, querem apenas prestar o melhor trabalho possível, salvar o maior número de vidas e proteger-se quanto é possível.

O governo vai entreter-nos enquanto puder, deixar a dúvida no ar e enquanto isso o tempo passa, as empresas vão ao buraco e dá-se início ao desemprego.

Eu não tenho a mania nem sei se fazia melhor, mas sei o que sinto na pele enquanto cidadã e empresária. Se há coisas que podem estar a ser bem feitas (nem sei), há muitas que não fazem sentido, mil que estão atrasadas, outras que estão omissas, etc. Eu queria era ver medidas que me impressionassem e que me fizessem sentir um factor "uau". Mas é tudo mais do mesmo, tarde e a más horas.

Anyway - para os críticos dos meus textos que eu tenho a mania que tenho razão - riquezas, não há mais nada no mundo que eu deseje nesta fase senão estar completamente enganada. Ter razão é na verdade um pain in the ass que não me traz nada de bom, OK?

***

ADENDA: no dia seguinte a este texto lá saíram as medidas que proíbem a abertura de espaço de estética como os cabeleireiros. Tanto tempo! Já eu tinha fechado antes.





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17.3.20

Diário COVID-19 #3 - Afinal, o que é que este vírus faz ao nosso corpo?




Afinal, o que é que o COVID-19 faz ao nosso corpo?

Estudos mostram que 80% dos casos desenvolve doença sem sintomas ou sintomas ligeiros, como os de uma gripe comum que tantos temos a cada inverno. Mas há 20% dos infectados que desenvolve doença severa e, desses, 10% podem precisar de ajuda para respirar, de um ventilador. Não fosse isso e diria que tínhamos muito menos motivos para nos preocuparmos com este vírus.

E, se infectado, ninguém sabe se vamos fazer parte dos 80% ou dos 20%

As contas são simples: somos cerca de 10 milhões de portugueses. Se 1% do país for infectado (numa perspectiva para lá de optimista), estamos a falar de 100 mil doentes. Destes, 80 mil ficam porreiros, mas 20 mil vão ter doença severa e, desses, metade pode precisar de ventilador.

Não existem 10 mil ventiladores em Portugal, nem nenhum país tem ventiladores que chegue para toda a gente. E isto não se trata de "Portugal é uma merda", é assim em qualquer país.

E o que está a acontecer em Itália, com o número de mortes a galope é isso mesmo, não há ventiladores, nem pessoal médico (já exausto) e por isso têm de deixar morrer. Há inclusivamente directivas para não ocupar estas máquinas em maiores de 60 anos ou com outras doenças que não lhes permitirá muito mais tempo de vida. O cenário é de terror. E isto não é uma expressão, é mesmo de terror.

No entanto, o Ministério da Saúde declarou ontem que Portugal tem cerca de 1.200 ventiladores. E se ficarmos doentes aos poucos em vez de ir de avalanche como se passa em Itália ou começa a acontecer em Espanha, as probabilidades de sobrevivência aumentam para todos nós. Daí a importância do isolamento social. A probabilidade de todos ficarmos doentes é enorme e a nossa possibilidade de salvação é ficar doentes, mas poucos de casa vez. Isolamento social é a nossa melhor arma conta esta guerra invisível.

O que o COVID-19 faz ao nosso corpo está explicado neste vídeo, com bonecos e tudo, explicado para leigos. A bibliografia médica está também indicada no vídeo.



Uma década da minha vida profissional passei-a no ramo da saúde, como assessora de imprensa, com os pés em comunicação de crise, passando pelo INEM e outros organismos do Ministério da Saúde. Toda a informação que tenho disponibilizado é científica, parte da leitura de fontes credíveis e dos meus contactos de quem está no terreno. Não faço afirmações que não possam ser confirmadas. Não invento factos, procuro combater a desinformação e os mitos. A minha preocupação é real.

Pessoas, optem pelo isolamento voluntário. Empresas, permitam o isolamento. Dêem o exemplo.

Ponham-se a salvo 



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16.3.20

Diário COVID-19 #2 - Carta aberta a António Costa




António Costa,

estás a ser a vergonha da nação.

Permite que te trate por tu, já nos cruzámos algumas vezes e facilita a comunicação.

Hoje foi a primeira vez na minha vida que quis fazer uma sopa para a minha família e não encontrei legumes. Nunca vivi uma coisa destas!

Os tempos não estão para fracos. Este, podia ser o momento em que mostras de que fibra és feito. Mas no lugar de determinação, só vejo uma coisa mole.

Estamos a viver um momento histórico do qual se vai escrever nos livros e estão a ser os privados a dar o exemplo: ginásios, restaurantes, lojas, as que podem estão a fechar e as que operam em centros comerciais estão obrigadas a abrir.

Tenho três empresas, 15 pessoas dependem dos meus negócios para pagar as contas. Os meus espaços estão fechados! Não obrigo os meus colaboradores a trabalhar com medo de ficarem doentes e também não há clientes que justifique estarem abertos.

E pior, vão estar fechados muito tempo. Indeterminado. Estou convencida que este ano a minha marca não lança calçado ou bikinis de nova colecção (pelo menos uma temporada inteira).

Há outros privados e que obrigam as pessoas a trabalhar. Riem-se na cara dos colaboradores desesperados. Todos os dias recebo mensagens de pessoas apavoradas porque os patrões as obrigam a trabalhar. Vão com medo e não ficam em casa com medo também. Têm de escolher entre o risco de ficarem doentes e perder o emprego. A culpa é tua!

Eu já nem sei bem se tenho medo do vírus. O que tenho mesmo medo é de que eu (ou alguém importante na minha vida) não possa receber assistência médica porque não há como.

Neste momento, em Itália, existem directivas escritas para não entubar maiores de 60. A minha mãe tem 60 anos! As pessoas com 60 anos não são velhas e não estão prontas para morrer! Na sua maioria têm bons anos de vida para gozar em reforma e em família com o que amealharam a vida inteira.

