5.7.16

Então e a nova marca?





"Então, como está a correr? Vejo a marca em todo o lado, que maravilha!"

Esta é a pergunta que me fazem quando me vêem, se é que me vêem, porque ando completamente sumida dos amigos, da família e do blogue. À pergunta segue-se sempre um "estás branca!". Nunca na minha vida tive esta cor nesta altura do ano. Eu pareço um copo de leite, nem consigo usar as minhas roupas de verão porque ficam mal de tão branca que estou.

Sucessos à parte - que não posso negar e é uma felicidade e tudo isso - não vou mentir e dizer uma verdade que vai chocar algumas pessoas: tenho detestado a experiência. Eu sei que merecia uma chapada, mas o meu sentimento neste momento é este.

Não me interpretem mal. Adoro o sucesso, adoro o produto final, adoro a qualidade das minhas escolhas (para onde vão imediatamente os comentários das clientes) e fico feliz que tudo tenha corrido bem, mas isto foi para mim um sofrimento, um salto maior do que a minha altura, isto é um volume de trabalho que eu nem tenho como classificar. 

Eu estou sempre a roubar a algum lado: ou ao ginásio, ou ao sono, ou ao divertimento, ou à praia, estou no meu limite. Fiquei sem vida, passei a viver para o trabalho, as férias do PAM arderam enquanto ele me via a trabalhar, não fomos para lado nenhum, não celebrámos o nosso aniversário com nada de especial, ainda não metemos os pés na praia (a ironia do destino) e só este Domingo dei um mergulho numa piscina. 

A melhor época do ano está a passar no tempo de um fósforo, não a estou a aproveitar minimamente e isso deixa-me frustrada. 

Não trabalho sozinha (o que seria! Não podia nem dormir!), tenho uma equipa eficiente, temos trabalho até aos olhos e mesmo assim sinto que é infernal. Portanto, para quem quer saber como é ter uma marca de bikinis e fatos de banho, a resposta é viver para a marca, é não ter verão (sendo que ainda tenho a marca de sapatos e a marca de sabrinas para gerir).

A minha luz ao fundo do túnel é que é um negócio sazonal, mas a época mais calma é o inverno, em dias de chuva e frio, que odeio. Sinto-me virada do avesso, cansada, cansada, cansada.

Mas isto é assim mesmo: dar o litro, semear, cimentar, e daqui a uns anos ter pessoas a trabalhar, e eu poder só tratar das colecções, ficar longe de supervisionar vendas e ter a vida que quis. Mas eu não sei se isto é possível, isto de confiar completamente nos recursos humanos.

Vamos à parte boa! Em apenas 40 dias vendeu-se 60% do stock, não houve mãos a medir, houve dias em que sairam do armazém 100 pacotes de encomendas. A taxa de devolução é inferior a 2% em cada 100 encomendas, o que é óptimo, só acontece quando as pessoas não gostam mesmo de se ver (acontece), mas é raro. 

A taxa de troca de tamanhos é de três em cada 100 encomendas, o que significa que a larga maioria das encomendas fica bem. O que era o meu maior receio, as trocas e devoluções e sentir que ninguém conseguia acertar, foi um medo que caiu por terra, é uma parte que representa uma margem muito pequena do negócio.

Não houve meio de comunicação em que a marca não aparecesse, não houve dia em que não trabalhasse. 

De 72 modelos, em 40 dias há 48 tamanhos esgotados e mais 14 modelos esgotados em todos os tamanhos. Tem sido vê-los a voar, nem sei como se fez isto tudo, mas saiu-nos do pêlo, custou muitas madrugadas, tempo de lazer e dias de férias.

Um grande louvor para o João, gestor da marca, que já nem deve ter fusíveis, que não tem jeitinho nenhum para dobrar bikinis, mas que se multiplica e faz a roda andar. Sem ele, nada disto seria possível. É o maior optimista, já adivinhou números que eu não teria coragem de arriscar e tem o humor de me enviar planos de excel com alertas em datas no fim do verão que dizem "festa dos novos ricos".

Sexta partimos rumo a uma feira internacional, ver malhas e materiais para 2018. Sim, 2018. Eu achava que isto era um negócio de tranquilidade, um "vai-se fazendo", é sazonal, velocidade de cruzeiro e tal. Como me enganei!

Cansaços à parte, obrigada às clientes do blogue, muitas fizeram parte deste mega-sucesso e obrigada pelas mensagens que me enviaram ♥

Estes são alguns dos meus modelos preferidos e que fui a tempo de resgatar para a minha gaveta.







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4.7.16

"Pessoas estranhas"




Há dias fui ao teatro assistir à peça "Pessoas Estranhas" da Marta Gautier.

À semelhança de outro espectáculo que tinha assistido há uns anos, este é outro monólogo muito bem conseguido. Não há nada em palco, é a Marta e a voz dela, que fala (a pilhas) e diz tantas, mas tantas verdades!

O curioso é que fui a esta peça para rir. Saí de lá divertida mas extremamente pensativa. Os dias passaram e ainda estou a pensar na peça que mudou qualquer coisa. Revi-me em momentos, nos pensamentos da autora, tive momentos de encontro em que me disse "eu sou assim!"

A peça está sempre esgotada, difícil é arranjar bilhete. Saiu agora uma nova data, 9 de Setembro, juro que é de agarrar imediatamente.

É bom, bom, bom que não tenho palavras. Não sai de lá ninguém a chorar o dinheiro do bilhete, só a chorar a rir. Homens incluídos!

Sinopse: Vou falar de pessoas estranhas, coisas que há muito tenho por dizer. Pedirem para explicar melhor, já é chatearem um pouco. Chatear, no sentido de pressão. Pressão essa que me levará, necessariamente, a um ressentimento contra vocês. Vocês que depois vão alegar, tipo picuinhas, tipo vítimas, que não têm culpa porque não pediram nada. Por um lado têm razão, podem ficar com a vossa razãozinha que tanto vos satisfaz, por outro, a possibilidade de eu me sentir incomodada, impele-me, mesmo que erradamente, a procurar responsáveis. Só esta conversa já me está a angustiar. Agradecia que parássemos por aqui.


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© A Maçã de Eva

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