29.12.17

Salvar a vida a um homem no Chiado


Ontem, no Chiado, decidi comer um gelado enquanto passeava pelas montras a caminho do parque de estacionamento. Numa mão levava o copinho, na outra a colher. Na Praça de Camões cheguei à passadeira, aguardava pelo sinal para poder atravessar a rua com dezenas de outras pessoas, todos ali apertadinhos como sardinha em lata, eu com medo que alguém me empurrasse para o alcatrão, sempre a pensar que agora detesto Lisboa.

Mesmo ao meu lado um homem com cerca de 50 anos dá um abafado grito de dor: "uuughh!".

Olho para ele. Curva-se sobre si mesmo.

De pé e com as costas dobradas tem uma mão esquerda apoiada no joelho.
Não vejo a mão direita, está agarrada ao peito?

Olho para os lados, ninguém está a tomar atenção.
Pergunto-me: "este homem está a sofrer um enfarte?".

Já não sei o que fazer ao gelado. Olho para ele, olho para as pessoas, procuro fazer uma leitura da situação sem o abordar, procuro desesperadamente perceber se o homem está agarrado ao peito, mas não me consigo mexer e é estúpido pôr-me aos gritos.

Ou então não. Devo gritar?

O sinal fica verde para peões, as pessoas arrancam a toda a velocidade, abre-se espaço entre nós e eu deixo-me ficar no mesmo sítio. O homem endireita as costas e faz uma respiração profunda olhando para o céu, como de alívio.

Continuo parada de gelado na mão a olhar. O que é que se passa aqui?

Afasta-se lateralmente uns 20 centímetros. Quando se afasta aparece um daqueles postes de metal, verdes, que impedem o estacionamento indevido. Percebi então: tinha batido no ferro com as partes baixas, que é como quem diz as vergonhas, os testículos.

Meu rico gelado! Estou cansada deste altruísmo que vive em mim!



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28.12.17

Cirurgia plástica: fui à faca!


Fui à faca!

Há um par meses escrevi aqui sobre algumas questões de pele com que tenho de lidar: queratoses, fibromas e um buraco na pele que se enche de porcaria. Fui a várias consultas para acontecer o que descrevi nesse post: ia de consulta em consulta com dermatologistas fiteiros na sua conversa de "não vale a pena". Mas eu é que sei se vale a pena, vivo com a minha pele todos os dias, tenho de me olhar ao espelho e isso nunca era tido em consideração. Aquilo que percebi foi que olham para a pele, mas não olham para mim, não têm em conta como me sinto, mesmo que explique.

Então concluí: eu não preciso de um dermatologista puro, preciso de um dermatologista ligado à estética. Ou de um cirurgião plástico, descobri.

Pedi sugestão de médicos no facebook do blogue, sugeriram imensos (obrigada, xuxus!). Mas entretanto já estava para ser consultada pelo Dr. João Bastos Martins, cirurgião plástico (aqui ou aqui), sobre uma redução mamária, falei com ele e se soubesse que tratava da minha questão das costas já tinha falado muito mais cedo!

Quanto à pele, queratoses e fibromas podia tratar de algumas, quanto às manchas no rosto não sendo a área dele recomendou-me procurar um especialista (é honesto, mas fico com pena), maminhas e rinoplastia é conversa para outros posts, mas estando despida da cintura para cima sobre a redução mamária ainda perguntou se não queria fechar a cicatriz do piercing que em tempos idos usei no umbigo, em forma de "aproveito e dou aí um jeitinho num instante". Maravilha, mais uma coisa que vai ser rectificada!

Partilho este post que não sendo a temática mais interessante para umas pessoas, há muitas mulheres que têm queratoses e fibromas como eu, há quem tenha buracos na pele que se enchem de porcaria, há quem tenha um furo de um piercing e acha que tem de viver condenada com ele o resto da vida e ainda há quem queira fazer redução de maminhas ou uma rinoplastia. Eu sei o que difícil que é encontrar quem oiça, quem perceba, e sobretudo quem faça o trabalho como deve ser correspondendo às expectativas, pelo que vou relatando este percurso de cirurgia plástica que vou fazer ao longo de 2018.

Comecei agora no fim de 2017, mesmo antes do Natal fui fechar o buraco que tinha nas costas e que deu origem a ponto negro pequeno, com pouco mais de 1mm mas hediondo, inchado, com área cinzenta em redor como um anel. Era mau demais e um complexo para mim. Mil vezes foi espremido, mas nunca desapareceu.

No Hospital dos Lusíadas, numa sala parecida com um bloco operatório, deitei-me numa marquesa. Estava de touca, bata verde, parcialmente vestida e com toucas por cima dos sapatos. O médico fez nova observação e foi explicando todo o processo: "vou desinfectar", "vai sentir frio", "vou aplicar anestesia", "vai sentir picada", é daqueles profissionais que indica tudo, o que (não sendo o meu caso) é bom para as mais mariquinhas, não dá abertura a surpresas. O curioso é que quando injectou a anestesia disse que ia picar mas eu nunca senti. Mãozinhas de fada!

E depois ao abrir, surpresa! Afinal tinha uma cápsula de porcaria maior do que o esperado. Debaixo do ponto negro estava um ovo surpresa que nunca iria desaparecer por mais espremido. Eu sabia! Levei dois pontos que vou tirar no início do ano, está com óptimo aspecto e no próximo verão vou poder ter as costas ao ar sem ter complexos ou vergonhas, o que não tem preço! Mil vezes uma cicatriz de nada do que um ponto negro daqueles que faz caretas às pessoas. Recomendo vivamente, não custa absolutamente nada.

Por falar em preços, o meu seguro de saúde cobriu a totalidade da mini-cirurgia, não sei dizer qual será o valor para quem não tem seguro, mas certamente indicam.

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© A Maçã de Eva

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