E tenho tanto medo de não ter assistência médica como tenho do desastre económico que este governo está a cozinhar. Não há tesourarias que aguentem isto por tempo indeterminado!

Estamos a atrasar o inevitável, o que todos os países tiveram de fazer. Não existe nenhum país com retrocesso do nº de infectados sem tomar medidas extremas. NENHUM!

O Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (que é composto por 8 universidades médicas do país), pediram há dias numa carta aberta que fechasses o país e decretasses o isolamento obrigatório porque o SNS não vai aguentar!

A quem é que estás a dar ouvidos para estas meias decisões que tens tomado?

Os números de pessoas infectadas é fácil de adivinhar se não fizermos o mesmo que em Itália. 
É matemática, aritmética simples. O nº de infectados confirmados em Portugal daqui a dois dias é de cerca de 500 infectados. E na verdade não são quinhentos, esses são os identificados!

Somos cerca de 10 milhões de portugueses. Se 1% do país for infectado (numa perspectiva para lá de optimista), estamos a falar de 100 mil doentes. Destes, os estudos mostraram que 80% vão desenvolver doença ligeira e 20% doença severa. Desses 20%, metade pode precisar de ventilador. 

Existem 10 mil ventiladores em PT, António Costa?

Não existem nem 5 mil. Existem cerca de 1000, no máximo 2000 e é se desatarem a comprar ventiladores.

E médicos para atender isto tudo? Estás preparado para as mortes indirectas que vão acontecer pela tua inércia? Como vão ser atendidos os doentes da Via Verde AVC e da Via Verde Coronária? 

Vão ter de deixar morrer.

A Protecção Civil está há dias a pedir o encerramento de fronteiras.

Tens alguma ideia iluminada que os outros não estejam a ver?
Há algum truque mirabolante na manga?
Estás armado e Boris Johnson com ideias alternativas?
É preciso decretar o recolher obrigatório JÁ! E já vai tarde.

O país tinha de ter fechado ao paciente 0. E ainda assim teríamos depois de viver isolados do resto do mundo enquanto outros países se compunham para não voltar a deixar o vírus entrar. 

Mas salvava-se a economia interna com algumas perdas. Cada dia que isso tarda em acontecer, custa-me uma fortuna. A mim e a todos.

Daqui a um mês as PME estão de gatas.
Daqui a dois meses o mercado imobiliário entra em queda acentuada.
Em menos de nada a TAP vai ter todos os aviões parados no chão.
Daqui a dois ou três meses, as PME não têm como pagar as contas.

Olhando aos mercados e a carnificina financeira que aí vem, por mais soluções que eu procure na minha imaginação, a única que eu vejo para não cairmos em desgraça é imprimir dinheiro, tipo Casa de Papel, a série da Netflix.

Lembras-me uma criança a fazer o desfralde: um xixi aqui, outro ali, medida aqui e acolá, tudo em nome de não parar a economia.

Mas vai tudo parar de qualquer maneira! 
Se não parar porque tomaste medidas, vai parar exactamente porque não tomaste medidas!

Será possível que na conferência de imprensa de ontem tenham anunciado a suspensão de aulas de condução e o consumo de bebidas alcoólicas na via pública?

Será possível que tenham dito, “não queremos fechar o país”. Eu também não! Achas que alguém quer? Eu queria estar no Rio de Janeiro a esta altura!

As escolas não vão voltar a abrir este ano lectivo. Sê honesto e admite essa alta probabilidade à população.

O que tinha de ser feito era fechar tudo ao paciente zero e em pouco tempo a situação estava controlada. Vivíamos de fronteiras fechadas até os outros países se organizarem. Vivíamos como numa ilha, mas a economia nacional estaria a salvo. 

Podias ter feito de nós o exemplo europeu.

Estás completamente perdido. Vou-te ajudar nas primeiras medidas a tomar e que era o que devia ter sido anunciado ontem:

- Suspender os pagamentos de todos créditos de habitação. 
- Suspender os pagamentos de todos créditos a empresas, pagando apenas os juros.
- Eliminar nos próximos 6 meses o IVA de todos os bens de primeira necessidade: pão, água, luz…
- Obrigar as águas, a EDP, a cobrar apenas o consumo, deixando o IVA, taxas e taxinhas de parte.
- Isentar as empresas de TSU a partir de Abril e até a economia recuperar deste buraco que se cava a cada dia que o teu governo deixa passar.
- Isenção fiscal ABSOLUTA para os profissionais de saúde na linha da frente desta desgraça e até ao fim do ano.

Era isto que era preciso ter sido dito ontem, só para começar e fazer os portugueses colaborar e sentirem esperança.

Não é suspender aulas de condução e impedir os copos na rua, que isso é andar a brincar aos ministros. A conferência de ontem parecia um sketch dos gato fedorento!

Eu sei que essa cadeira não deve ser fácil de ocupar. É difícil agradar a gregos e troianos, sobretudo aguentar a pressão que os maiores grupos económicos colocam só a olhar aos cifrões.

Mas é hora de agarrar o touro pelos cornos. É hora de tomar as medidas drásticas que a situação exige.

António Costa, diz aos portugueses, de que fibra és feito?



O meu nome é Ana Ros, gravei este vídeo a 16 de Março de 2020. É o primeiro vídeo público com mais de alguns segundos que eu alguma vez fiz, com o risco de me estar a prestar ao ridículo e à humilhação.

Mas esta inércia que vejo perante o óbvio, os dias a passarem, a ver a destruição das minhas empresas, a possibilidade de deixar 15 pessoas à fome ou sem tecto, a saber que no próximo ano não terei como pagar a escola da minha filha, tudo isto obriga-me a ter voz activa na esperança de que estas palavras cheguem ao Primeiro Ministro numa rede social. 

Por favor, tenham voz activa nas redes sociais que é o único espaço onde nos podemos juntar nesta altura. Perguntem-se: o que fiz hoje pelo meu país?

Pessoas e empresas, optem pelo isolamento voluntário. Dêem o exemplo a este governo que, se não nos ensina, ao menos que aprenda connosco.

Uma década da minha vida profissional passei-a no ramo da saúde, como assessora de imprensa, com os pés em comunicação de crise, passando pelo INEM e outros organismos do Ministério da Saúde. Toda a informação que tenho disponibilizado é científica, parte da leitura de fontes credíveis e dos meus contactos de quem está no terreno. Não faço afirmações que não possam ser confirmadas. Não invento factos. E não contribuo para a desinformação para ter visualizações ou likes. A minha preocupação é real.

Ponham-se a salvo 




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14.3.20

Diário CODIV-19 #1 - Deixem uma pessoa (já desgastada) em paz


Uma década da minha vida profissional passei-a no ramo da saúde, como assessora de imprensa, com os pés em comunicação de crise, passando pelo INEM e outros organismos do Ministério da Saúde. Toda a informação que tenho disponibilizado no Instagram do blogue é científica, parte da leitura de fontes credíveis e dos meus contactos de quem está no terreno. Não faço afirmações que não possam ser confirmadas. Não invento factos. E não contribuo para a desinformação para ter visualizações ou likes, que é coisa que não me importa.

Importa-me tão pouco que escrevo este post no blogue para reduzir a interacção directa que tenho no Instagram do blogue. Inclusivamente retirei a opção de me responderem aos stories.

A informação que tenho disponibilizado e interpretado não a procuro para os outros. Procuro para mim, porque me importa, porque o cenário é aterrador, porque a cada dia que passa vejo que não estão a ser tomadas as medidas necessárias. É que até o Conselho de Escolas Médicas Portuguesas (o grupo de todas as universidades médicas) já solicitou publicamente, em carta aberta, que o país seja encerrado e ordenado o recolher obrigatório como se fez em Itália (ver aqui). Não sou eu que tenho opiniões negativas. O cenário é negro e não há nenhum especialista que o desminta!

Tenho recebido imensos contactos de seguidores. Como nunca, arrisco dizer. A larga maioria agradece os esclarecimentos que vou fazendo e as explicações que dou.

Como podem ver nos stories, expliquei por que é que nesta fase não existe "grupo de risco". Somos todos grupos de risco. Há os assintomáticos, os que desenvolvem doença ligeira e os que desenvolvem doença severa. Muitos desses precisam de ventiladores e em Itália já não há. O nº de mortos em Itália não se multiplica porque o vírus por lá é mais mortal, mas sim porque não existe capacidade de resposta. Se vos interessam as explicações, podem saber mais aqui.

E depois existe uma pequena minoria que me escreve em desagrado. Eu aceito que não concordem. Eu aceito que tenham uma opinião completamente oposta. Eu aceito que sejam cegos, optimistas, ingénuos. Mas isto é inaceitável e, na verdade, uma maldade.


Relembro que ninguém é obrigado a seguir a minha página. Relembro que até podem gostar da minha página mas não se interessar por estes conteúdos e voltar em tempos mais felizes. Relembro que é possível discordar de uma opinião sem ir buscar o pior de si, incomodando uma pessoa que já não dorme, tal o medo.

Eu não estou histérica. Eu não arranco cabelos. Eu não tenho crises de choro, embora por vezes fique de lágrimas nos olhos.

Estou em isolamento, vejo gráficos, tenho capacidade de os interpretar, vejo que nos países do Mediterrâneo ainda não mostram um "sombrero" mexicano (explicação para outro post) e isso significa que a procissão vai no adro. Acham que o cenário ao dia de hoje é mau? Vai piorar.

Tenho vários negócios (todos a fechar esta semana que entra) e na lista de preocupações ponho-me a mim no fim. Morro de medo pelos outros, não vivo bem em consciência se não puder deixar os colaboradores confortáveis. O meu marido está sem trabalhar e acredito que a empresa dele vá parar por largos meses.

Eu não me "enfiei" na feira de calçado de Milão em modo desafio. Quando eu fui existiam poucos casos confirmados a norte do país e uma semana depois do meu regresso, tudo explodiu. Eu fui trabalhar num dia e regressei no dia seguinte. A pessoa que me enviou esta mensagem esquece-se que não há precedentes históricos para isto e este cenário só se viu em filmes. Ainda assim, sou uma pessoa muito bem informada, trabalhei mais tempo em saúde do que a idade que tem a minha marca de sapatos e na altura tomei as devidas precauções. Eu também tenho família. E gosto de viver.

Não encontrarão nenhuma afirmação em que tenha dito que em Itália estava tudo tranquilo. Nem que estava tudo agitado. Inclusivamente mostrei fotos de um cartaz na feira que pediam sorrisos em vez de cumprimentos físicos e comentei que à saída do avião fui barrada por uma equipa que mais parecia que ia à lua e me tiraram a temperatura com um laser à distância. Isto não é "em Itália estava tudo tranquilo", mostraram que estavam em prevenção, nunca fiz tal afirmação.

Eu não faço stories histéricos, faço stories assertivos e informativos. Não choro, não grito. Eu aceito que algumas pessoas prefiram não saber, viver à margem da informação, eu adoraria ser assim! Seria mais feliz. Mas informar e ser assertiva não é sinónimo de histeria. E partilhar a informação, usando uma plataforma que tenho para mais do que mostrar cremes, talvez possa fazer diferença se levar alguém a ficar em casa. Se eu conseguir que UMA família fique em casa por minha influência, isso é tudo menos ser umbiguista.

Nunca dei lições de empreendedorismo porque não sou especialista na matéria. Antes, eu partilho as minhas experiências e muitas vezes os meus erros, que também os cometo. Acredito que com os sucessos e os erros de outros podemos aprender. Eu, pelo menos, sorvo as alegrias e agruras que outros empreendedores queiram partilhar, movo-me por ouvir mais uma história, mais um conselho.

"Afinal não é assim tão boa empresária" foi uma frase tão nojenta de ler. É preciso ser-se tão má para me enviar uma mensagem destas. E se eu fosse má empresária? Que mal tinha? O meu percurso não é limpo, mas é honesto e feliz. E a possibilidade de perder o que construí com vontade e dedicação mata-me de tristeza.

Eu tenho fundo de maneio, sim. Mas também tenho consciência e ele não é infinito. E também não quero limpar as contas de uma poupança que faço desde que trabalho porque, imagine-se, sou daquelas pessoas que amealha, um dia vou ser velha e morro de medo de imprevistos.

Mas este "imprevisto" pode ir para além do verão e não há fundos que aguentem isto. Há pessoas que dependem de mim e o medo e a consciência pesam-me de tal forma que durmo a espaços, acordo de madrugada, não vejo medidas de rigor e cada dia que passa, precioso para inverter a curva de infectados, está a ser desperdiçado diante dos meus olhos. Cada dia que passa custa-me uma fortuna. Não é possível viver indiferente a isso. Não, não dá para descansar! Tem um nome, chama-se "sentido de responsabilidade".

Outras pessoas me contactaram, educadamente, para dizer "ainda bem que mudaste de opinião" por causa deste texto. Eu não mudei de opinião, tudo o que escrevi era adequado ao que se passava na altura e mantém-se.

✓ A comunicação social comportava-se desejosa por ver o Covid-19 entrar no país e disseminou notícias de revirar os olhos. Eu tenho um print de uma notícia da TVI que diz que quando uma pessoa "espirra ou tosse liberta bactérias do vírus"! - portanto, confirma-se.

✓ Os governos andaram a tomar medidas assim-assim (e continuam) para parecer que faziam alguma coisa que na verdade foi só gastar tempo e dinheiro - confirma-se.

✓ Escrevi "na propagação de um surto a sério em que todos nos transformamos em zombies, não há, mas não há mesmo, nenhum país que esteja preparado para o conter. Nenhum! Esqueçam isso" - confirma-se. E os nº de mortes em Itália é, infelizmente, um exemplo disso.

✓ A escola da minha filha enviava mails diversos, histéricos, para saber quem tinha estado nos países afectados, uma medida que não servia para nada. Ontem recebi um email a avisar de casos - confirma-se que não valia de nada.

Afirmei que só existia uma maneira de impedir a entrada do coronavírus num país, que era fechar as fronteiras. "Ninguém entra ou sai até a coisa se dissipar". E, caraças, nunca imaginei que isto fosse sequer uma possibilidade. Mas confirma-se.

A única coisa que escrevi errada foi que fevereiro é o pico da gripe, mas é da gripe comum. Este coronavírus parece ter outros planos para todos.

Sim, eu escrevo coisas, mas não são cegas. Quando não sei fico caladinha.
Sim, eu escrevo coisas, mas não ando à procura de likes.
Sim, eu posso enganar-me, não estou livre. Mas até nem foi o caso.
Sim, estamos todos a aprender com isto a cada dia e a interpretar a informação.

Não, eu não preciso que me enviem mensagens maldosas. Eu também tenho família, medo, angústia, preocupação crescente, a minha lista de dilemas não acaba.

A quem interessar, no Instagram do blogue, aqui, nos destaques, têm uma bolinha com o nome "Codiv-19", podem consultar os meus vídeos aí. Vou tentar escrever alguns textos no blogue (aparentemente não vai faltar tempo), tanto informativos como de paródia, o humor não nos pode falhar.

Partilharei ainda receitas, sugestões de filmes e séries que vi nos últimos tempos. No entanto, estes textos podem falhar. O meu portátil está a dar as últimas, estou uma década para ir ao email e para abrir uma página de internet. E agora não é momento de ir à procura de um computador.

E a quem os meus conteúdos não interessarem, tudo bem na mesma.

Se não vos responder às mensagens, não levem a mal. São mesmo muitas mensagem a entrar, às tantas passo o dia ao telefone, mais as chamadas que faço, já me dói o pescoço e recebo SMS do meu marido na sala a dizer que ele e a minha filha têm saudades minhas. Estamos em isolamento na mesma casa... No entanto, gosto de vos ler.

Fiquem bem, fiquem em casa 



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4.3.20

Batido dos ceús!




Riquezas, vejam este vídeo lindão em que a Sirly foi minha assistente. Vou virar realizadora.

ADORO esta mini-liquidificadora! Descobri-a em casa da minha sogra no verão passado a vê-la fazer batidos de fruta para os lanches da Carminho. Fiquei invejosa, queria uma para mim. Pelo tamanho, pelo sentido prático, a possibilidade de comer fruta batida, pela ideia de substituir os lanches de pão, etc. Eu tinha de ter esta mini-liquificadora!

Já a tenho há uns meses e posso dizer-vos que vale cada cêntimo. Custa 49,99€, é prática de usar, de lavar, de arrumar, estou mesmo contente.

Sim, também tenho robot de cozinha, mas não é a mesma coisa. O robot desmotiva-me para fazer batidos/sumos de um ou dois copos. Funciono mil vezes melhor com esta mini-liquidificadora, nunca me dá preguiça porque não pesa, não é chata de lavar, não preciso desmontar mil peças, é maravilhosamente simples.

Além disso, dá vontade de explorar novas receitas. Há tempos, eu e o PAM bebemos um batido fenomenal num brunch. Identifiquei mais ou menos os ingredientes, tentei reproduzir em casa e não é que ficou praticamente igual? Experimentem, não se vão arrepender!

1 banana madura 
1 colher de sobremesa de manteiga de amendoim 
leite de amêndoa em quantidade a olho

Costumo começar a bater os batidos na velocidade 1 para triturar os sólidos mais devagar e depois carrego na velocidade 2 para o deixar bem macio.

E já está, é assim de complicado! Para os mais gulosos, acrescentar uma colher de café de cacau puro também é uma boa ideia.

Experimentem, quero o vosso veredicto! ❤️

🎁 @philips #philips #batidovegan #vegan #batido




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1.3.20

"Wuant" you out


Eu não fazia ideia quem era este moço que dá pelo nome de Wuant, até que há uns meses o vi aparecer na comunicação social como um dos youtubers portugueses com maior número de seguidores. Como não sigo youtubers e só vejo vídeos quando estou à procura de um tutorial para aprender alguma coisa, fiquei na mesma.

A pouca informação que li nunca chegou para me ensinar o que é que esta criatura faz exactamente, o que produz, que riqueza acrescenta à vida dele ou à dos outros. Procurei hoje, encontrei isto que, espremido, deu em nada.  Em suma, creio que o maior feito dele vai ser ficar conhecido pela imaturidade e a forma como se expôs para dizer que ele e a namorada já não estão juntos, desrespeitando-a.

Apercebi-me da existência deste vídeo através da comunicação social. Não fiz caso. Mas depois o Nuno Markl (que é um gajo que prima pela sensatez) falou no assunto e decidi ver.

Em 48h o escândalo gerou viralidade, a comunicação social, personalidades públicas e leitores têm debatido o assunto exaustivamente, as pessoas falam de uma geração desgraçada, e eu nem ia escrever sobre o assunto, por não ter mais nada a acrescentar.

Toda a gente condena o caso. Diria que para as pessoas civilizadas a opinião é praticamente unânime, o tipo é um traste.

Mas depois apareceu uma única pessoa com opinião contrária, a Mia Rose, para dizer que não percebe a polémica e afirmar publicamente que naquele vídeo "só vê amor". 

É urgente explicar à Mia Rose o que é amor, não vá ensinar a os mais novos o que acha que é.

O vídeo em questão tem cerca de sete minutos. A Mia certamente saberá, ele não foi filmado durante este tempo. Foi muito mais que isso. Depois é editado (durante hooooras) e feita uma montagem com as "melhores" partes.

Quem vê aquela montagem, escolhida pelo Wuant, durante todo aquele tempo de vídeo ele aparece como o gajo que está bem, não sofre, é um macho do caraças, boa pessoa (acredita ele). A ex-namorada é a sofrida, sensível, coitada, as mulheres são assim, é normal [ironia]. Ela é a pessoa que mostra as fragilidades e lágrimas, ele é o gajo inabalável que até a consola. Mia Rose, não. Esta montagem foi mais do que pensada e não mostra amor. Mostra muita coisa, mas não é amor.

Eu percebo que as relações acabam e começam, também já passei por isso. Mas há um abismo que separa as pessoas sensatas dos merdosos. Eu percebo que tendo tantos seguidores quisessem fazer um anúncio público que podia ser escrito. Ou que podia ser um vídeo sucinto e em separado, sem azo a grandes conversas. Se tivessem optado pela discrição não existia viralidade, o assunto não acabava na comunicação social. Mia Rose, o que fez nascer viralidade foi exactamente a falta de respeito, a falta de cuidado, a falta de noção e isso, quando existe, não é amor.

Quando o vídeo começa ele já está a rir, diz "nota-se que estiveste a chorar um bocadinho", seguido de uma bela gargalhada. Depois anuncia que já não estão juntos, que ninguém se zangou, que foi uma conclusão a que chegaram, para interromper o discurso: "aliás, eu se calhar cheguei à conclusão, tu ainda não... Ahahhaha!". NÃO, Mia Rose! Isto não é amor! Isto é enxovalhar uma pessoa, é desconsiderar os seus sentimentos!

Completamente desnecessário a um anúncio de separação que quisessem dar, o Wuant vem dizer "para quem não sabe fomos os primeiros em tudo (...) primeira foda". NÃO, Mia Rose. Isto não é amor, é uma falta de respeito! É uma informação completamente desnecessária, mas para explicar o mesmo podia dizer-se que juntos perderam a virgindade ou juntos tiveram a primeira relação sexual e não haveria como condenar a escolha de palavras, apenas a falta de noção. Só que a escolha das palavras foi "primeira foda", dito diante dela para milhões de pessoas que, nota, baixa a cabeça de VERGONHA. Não é o Wuant o homem com que todas sonhamos, Mia Rose? 

Depois diz que tem 24 anos (quem diria), que chegou a um ponto em que quer viver novas experiências e "não quero foder, não é nada disso" - na verdade é só isso, qualquer pessoa com experiência de vida sabe ver. Explica que só se conhecem um ao outro, não quer viver com "ses" na cabeça, quer apenas tirar tempo. Não, Mia Rose. Isto não é amor. Na verdade é total ausência de amor. Tempo dão os relógios, sim? Isto tem um nome que também serve a culinária: banho-maria.

Não faltam surpresas. Diz ao mundo que já estava a pensar em acabar o namoro "há cerca de dois anos". Dois anos! Não, Mia Rose. Isto não é amor! Isto é dizer uma pessoa que metade do tempo estiveram juntos ele já pensava em não estar com ela! Traduzido, terá ficado a viver com ela à falta de melhor opção.

Mais chocante é a total surpresa da ex-namorada a ouvir esta informação, que ao fim de uns segundos responde magoada: "that's hard to swallow..." e ele faz o quê? Peida-se! Peida-se com expressão de esforço prazeroso.

Mia Rose, não é o Wuant um homem de sonho?

Volto a lembrar, este vídeo foi editado. Levou horas a editar, ele teve tempo para mudar de ideias e ESCOLHEU incluir o seu peido em resposta à dor dela, não foi um acidente. Não há maior adepta do movimento do peido livre entre um casal do que eu, mas a dois, em privado, e nunca em resposta a um coração partido numa publicação para milhões de pessoas.

Cereja no topo do bolo, ele está a optar pela separação agora, mas é uma pausa porque "não imagina o futuro com outra pessoa". Não, Mia Rose. Isto não é amor! Isto é uma clássica forma de manipulação emocional, chama-se banho-maria, é colocar a mulher na eterna esperança de um regresso porque mais vale uma pomba na mão do que duas a voar. 

Ela, a Owhana, tenho pena. Ainda não chegou o momento dela, ainda não aprendeu a impor-se. A forma como os outros nos tratam somos nós que ensinamos e ela ainda não compreendeu que parte disto é culpa dela, que aceita ser tratada assim. Compreendo, eu levei uma década para aprender a dar murros na mesa sem medo. Espero que ela encontre o seu caminho e que com o tempo perceba que este break up foi a maior sorte que teve.

E dizem vocês, eventualmente: "Maçã, foste dar audiência a este gajo?". Estão a ver o copo meio vazio, têm de ver o copo meio cheio. Este imberbe tinha de ter a cara em cartazes pelo país fora, em todo o lado. Esta viralidade é boa, é uma espécie de don't date him, girls para avisar toda e qualquer mulher que na inteligência dele o conceito de privacidade é uma cena abstracta, que não é apresentável pela forma como fala, que os momentos de intimidade são fodas, que se ri enquanto a mulher chora de sofrimento (perdão, dá gargalhadas), que gosta de manter as mulheres em banho-maria, etc. Há muito por onde pegar e, assim, outras mulheres já vão avisadas e pode ser que goze a solteirice todo o tempo que merece.

Vendo o copo meio cheio, acho que sim, acho que todos os adolescentes deviam ver este vídeo como bom exemplo de como não tratar uma pessoa em público. Parece-me boa a ideia colocar os mais novos a ver isto e a colocar-se na pele de um e de outro, fazendo um exercício emocional, de empatia, perguntando-se se vestiriam alguma destas peles, para ser o protagonista ou o alvo disto. Pode ser valioso para ensinar a quem não tem experiências amorosas o que não se faz e o que não devemos aceitar NUNCA!

Ver homens que não respeitam as mulheres já é difícil, mas ver um garoto com a mania que é homem a desrespeitar a mulher com quem namorou e viveu anos, dá dó.

O tamanho do ego dele, o tamanho da falta de educação, da falta de noção sobre os mais básicos comportamentos de respeito numa relação amorosa, exposto num vídeo, é directamente proporcional ao número de seguidores que tem enquanto youtuber: uma imensidão.

Depois, ver a Mia Rose dizer publicamente "eu só vejo amor", referindo-se ao vídeo sofrível, gerador de vergonha alheia, explica por que motivo há homens assim: é da educação que mães e pais lhe deram sobre a forma como devemos tratar os outros. Ou falta dela, melhor dizendo. E nisso, há pessoas que acham que podem tudo.


NOTA: eu não faço ideia se há marcas a patrocinar o menino Wuant, mas sugiro que revejam os vossos princípios. Como marca (que também tenho as minhas) não quereria ver-me representada por um imberbe que se mostra ao mundo de forma altamente condenável. Lembro o caso mediático do Tiger Woods que foi apanhado a enganar a mulher. O escândalo foi tal que o jogador de golf ficou sem patrocínios. À parte disso, é um princípio básico: a forma como tratamos os outros diz muito de nós. Alguma marca quer ser representada por isto?




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28.2.20

Tudo o que precisam de saber sobre o coronavírus, mas for real


Fonte: Observador, a 28/2/2020
Notícia: "não há notícias"

Uma década da minha vida profissional passei-a no ramo da saúde, como assessora de imprensa, com os pés em comunicação de crise, passando pelo INEM e outros organismos do Ministério da Saúde. 

Ainda estava a estudar comunicação e eu já sabia que nunca iria para jornalismo, por vários motivos: 1) Gosto de ganhar dinheiro; 2) Não gosto de maçar pessoas; 3) A maior parte das notícias são pura desinformação e eu não quereria fazer parte disso.

Isto para falar no coronavírus ou CODIV-19. É de revirar os olhos ao pânico provocado pela comunicação social que acontece, acredito, por ser uma novidade. A pressão da comunicação social começa com olho nos chineses que, já se sabe, são uns histéricos. E espalha-se pela Europa à falta de notícias mais sumarentas, levando os governos a tomarem medidas para não parecer que não estão a fazer nada. 

Para inglês ver, portanto. Nenhum governo eleito quer fazer figura de que não se importa com os cidadãos. E se for para ficar bonito no retrato, seja. O guito é de todos, querem lá saber.

Vejamos, na propagação de um surto a sério em que todos nos transformamos em zombies, não há, mas não há mesmo, nenhum país que esteja preparado para o conter. Nenhum! Esqueçam isso.

Um dos maiores surtos de sempre é a gripe espanhola (1918) que, dizem as estimativas, em seis meses matou 25 milhões de pessoas. Milhões!

Vamos pensar de outro ponto de vista: por que é que a vacina da gripe muda todos os anos? Porque o vírus também muda. E mesmo assim a vacina não protege contra todas as estirpes.

Todos os anos se morre de gripe em todo o mundo. Este é um vírus novo que tem uma taxa e mortalidade mais alta nas faixas etárias mais velhas, com especial foco em pessoas já debilitadas, não existindo fatalidades a registar em bebés ou crianças pequenas. Todos os anos, todos os anos, em todo o mundo se morre de gripe. E fevereiro é o pico da estatística.

Para perceber melhor a coisa, recomendo este texto muito bom de um médico que devia ser de leitura obrigatória.

E se a comunicação social já deixa a desejar, suspirei quando a escola da minha filha passou a alimentar o comportamento a que se assiste na TV: o pânico. Ainda que afirmem que o objectivo não é instalar o pânico, a escola envia um longo texto por email, com link para um questionário que vai alertar no caso de alguma criança (ou os seus pais) terem andado em alguns dos países onde o vírus tenha aparecido.

Ora, eu estive em Milão e se respondesse ao questionário ontem, a minha filha não poderia ter ido à escola hoje, até que fizesse 14 dias do meu regresso de Itália. Então, vou responder ao questionário apenas no domingo, data limite para o questionário obrigatório, que é também o dia que marca o meu período de quarentena. Logo aqui se vê como a medida não serve para coisa nenhuma.

Além disso, qualquer pai que está obrigado a preencher aquele questionário, pode estar longe do período de quarentena, estar infectado sem sintomas e mentir. Não há como controlar.

Toda a mensagem trata as pessoas que se deslocaram em viagem como alvos de contágio garantido a 100%, tendo estes pais de arranjar soluções mirabolantes para poder continuar a trabalhar, pois as crianças ficam impedidos de entrar na escola durante duas semanas. 

Afirmam que estão a trabalhar em estreita colaboração com as autoridades, sem dizer quais. 

E a Direcção Geral da Saúde emite hoje um comunicado que contraria exactamente as medidas da escola tomadas em "estreita colaboração com as autoridades":

Fonte: Observador a 28/02/2020


Qual é o resultado prático de ver tal contradição? Deixo para a vossa imaginação.

Vou dar dois bons exemplos em como estas precauções servem de pouco ou nada, mostrando que as medidas de protecção (a achar que estão a prevenir) apenas transtornam a vida das pessoas e não fazem muito por evitar o contágio:

Exemplo 1: imaginemos que têm no prédio uma vizinha hospedeira de bordo. Não faz parte do vosso agregado familiar, portanto, no questionário assinalam que ninguém do agregado familiar viajou para as "zonas perigosas". Em casa estão em segurança, de mãos lavadas. Mas de manhã levam as crianças à escola, descem no elevador, marcam o andar do R/C para sair do prédio, o mesmo andar onde a vizinha hospedeira meteu os dedos, regressada de uma zona de contágio. Imaginemos que estava doente, já levam o vírus nas mãos, levam as crianças à escola, fazem-lhes umas festinhas de despedida, mais uns beijinhos e tal, já está a criança contaminada! Que durante o dia vai distribuir por todos os colegas. Mas no agregado familiar ninguém viajou para "zonas perigosas", por isso, todos estão safos!

Exemplo 2: Manel das Couves foi a Paris passear com a mulher, não têm filhos, volta contagiado sem saber. Os dias passam e ele é um dos casos assintomáticos. O Manel tem os dedos lambidos daquelas batatas fritas que comeu ao almoço, unhas cheias de vírus, vai ao supermercado, paga com o cartão multibanco e aqueles dedos porcos ficam com o vírus colado ao painel onde marcou o código do cartão. Na vez seguinte, na fila da caixa para pagamento, vai a Maria Quitéria, que tem o filho a brincar no carrinho de supermercado. Usa o cartão multibanco para pagar as compras e lá vai ela, com os dedos lambidos do cuspo do Manel das Couves, doente sem saber. No dia seguinte, a criança vai à escola, pode ir à escola porque os pais estão sempre em casa e não viajam, não representa perigo de contágio, acredita a escola.

Este texto serve para tentar que as pessoas pensem pela própria cabeça e passem a colocar questões: quem disse? Por quê? Qual é a fonte? O que dizem as estatísticas? O que ensinam casos semelhantes? E, importante, o que faz sentido?

Só existe uma maneira de impedir a entrada do coronavírus em Portugal que é fechar as fronteiras. Ninguém entra ou sai até a coisa se dissipar. E isso não vai acontecer - que eu saiba nunca aconteceu em país nenhum - pois a vida continua e a economia não pára.




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27.1.20

Os ó-ó da Carminho e outros artigos que descobri


Perguntam-me muitas vezes pelas fraldas de pano da Carminho que ela usa diariamente. Um ó-ó é uma peça de conforto, de segurança, segura-o sempre no ombro e vai encostando à cara. Para adormecer vai fazendo festinhas na cara com o tecido e é uma delícia de ver. Vou ter saudades disso quando ela o deixar de fazer.

A Carminho tem fraldas simples, brancas, com impressão do logo com as iniciais dela, tem algumas mais coloridas com bichos que fui comprando em sites chineses, mas não tinha nenhumas com esta qualidade!

Por altura do Natal a cria recebeu este presente, um trio de fraldas que são as fraldas maaaais suaves onde já pus a mão. A sério, foi mesmo daqueles momentos em que abrimos o pacote e dizemos "uau!". E ainda por cima a 5€/cada fralda (aqui), são mais baratas do que as que mandava vir da China.

As fraldas foram um sucesso imediato não só para mim, mas para a Carminho que passa a vida a ir roubar estas fraldas para tapar ou enrolar os bonecos.

Outra coisa boa são as toalhitas laváveis (aqui), super suaves, em várias cores, permite distinguir as que são para limpar a cara ou o rabinho, 11€ para 10 toalhitas. Nice price e bem pensado. E ainda o tapete muda-fraldas (aqui) a 18€.

Não conhecia a Bambino Mio, mas posso dizer que este presente de Natal foi uma óptima surpresa. Quando a vida nos faz descobrir uma boa marca para as nossas riquezas, temos de divulgar!

A marca parece ser forte no domínio das fraldas reutilizáveis, recebi até um saco impermeável (aqui) que tanto pode funcionar para roupa suja como para fraldas sujas. O saco faz uma espécie de selo, dá umas voltas, tem um bom fecho (pelo que dali não saem fugas nem cheiros) e custa 15€.

Adorei a qualidade de todas as peças e também gosto da ideia "go green" dentro do domínio do reutilizável.

No entanto - uma pessoa tem de dizer a verdade - fraldas reutilizáveis nunca foi algo que tenha explorado ao mesmo tempo que sinto que isso devia ser obrigação de todos (o que me inclui). Embora não esteja mentalmente preparada gostava de fazer um esforço e tentar as fraldas reutilizáveis numa fase de desfralde. O que me têm a ensinar sobre isso? Venham a mim, nesta fase sou um bebedouro para este tipo de informação. Para quem quer saber mais sobre o tema, li (aqui) no site algumas FAQ sobre o assunto com números que achei interessantes. Todos os dias temos de fazer algo pelo planeta e o tema fraldas que é tão polémico é um bom começo.

A Bambino Mio é uma marca inglesa, tem loja online em português e os custos de portes são o preço de CTT, nada de especial. Dependendo do valor da encomenda os portes até podem ser gratuitos. Sobretudo, a qualidade da marca revelou-se espectacular, todos estes artigos dão excelentes presentes a quem tem bebé ou está à espera de bebé e a preços muito simpáticos.

Olhem xuxus, na verdade tenho é pena de não ter descoberto esta marca mais cedo, quando a Carminho nasceu. Recomendo!




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10.1.20

Bolonhesa de lentinhas



O ano passado comecei a reduzir o consumo de carne. Não me tornei vegan ou vegetariana, mas começou a fazer-me cada vez menos sentido. E à medida que comia menos carne sentia também que não me fazia assim tanta falta. Inicialmente achei que o homem ia entrar em protesto, mas também ele foi gostando dos novos pratos e está como eu: quando é bom não se sente falta.Em casa reduzimos drasticamente o consumo de carne e sentimo-nos bem.

Com o #setembrosemcarne as redes sociais encheram-se de mil ideias de pratos visualmente apelativos e um deles era a bolonhesa de lentilhas. Vi vários formatos e decidi criar a minha bolonhesa de lentilhas. Passei a informação à Sirly e resultou na perfeição! #sirlypower 

Isto é tão bom que dificilmente volto a cozinhar uma bolonhesa de carne porque... não é preciso!

E cada um pode criar a sua receita desta bolonhesa: podem incluir cogumelos, cubos de cenoura, metades de tomate cherry, é usar a imaginação!

1 chávena de lentilhas vermelhas (na verdade são cor de laranja, mas é o nome delas)
polpa de tomate (a olho)
1 cebola   
2 dentes de alho
azeite 
sal
orégãos
água 
queijo parmesão (opcional)


Cada pacote de lentilhas dita a sua sentença quanto à demolha das mesmas, devem consultar o pacote. No caso das que se vêem na foto demolharam 20 minutos.

Numa panela, refogar a cebola e o alho picados. Acrescentar a polpa de tomate e um pouco de água para não ficar um molho muito espesso. Deixar cozinhar um bocadinho. Acrescentar as lentilhas que com o calor irão aumentar muito de tamanho. Temperar a mistura com sal e orégãos. As lentilhas devem cozinhar cerca de 15 a 20 minutos, é ir provando durante o processo.

Tenho comido a bolonhesa de lentilhas com courgette espiralizada salteada e um toque de parmesão quando já está no prato. Uma delícia! Mas pode juntar-se massa, arroz, comer com uma salada, é tão bom que até à colherada sabe bem!




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7.1.20

Trabalhar com números vs trabalhar com pessoas



Todos os anos (às vezes várias vezes por ano) pingam no email mensagens muito elaboradas de agências de meios a pedir dados estatísticos do blogue, nº de likes, views, números, números, números, aliciando a possibilidade de trabalhar com imeeeensas marcas e fazer parte da base de dados, blá, blá, blá.

Há muito que deixei de responder a estas mensagens.
Acho-as um vazio.

Desta vez, a um "novo ano, precisamos de novas estatísticas!", apetece-me responder: no que respeita a influencers ainda trabalham com números?

Nem eu trabalho com números, trabalho com marcas (quando trabalho). Trabalhar com as pessoas is the new black, com verdadeira publicidade/divulgação, com verdadeiro engagement e capacidade de levar uma seguidora a experimentar um creme que a Maçã gosta mesmo e por isso deve ser bom em vez de ser "o creme nem é mau, é igual a outros, mas eu faço isto porque me estão a pagar". É claro que há números à mistura, não vale a pena ser hipócrita, mas também é uma ingenuidade pensar que grandes números vendem mais. Ou vendem, pela proporção, mas o que é que fica disso? Não vejo a hora de o IG eliminar os likes em PT.

Com o tempo, se este registo não muda, não sei onde vão parar as agências de meios que não conhecem de perto os influencers e vêem números. Imagino que perderão lugar para um gabinete de gestão de social influencers criados nos escritórios das marcas para uma parceria de proximidade em vez de ser um serviço sub-contratado.

Trabalhem pela dinâmica e personalidade, pela qualidade de conteúdos do influencer, pela identificação do produto/marca com a pessoa, não exclusivamente pelos números. Nem eu trabalho pelos números e não gasto o meu tempo em responder a estas mensagens. 

Há dias comentei que deixei de seguir a Chiara Ferragni, supostamente a maior influencer do mundo, 18 milhões de seguidores! Seguia por defeito profissional, mas às tantas perguntei-me por que motivo o fazia. Tem uma apresentação completamente vulgar, um mau gosto inenarrável a vestir, adora andar de t-shirt branca sem soutien, mostrar o rabo de fio dental (e tudo bem, ela escolhe o que fazer com o corpo dela), é uma montra de logótipos nas roupas e nas malas. Este é o resumo que consigo depois de uns bons tempos a segui-la. Gira nas horas, mas sem um comportamento geral elegante e não havia conteúdo que me trouxesse inspiração. Seguia porque sim. Eliminei, junto com mais umas centenas de likes retirados. Tento manter a coisa pelas 400 páginas. Como é que é possível seguir 1000 páginas? 3000 páginas? Não se segue, estão só ali.

Isto pode ser visto como "esta tem a mania que é rebelde", mas a verdade é que no dia-a-dia já temos tão pouco tempo, eu consigo retirar tanto prazer do IG, percebi que era muito mais interessante limitar o espaço (e o meu tempo) àquilo que gosto mesmo. É como ver uma revista e eliminar as páginas que são entulho, só vejo o que me interessa.

Falo por mim, já fiz algumas compras porque algumas influencers portuguesas micro me inspiraram, me deram a conhecer alguma coisa que gostei, mas nunca fiz compras por influência de influencers internacionais de milhões das quais (as poucas que sigo) só gosto de ver as fotos.

Fica a sugestão de algo que tem funcionado para mim, em 2020 optem por redes sociais mais limpas, mais inspiradoras e - às marcas e agências de meios - por parcerias com conteúdo, de verdadeiro interesse e envolvimento. É como não ter de ser obrigada a comprar presentes de Natal: libertador e concentrado no que verdadeiramente interessa. Isto para ser interessante e divertido não pode resumir-se ao número de laranjas, têm de ter sumo.



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© A Maçã de Eva

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